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As mentiras, omissões e obscuridades que podem levar o Corinthians a perder tudo pelo estádio de Itaquera

Em recente reunião do Conselho Deliberativo, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, disse que havia fechado acordo para quitação da dívida com a Odebrecht.

Foi desmentido pela construtora, no dia seguinte.

Na mesma reunião, questionado sobre os pagamentos à Caixa, referentes à intermediação do empréstimo de R$ 400 milhões junto ao BNDES, Sanches, que em encontro anterior, disse ter renegociado os termos de pagamento (chegou até a divulgar cronograma, com datas e valores), afirmou ‘estar tudo em dia’.

Ontem, o presidente do banco desmentiu ambas as afirmações.

Não era verdade que o clube havia acertado renegociação com a CAIXA, assim como que mantinha-se adimplente com as parcelas.

Mas as lorotas, e omissões, não terminam por aí.

Sanches ocultou do Conselho que o Corinthians, além das dívidas conhecidas, publicamente, pela construção do estádio, deve ainda R$ 104 milhões ao Arena Fundo – gestor do negócio, por conta de calotes em repasses do dinheiro aferido na venda de ingressos e demais produtos consumidos em Itaquera (o valor refere-se a agosto de 2019).

Ou seja, apesar de ter repassado todos os CIDs recebidos pela Prefeitura à Odebrecht (mais de R$ 500 milhões), o clube segue sendo cobrado pela construtora (em mais, aproximadamente, R$ 300 milhões, atribuídos a empréstimos pontes).

Apesar de auditoria ter revelado que centenas de milhões de reais, orçados na construção, não foram, de fato, entregues pela Odebrecht, o Corinthians, em momento algum, ameaçou cobrar a pendência, seja em mesa de reuniões ou, como de deveria, judicialmente.

Por que?

Será que as delações de executivos da construtora, dando conta do repasse, indevido, de vantagens a dirigentes alvinegros, para, em contrapartida, facilitarem o sobre-preço do estádio, seria o motivo real da omissão ?

A Caixa revelou, também, que o Arena Fundo, mesmo convocado a fazê-lo, recusou-se a enviar as contas, devidamente auditadas, das receitas e despesas de Itaquera, fato que tem se repetido, inclusive, quando instado a prestar contas a conselheiros do Corinthians.

Apesar disso, nos relatórios enviados à CVM, o Fundo detalha gastos com auditorias, algumas ligadas ao ex-diretor de finanças alvinegro, Raul Corrêa da Silva.

Seria a razão da ocultação ?

Ou o fato do clube, após cinco anos de repasse de valores milionários de ingressos ao Fundo ainda assim estar devendo, no mínimo, R$ 104 milhões ?

Como explicar ?

Hoje, matéria do Blog do Paulinho revela que o Corinthians não conseguiu, sequer, comprovar as contrapartidas necessárias, firmadas junto ao MP-SP, para permissão da construção do estádio, sendo multado, por conta disso, em R$ 800 mil, por litigância de má-fé, correndo risco ainda (o prazo final é dezembro de 2019), de ver a Arena interditada até o final do ano.

As obras foram executadas por empresa ligada a ex-diretor do Timão, parceiro do presidente.

Seria o motivo da dificuldade em comprová-las, financeiramente ?

Corinthians não comprova contrapartidas do estádio e é multado por ‘litigância de má-fé’

Por fim, se o Corinthians pagou, como diz Sanches, quase R$ 180 milhões à CAIXA e ainda restam outros R$ 480 milhões, de um empréstimo de R$ 400 milhões, fica claro que o clube sequer arcou ainda com os juros, restando mais de 100% do valor principal.

Diante de tantas questões não respondidas e obscuridades de comportamento, além das mentiras e omissões levantadas, a única certeza, até o momento, é a de que o Corinthians embarcou numa canoa furada sem bote salva-vidas, assinando diversos acordos financeiros sem a devida entrada de dinheiro para conseguir honrá-los.

Vale lembrar, o organograma financeiro, comprovadamente equivocado, foi proposto pelo ex-primeiro ministro Luis Paulo Rosenberg, aceito por Andres Sanches e viabilizado pelas assinaturas de dirigentes diversos, contando, ainda, com o conivente aplauso de boa parte do conselho deliberativo.

O que o Corinthians pode perder se a CAIXA, de fato, levar a execução a termos rígidos ?

Se a Odebrecht for executada (também deu bens em garantia), o Corinthians deixará de dever os valores do empréstimo ao banco, até então, cobrados em juros módicos, passando a ser devedor da construtora, que poderá estipular correções bem menos agradáveis.

Há quem diga, porém, que por conta da ‘recuperação judicial’, a Odebrecht conseguiria escapar desse problema.

Restaria, então, à CAIXA, tomar para si outras garantias ofertadas pelo Corinthians, que vão desde a integralidade do terreno do Parque São Jorge, até as receitas obtidas com suas marcas, símbolos, etc, incluindo, claro, o time de futebol (direitos de jogadores, ingressos, etc).

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1 comentário em “As mentiras, omissões e obscuridades que podem levar o Corinthians a perder tudo pelo estádio de Itaquera”

  1. Da onde vem tanto poder, o que faz Andres Sanches ter tanto espaço na mídia, falar o que quiser e jamais ser questionado? Outro dia vi ele na globo, com apresentadores e ex-jogadores bajulando o cara, por que?

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