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Se Romero não for vendido até o final do ano, Corinthians pagará R$ 15,4 milhões aos sócios de Andres Sanches

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Ídolo da torcida do Corinthians, o jogador Angel Romero, que, nos últimos jogos, desandou a fazer gols, é adorado mesmo quando não balança as redes, pela garra e entrega em todas as partidas.

É estranho, até por conta de suas recentes convocações à seleção paraguaia e do histórico comercial dos dirigentes alvinegros, que o paraguaio, há quatro anos no Parque São Jorge, nunca tenha sido negociado.

O Blog do Paulinho, talvez, tenha encontrado a resposta para mais esse mistério alvinegro.

Antes de tratar de números, o leitor deste espaço deve guardar na memória dois nomes, que já tiveram hábitos revelados por este espaço: Regis Marques Chedid e Beto Rappa, ambos parceiros de negócios do presidente do Corinthians, Andres Sanches.


A contratação de Romero (versão oficial)

Beto Rappa

No dia 05 de junho de 2014, o Corinthians anunciou a contratação do paraguaio Romero, nas seguintes condições: US$ 3 milhões (R$ 6,7 milhões na cotação da época) pagos ao Cerro Portenho pelo empresário Beto Rappa.

Esta era a versão oficial.

Dias depois, o Corinthians “reembolsou” R$ 2,081 milhões ao agente (em dez parcelas de R$ 208 mil, que findaram em 2015), adquirindo 20% do atleta, conforme comprova Relatório de Sustentabilidade de 2015, assinado pelo diretor de finanças, Raul Corrêa da Silva.

Ou seja, dum dia para o outro, o Timão pagou R$ 741 mil de sobrepreço, levando-se em consideração que 20% sobre 6,7 milhões equivalem a R$ 1,34 milhão.

O agente de Romero, autorizado a receber salários do jogador (disfarçados de ‘direitos de imagem”) em sua conta pessoal – conforme comprovam os balanços do Corinthians de 2016 e 2017, é Regis Marques Chedid, ligado umbilicalmente ao Cerro Portenho (jogou oito anos como goleiro da equipe – era reserva – e comanda as principais transações comerciais do clube).


A contratação de Romero (fatos reais)

Andres Sanches e Regis Marques em show de Alexandre Pires

Desde 2011, o paraguaio Romero tinha 100% de seus direitos ligados ao agente de jogadores Regis Marques Chedid, que levou-o para o Cerro Portenho (cedendo 20% ao clube) ainda no sub-20, para, três anos depois, colocá-lo no Corinthians, clube com quem mantém relações comerciais, através de Andres Sanches, desde 2008..

Esta é a razão do Timão ter pagado, pelos mesmos 20%, R$ 2,081 milhões ao agente, que repassou R$ 1,34 milhões ao Cerro, embolsando o sobrepreço (R$ 741 mil), permanecendo ainda com 80% do vínculo.

A transação de US$ 3 milhões atribuída a Beto Rappa para aquisição dos 80% de Romero, de fato, nunca existiu, apenas contabilmente, para justificar os percentuais pagos pelo Corinthians.

Não á toa, é Regis Marques que recebe, em sua conta pessoal, os salários de Romero, não Betto Rappa.

Para assegurar ainda mais lucro, o Corinthians inseriu no contrato de Romero – que termina em julho de 2019, interessante cláusula: se o jogador paraguaio não for negociado até o final de seu vínculo, o clube será obrigado a pagar US$ 3 milhões a Betto Rappa, que, na cotação atual, equivalem a R$ 11,13 milhões.

Ou seja, se vender Romero até janeiro de 2019, prazo limite para o atleta firmar contrato com outro clube sem necessidade de ressarcir os 20% do Timão, os agentes embolsarão 80% do montante; se a negociação não ocorrer, mesmo sem colocar, de fato, um tostão sequer na transação, embolsarão 100% do que disseram ter custeado.

Romero terá custado ao Corinthians (somados R$ 2.081 milhões dos tais 20% aos R$ 11,13 milhões desta suspeita multa contratual) a quantia de R$ 13,2 milhões, saindo gratuitamente ao final do vínculo.

O clube terá que quitar, ainda, R$ 2,2 milhões, de suposto atraso no pagamento de “direitos de imagem”, totalizando R$ 15,4 milhões.

Esta situação contratual sugere que Andres Sanches tem uma escolha, entre duas alternativas, a ser decidida até o final do ano, com a quase certeza de que Romero disputará, nos próximos quatro meses, suas últimas partidas pelo Timão: encontrar um comprador até janeiro de 2019 e minimizar o prejuízo alvinegro ou deixar as coisas como estão, tirando dos cofres do clube valores que, certamente, impactarão na saúde financeira do departamento de futebol.

