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Se Bolsonaro desistir de Guedes, Moro e dos generais, não chega ao Carnaval

A briga entre Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebianno foi uma disputa entre a facção do bolsonarismo que depende do clima de campanha permanente e a facção que quer começar a funcionar como um governo normal, no bom e no mau sentido.

O bolsonarismo das redes, a turma do Olavo, os filhos do Jair dependem desse clima de mobilização constante. Se o governo começar de fato, o que vai sobrar para eles? Nenhum olavista sabe nada de útil, nem do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista político, que ajude alguém a governar.

O olavismo só engana otário, e na turma que Bolsonaro precisa convencer agora —os parlamentares, o mercado— não tem otário.

Por outro lado, a turma que apoiou Bebianno foi a que defende uma certa institucionalização do bolsonarismo. Estão nesse grupo Rodrigo Maia, recém-eleito presidente da Câmara, o vice-presidente Hamilton Mourão, a deputada Janaina Paschoal e toda a turma que está preocupada com a aprovação da reforma da Previdência.

Os olavistas, ao que parece, venceram a briga. A previsão é que Bebianno será demitido hoje. Perderam Maia, Guedes, Paschoal e Mourão.

O problema é o seguinte: Bebianno estava articulando com o Congresso pelas reformas. O governo já havia desistido sem maiores resistências do discurso “nova política”. Muita gente estava de olho na distribuição das direções do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) nos estados. O segundo escalão dos ministérios estava sendo distribuído aos aliados como sempre foi, para que os aliados fizessem o que sempre fizeram.

Se as denúncias contra Bebianno forem referentes a essas negociações, ou se os aliados acharem que toda negociação será exposta pelo Twitter, a articulação política do governo Bolsonaro morre.

É como escrevi aqui depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado: com rede social você derruba o Renan, mas não aprova reforma.

Nesse quadro, como interpretar a decisão de Bolsonaro em favor do filho?

Em primeiro lugar, é possível que Carlos tenha denúncias graves contra Bebianno, graves demais para serem abafadas por muito tempo. Nesse caso, é preciso que o presidente da República as divulgue, mesmo que isso traga mais dificuldades para seu governo.

Em segundo lugar, como notou o jornalista Alon Feuerwerker, não é fácil para um governo se desvencilhar de sua facção mais leal, a que cai se ele cair. Bolsonaro não é indispensável para Guedes, para Moro, para os generais. Mas é indispensável para os doidões do Twitter. Os olavistas teriam o mesmo espaço em qualquer outro governo? Não.

Se for esse o caso, entretanto, Bolsonaro precisa se perguntar se vale a pena estar cercado de gente leal em um governo fraco. Porque se ele desistir de Guedes, Moro e, especialmente, dos generais, não chega o Carnaval.

Restam as ameaças de Bebianno. O quase-ex-ministro vem dando todos os sinais de que cairá atirando. Se suas revelações forem referentes às finanças da chapa Bolsonaro/Mourão, pode ser instaurado um processo de cassação de chapa.

Há, enfim, um cenário de inferno para Bolsonaro em que Carlos derruba a reforma e Bebianno derruba o governo.

É difícil imaginar quatro anos de um governo como o da semana passada. Ou não será como na semana passada, ou não durará quatro anos.

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1 comentário em “Se Bolsonaro desistir de Guedes, Moro e dos generais, não chega ao Carnaval”

  1. Eu não paro de rir das respostas dos esquerdotubbies e/ou lulatubbies (lembram dos Teletubbies?), são todas desconexas, sem sentido e sem citar os casos dos que defende.

    Citam Queiroz, mas as movimentações maiores, são de assessores de deputados da esquerda. Citam laranjas, mas tem 18 partidos, inclusive de esquerda, com seus laranjas.

    Mas, inocente útil e obtusos coniventes, não podemos esperar muita coisa!!!

    Ainda bem que posso opinar com isenção, pois não voto em segundo turno faz três eleições, sinto-em aliviado.

    Nas duas eleições anteriores só tinha lixo pesado para escolher, não optei por nenhum, nessa última tinha um lixo pesado e um que eu não sabia no que ia dar, mas com certeza seria melhor ficarmos livres da lixaiada pesada. Mesmo assim preferi não escolher nenhum dos dois.

    Ficamos livres do partideco que nos ferrou em todos os sentidos, deixando 13 milhões de desempregados que obtusos subdesenvolvidos tentaram transferir ao Temer essa desgraça ocorrida e, até hoje, tem idiota que acha que foi o Temer que ferrou o país.

    Como são risíveis os esquerdotubbies e/ou lulatubbies (lembram dos Teletubbies?).

    Mas, se o atual presidente não deixar a família longe do governo, ele pode ter problemas sérios. Ou ele coloca freio e com firmeza ou as coisas desandam. O que será uma pena, pois tem tudo para dar certo.

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