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Craques de graça

Por ROBERTO VIEIRA

Verdade que eram outros tempos, jogador de futebol tinha fama de bandido, malandro, office boy da bola. Qualquer golfista de araque, jogador de basquete americano ou arremessador de baseball ganhava muito mais que um jogador de futebol de elite, porém, as cifras são assombrosamente miseráveis para os padrões atuais. Pior. Os jogadores brasileiros eram mendigos no banquete que já começava a ser servido na Europa e EUA.

A matéria está na Revista Placar, número 483, de julho de 1979, com o título MILIONÁRIOS DA BOLA. Tinha fotos do Lemyr Martins e quem escreveu não assinou – Juca deve saber.

Adotando uma tabela de conversão de valores, eis quanto custava manter a nata do futebol mundial em cada clube.

1. Johan Cruyff do Los Angeles Aztecs recebia 1.1 milhão de reais mensais

2. Johan Neeskens do Cosmos e Kevin Keegan do Hamburgo ganhavam 785 mil reais mensais

3. Trevor Francis, inglês dividido entre Nottingham Forest e Detroit Express levava 640 mil reais para a esposa jogando doze meses por anos, sem recreio, mas com mansão e empregados for free

4. Ubaldo Fillol, goleiro do River Plate, sem contrato, e da seleção era o atleta jogando na América do Sul com melhor salário: 570 mil reais. Com a vantagem de que seu contrato tinha reajuste de 15% ao ano, automaticamente, por lei, tomando frango ou não.

5. Maradona já era, aos 18 anos, um prodígio. Ganhava 430 mil reais do Argentino Juniors, o maior salário de um homem com menos de 20 anos no mundo, segundo a revista… acho que exageradamente.

6. Roberto Bettega da Juventus, amigão dos chefes da FIAT botava 400 mil na carteira italiana de couro. Platini, adolescente do Saint Ettiene, recebia o mesmo que Bettega.

7. Krankl, austríaco e artilheiro do Barcelona ficava feliz com 370 mil reais.

8. Mario Kempes era o terceiro argentino na lista – culpa do título mundial de 1978 que inflacionou os salários portenhos – com 360 mil mensais, o que ajudava a suportar a má fase pós artilharia da Copa e a ascensão do fenômeno Maradona.

9. Paul Breitner vivia socialisticamente bem com 300 mil mensais, padrão de craque do futebol alemão e do Bayern.

10. Paolo Rossi, o Bambino d’Oro, joia do calcio ficava com infames 200 mil mensais aos 22 anos de idade, o que deve ter estimulado seu lado aventureiro na busca de mais liras, fato que a polícia da Velha Bota puniu exemplarmente bem até o técnico Bearzot berrar por socorro em 1982.

Satisfeitos? Cadê os brasileiros?

Pois meus amigos, acredite quem quiser acreditar, no Brasil a coisa estava preta. Os milionários do futebol brasileiro começavam a descobrir nas excursões, nas revistas, nas fotografias de além mar.

Zico era o brasileiro mais bem pago. O Galinho fenomenal botava em sua conta bancária, no final do mês, 107 mil reais. Pra compensar, o Galinho ganhou um apartamento para divulgar um lançamento imobiliário. Céus.

O segundo brasileiro mais bem pago no futebol era Paulo Roberto Falcão, estrela prestes a ser tricampeã brasileira pelo Internacional, com 100 mil reais mensais do Colorado. Falcão que não imaginava o futuro no futebol italiano como Rei de Roma

Como curiosidade, a nova estrela da seleção e do Corinthians, o médico que tinha deixado Ribeirão Preto para viver na cidade grande, o Doutor Sócrates, este recebia do Corinthians 21 mil reais mensais de salário mais um aperto de mão do presidente Vicente Mateus.

Com menos de 500 mil reais, qualquer empresário bancava os salários da seleção brasileira se assim lhe conviesse.

O nosso craque, meus amigos, era de graça…

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