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Um Rio ferido por grandes tragédias

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De O GLOBO

Por MARCELO ADNET

A execução brutal da vereadora Marielle é uma humilhação imposta ao nosso querido estado e ao Brasil

Como é dado a grandes tragédias nosso ferido e querido Rio de Janeiro.

Era uma noite fria de sexta-feira, em junho de 2016. Botei um baita casaco desses que a gente usa quando o termômetro marca abaixo dos 22 graus em terras cariocas. Fui ao aniversário de uma amiga em um bar na Cinelândia, ao lado da Câmara Municipal, onde foi fundada nossa debilitada república. Vi as ruas carregadas de história se encherem de pessoas que saíam de uma manifestação de solidariedade a Dilma, que cairia dois meses depois. O Rio, em seu descompasso com a federação, é mesmo assim: rodrigueano, jobiniano e insano. Há sempre algo à espreita. O samba de roda estava animado e a gente logo relaxou e se viu em uma cena bastante carioca: de pé na calçada, um grupo de amigos começou a conversar com outro grupo de amigos e daqui a pouco eu estava ao lado dela. Trocamos poucas palavras e me lembro até hoje da determinação daquela jovem mulher da periferia. Foram dois ou três minutos dos quais me recordo da força e, ao mesmo tempo, da doçura com que falou sobre sua trajetória e seu sonho político de se fazer ouvir. Nós nos apresentamos, voltamos a dançar ou conversar com nossos respectivos grupos e nunca mais nos vimos.

Porém, quatro meses depois daquela noite, lembro de ouvir com alegria seu nome na tevê: ela conseguiu! Foi eleita vereadora com mais de 46 mil votos.

Hoje — ontem — faz 6 meses que desabei com seu brutal assassinato. Ainda prendo o choro por você, Marielle. E por vezes não o contenho: eu estou aqui em mais esta noite de sexta e choro junto com a chuva que desaba aqui fora. Você não tem direito nem a mais uma noite chuvosa como essa.

Das câmeras que foram desligadas às queimas de arquivo já consumadas, a investigação não apresentou nenhuma resposta ou sequer um indicador de seus mandantes. É coisa comum no Brasil, a injustiça e a lentidão. Porém, a execução brutal de uma parlamentar eleita é uma humilhação imposta ao Rio de Janeiro e ao Brasil. Os latrocínios constantes e a morte de nossos policiais e crianças em uma guerra sem fim já constituem um drama miserável e diário. Mas quando mandam matar alguém eleito o assunto é ainda mais grave. Estamos à beira de uma eleição e, aqui no Rio, votaremos de olhos vendados, sob a ameaça de eleger gente ligada a este crime.

O atentado a Marielle, que ainda cobrou tragicamente a vida do jovem Anderson, é também um atentado à democracia, cada vez mais ameaçada.

Hoje, a liderança política mais popular do Brasil está na cadeia, e o líder das intenções de voto está hospitalizado, vítima de uma facada. Marielle não está mais entre nós e seus assassinos andam soltos. A nós resta a fé.

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