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Sobre a liberação de apostas esportivas no Brasil

No último dia 12 de dezembro, o presidente Michel Temer sancionou a lei que liberou as apostas esportivas no Brasil, que deve ser regulamentada, a toque de caixa, nos meses que estão por vir.

Os interesses são muitos.

Em verdade, as principais casas do ramo já atuam no país – com a desculpa de que estão sediadas no exterior – com direito a publicidade explícita nos principais meios de comunicação, atraindo, há tempos, milhões de reais dos incautos apostadores.

O próprio Blog do Paulinho, vez por outra, exibe banners destas empresas, vendidos por intermediários (sem ingerência deste jornalista) contratados para expor propaganda neste espaço, o que não impede nem influência – como o leitor perceberá nas próximas linhas, que as critiquemos com a independência habitual.

Assim como outras modalidades de jogatinas, é evidente que gigantesca possibilidade de êxito pertence à “banca” do jogo, com 90% (se não for mais) dos clientes destinados a perder suas economias, além de grande margem para golpes.

Diversos são os relatos de compra de resultados quase sempre acertados em campeonatos menos relevantes ou divisões de acesso dos centros mais conhecidos, ambiente em que atletas, recebedores (quando recebem) de baixos salários sucumbem à tentação dos cooptadores.

Se na Europa, nitidamente com a economia mais tranquila, as sacanagens ocorrem com excessiva frequência, o que esperar do submundo da modalidade neste país de DNA corrupto e povo desprovido de garantias básicas de sobrevivência ?

Não podemos esquecer que em 2005, período em que as apostas esportivas eram desconhecidas do grande público, um árbitro da elite (quadro FIFA) vendeu, ao menos, onze jogos do principal campeonato da América Latina, demonstrando os problemas que poderão surgir daqui por diante.

O Brasil, sob a ótica de arrecadar os impostos – fala-se em bilhões – que estariam se esvaindo no atual sistema de clandestinidade, estimula a patologia do vício do jogo e facilita a corrupção num meio, o do esporte, que há tempos é conhecido como verdadeiro campo fértil de imoralidades.

Os defensores da ideia, em inútil tentativa de enganar os mais informados, garantem que jogadores, treinadores e dirigentes serão proibidos de apostar, como se já não fossem – noutro tipo de negócio – de omitir, surrupiar e embolsar bilhões originários de transferências controversas, sempre utilizando-se de ‘”laranjas” conhecidos da imprensa, da polícia e do judiciário, mas, talvez por conta da generosidade em dividir as “glórias”, raramente punidos pelos desvios de conduta.

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