A única certeza: em qualquer das definições, o grupo de agentes por detrás do jogador (Sanches incluído) sairá do episódio com uma bolada milionária.


Andres Sanches, Beto Rappa e Regis Marques Chedid

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Apartamento atribuído a Andres Sanches, em nome de Regis Marques, na Barra da Tijuca/RJ

Há tempos, o mercado da bola sabe que o empresário Beto Rappa é um dos prepostos do deputado federal Andres Sanches, presidente do Corinthians, em transações de jogadores.

O leitor do Blog do Paulinho, também.

Desde o início deste ano, o comentarista Neto, da BAND, ex-amigo do parlamentar, tem confirmado, em seu programa, a existência da sociedade.

Em 2011, revelamos que Beto Rappa e Washington Dias (sócio de Andres Sanches, no papel, na empresa Polygrain Polimeros do Brasil), participaram, como intermediários, da transação do jogador Jucilei, do Corinthians para o Anzhi, da China.

O negócio foi fechado por R$ 22,9 milhões e, por possuir 50% dos direitos, R$ 11,4 milhões destes deveriam ter entrado nos caixas alvinegros.

Mas não entraram.

Andres Sanches alegou que Beto Rappa (com Washington Dias, sócio do então mandatário alvinegro) teria emprestado dinheiro ao Timão na aquisição de Jucilei (mesma justificativa do caso Romero), e que, diferentemente do que havia sido divulgado, o percentual do Corinthians era menor.

De R$ 11,4 milhões, o alvinegro levou apenas R$ 2,9 milhões.

Enquanto isso, os ‘parceiros’ de Andres, que teriam gastado (gastaram?) R$ 2 milhões, multiplicaram o montante para R$ 6,8 milhões.

Foi pago, também, da parte do Corinthians (ou seja, tudo), 1 milhão de Euros ao empresário Giuliano Bertolucci, que trabalha com Kia Joorabchian, também ligado ao agora Deputado Federal pelo PT, à título de comissionamento.

Á época, interpelado pelo jornalista Gilberto Nascimento (Rede Record), J.Malucelli, presidente do Corinthians/PR (clube que negociou Jucilei ao Timão), disse, diferentemente do que afirmou Andres Sanches, que recebeu os R$ 2 milhões dos caixas alvinegros, não de Beto Rappa.


Regis Marques Chedid é considerado o “Rei” das transações de jogadores paraguaios para o Brasil, principalmente oriundos do Cerro Portenho, sua vitrine, local em que quase todos os acertos passam pelo seu crivo.

Sua aproximação com Andres Sanches se deu em 2008, quando o clube contratou o então lateral Alessandro (hoje gerente de futebol, desafeto do dirigente), que era por ele agenciado.

Alessandro e Regis Marques

Mas a relação estreitou-se, ainda mais, em 2011, quando o deputado assumiu cargo na CBF.

Naquele ano, Regis teria acertado pagamento mensal de R$ 10 mil a Andres Sanches para que este aprovasse renovação de contrato de Alessandro (metade do que recebia do atleta como taxa de agenciamento), cedendo ainda ao dirigente, como agrado para entrar no seleto grupo de empresários que fazem negócios na gestão “Renovação e Transparência”, um apartamento no luxuoso condomínio Lanai, localizado na famosa pria do Pepê, na Barra da Tijuca, região nobre carioca, em que artistas e jogadores costumam se encontrar para acirradas partidas de fute-vôlei.

Por conveniência, o registro do imóvel segue em nome do agente.

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Mas os rolos de Regis Marques não param por ai.

Desde o início do ano, a Polícia Federal de São Paulo investiga esquema milionário de desvio de FGTS das contas de jogadores famosos do futebol brasileiro e também paraguaio.

Entres os lesados estão Willian (Chelsea e Seleção Brasileira) e Dagoberto (ex-São Paulo).

Do ex-corinthiano, segundo fontes, mais de R$ 600 mil foram sacados.

A investigação corre sob sigilo, a cargo do Delegado Federal Gilberto Pinheiro, e, tirando alguns denunciantes, boa parte dos lesados (entre os quais os citados na matéria) sequer sabe ainda que foram roubados.

O chefe do esquema, segundo fontes, seria exatamente Regis Marques, contando com a conivência de funcionários da CAIXA, destes, dois delatores premiados que citaram o nome do agente nas investigações (Mônica Yamada (Gerente Geral da CAIXA – ag. Freguesia do Ó), Eduardo Freire (sub-gerente que seria responsável pela liberação dos saques)).

Participariam também do esquema: Marcelo Silva (ex-jogador, na cooptação) e Carlos Augusto (advogado).

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Duílio “do Bingo”, diretor de futebol do Corinthians, Regis Marques, Conca e Roberto Andrade
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