Advertisements

Dos 50 anos, os Gaviões da Fiel só podem comemorar os primeiros

Flavio La Selva

Ontem, os Gaviões da Fiel comemoraram 50 anos desde a sua fundação, em 1º de julho de 1969, pelas mãos do sonhador Flavio La Selva.

Uma pena a ‘organizada’ ter se perdido tanto no tempo e nas facilidades proporcionadas pela promiscuidade com os poderosos.

Quando de seu surgimento, os Gaviões eram protagonistas relevantes de embates contra Wadih Helu, talvez o mais execrável presidente alvinegro, opondo-se, abertamente, às suas práticas ditatoriais e, muitas vezes, desonestas.

La Selva e seus companheiros tornaram-se fiscais da gestão do Corinthians, ocasionando debates interessantes e contribuindo para a melhora da agremiação.

A inclusão social, em tempos de preconceitos diversos, além da preocupação, também, com a política do pais, faziam destes Gaviões um raro oásis de cidadania nos sombrios tempos da ditadura.

Porém, aos poucos, a ideologia e os sonhos, após diversas trocas de diretoria, deram lugar à ‘esperteza’, à cooptação pelos poderosos e a aceitação da prática criminosa como fonte de recursos, ou poder, para a entidade.

De ‘Força Independente’, atrelada aos honrosos compromissos de ‘lealdade’, ‘humildade’ e ‘procedimento’, os Gaviões atentaram contra a própria história, abrindo as portas para a auto-destruição de seus princípios.

Daí por diante o que se viu foram dirigentes chantageando cartolas alvinegros em troca de silêncio e proteção.

Não à toa, durante as manifestações pela queda de Alberto Dualib, a torcida, temerosa do resultado final – já que, assim como ocorreu em administrações anteriores, também mantinha ‘rabo-preso’ com o dirigente – escondeu-se nos bastidores do grupo ‘Fora Dualib’, aceitando receber, para tal, recursos oriundos da MSI e do Judas que viria a tomar o posto de presidente, meses depois.

Somente quando a derrocada do cartola surgiu como ‘favas contadas’, os Gaviões expuseram-se, já apoiando o mantenedor Andres Sanches.

Desde então, com pontuais discordâncias – sempre abafadas com dinheiro – os Gaviões passaram a agir como exército informal do dirigente, pouco se importando com os desvios de conduta que, há doze anos, esfacelaram as contas do Corinthians.

A torcida deixou de gostar do clube para dele tirar vantagem e sobreviver, associada à cartolagem, de achaques, golpes e demais ações de criminalidade.

O comportamento, aliado aos episódios notórios de violência dentro e fora dos estádios, serviu também para antipatizar a ‘organizada’ aos olhos da população.

Uma perda de objetivo e credibilidade difícil de ser recuperada.

Em síntese, existe muito pouco a ser comemorado do cinquentenários do Gaviões da Fiel, talvez apenas o início de tudo, alicerçado, de fato, no desejo, sem contrapartida, de contribuir com o Corinthians e também à sociedade.

Advertisements

Facebook Comments

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
Powered by
%d blogueiros gostam disto: