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Copa que começa para o Brasil tem barreiras para ser relevante

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Desconheço o time como Vadão ignorou noções básicas de geografia ao analisar a Jamaica

Brasil e Jamaica jogam neste domingo (9) pela Copa do Mundo de futebol feminino.

Se fosse a masculina não precisaria citar o gênero.

Trata-se da oitava edição, contra 21 já disputadas entre os homens.

Os Estados Unidos ganharam três vezes, a primeira, em 1991, e a última, em 2015.

As brasileiras foram vice-campeãs em 2007, derrotadas pelas alemãs, e terceiras colocadas em 1999.

Além de terem conquistado medalhas de prata olímpicas em 2004 e 2008.

Um espanto para a desimportância aqui dada ao futebol feminino, embora o país tenha produzido a rainha Marta, seis vezes eleita como melhor do mundo, algo que homem algum já alcançou, ela que domina todos os fundamentos do jogo como também poucos marmanjos são capazes de fazer.

Seria sórdida demagogia e oportunismo barato dizer que a coluna aguarda com grande expectativa a estreia brasileira.

E deslavada mentira se tecesse considerações técnicas sobre a seleção.

Desconheço o time como o técnico Vadão ignorou noções básicas de geografia ao analisar a equipe jamaicana e perpetrou a seguinte batatada: “É uma equipe que não foge da característica do futebol africano, muita estatura, atacantes altas, que sabem proteger. Pressionada, vai esticar a bola nesta atacante. É uma equipe forte, veloz. Equipe nos moldes africanos”, pontificou como se fosse ministro do governo Bolsonaro.

Ninguém na CBF contou a ele que a Jamaica fica no Caribe, no continente americano.

Bem, a Copa do Mundo será disputada na França, no continente asiático, como se sabe…

Dito isso é preciso dizer também que não ajuda o futebol feminino quem faz escândalo porque Marta recebe infinitamente menos que Neymar.

Ou que a premiação das mulheres é incomparavelmente menor que a dos homens.

Não se trata aqui da histórica injustiça de mulheres receberem menos que os homens por funções iguais no mercado de trabalho. Porque uma gerente de banco produz igual a um gerente e assim por diante.

No mundo capitalista da economia do esporte não se dá o mesmo. O futebol feminino desperta interesse muito menor e gera muito menos renda.

Querer igualdade só atrapalha o desenvolvimento da prática entre as mulheres que, diga-se, estão cada vez melhores.

Há quem diga que ver esta Copa é um gesto político. Faz sentido e até a Globo irá transmitir pela primeira vez.

Mas não exageremos.

É diferente da discussão sobre as cotas para pagar a dívida secular que o Brasil tem com negros e índios, questão social elementar.

O futebol é outra coisa e, no Brasil, segue muito mal resolvido a começar pelo dos homens, incapazes de levar mais de 20 mil torcedores em média para ver o Campeonato Brasileiro, quando os alemães levam mais do dobro.

Some, no caso do futebol feminino, o preconceito, o machismo e a homofobia, e pense no tamanho do caminho a percorrer.

Em tempo: verei os jogos das brasileiras, como sempre fiz presencialmente ou pela TV em Copas do Mundo e Olimpíadas, para torcer, por apreciar a qualidade e por solidariedade.

Sim, solidário com as guerreiras que já lotaram o Maracanã nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e na Olimpíada de 2016, quando ficou famosa a camisa brasileira do menino carioca Bernardo, então com 12 anos, que riscou o nome de Neymar Jr. e escreveu o de Marta, além de desenhar um coração ao lado.

Marta merece.

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