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Os detalhes das transações de Rodriguinho, desde a chegada até a saída do Corinthians

Minutos antes do Corinthians entrar em campo para perder do São Paulo, por três a um, o Pyramids, do Egito, anunciou a contratação do jogador Rodriguinho, por US$ 6 milhões (R$ 22,6 milhões na cotação atual).

Na entrevista coletiva pós-jogo, o deputado federal Andres Sanches confirmou o negócio, dizendo ainda que o clube recusou duas propostas recentes pelo atleta – uma delas do futebol turco, mas não conseguiu “lutar” contra os dólares dos egípcios.

Em verdade não haviam propostas e a referência aos turcos é fruto de negociação ocorrida ainda na gestão Roberto Andrade – recusada á época, que o parlamentar introduziu no presente, contando com a falta de apuração da imprensa.

Os interesses em torno do “negócio” Rodriguinho, desde sua aquisição pelo Corinthians, sempre foram nebulosos.

Desde sempre, a única preocupação do clube era expô-lo na vitrine para revendê-lo.

Rodriguinho ter jogado, de fato, no Corinthians foi pura obra do acaso.

Vamos explicar, na sequência, todos os detalhes.


AQUISIÇÃO DE RODRIGUINHO PELO CORINTHIANS

Luis Paulo Santarelli

Em 2013, o Corinthians anunciou estar comprando 50% do meia junto ao América/MG, por R$ 5 milhões.

Não era verdade.

O negócio se deu da seguinte maneira:

  • em 01 de agosto de 2013, o América/MG, que nunca foi dono de Rodriguinho, devolveu o jogador ao Capivariano (em verdade ao empresário Luis Paulo Santarelli, ligado à família Chedid), de quem havia emprestado o vínculo em 01 de maio de 2011;
  • antes disso, a família Chedid, em janeiro de 2010, havia cooptado Rodriguinho, quando este jogava no ABC de Natal.
  • Santarelli e Chedid, juntos, desde que Andres Sanches assumiu a presidência do Corinthians, fizeram diversos negócios no Parque São Jorge;
  • em 01 de setembro de 2013, um mês após o América/MG “devolver” Rodriguinho ao Capivariano (Santarelli/Chedid), a equipe “barriga de aluguel” cedeu-o ao Coimbra/MG, que pertence ao BMG – o banco do Mensalão, que tem o dono, Ricardo Guimarães, em diversas sociedades de atletas com o iraniano Kia Joorabchian (parceiro de Andres Sanches);
  • No espaço de mais trinta dias (em 01 de outubro de 2013), ocorreu o tal acerto do Corinthians para a contratação de Rodriguinho, porém, sem a participação do América/MG – que já estava fora do negócio, mas do Coimbra/MG (barriga de aluguel do BMG);
  • O valor acordado, em vez dos R$ 5 milhões relatados pelo Timão (expostos, equivocadamente, no balanço alvinegro), era, em verdade, de R$ 6,6 milhões;
  • No mesmo dia, coincidentemente, o Corinthians assina contrato de empréstimo com o BMG, de R$ 5 milhões (constante em balanço alvinegro), em verdade simulação para que o banco acertasse o dinheiro ao Capivariano, finalizando a triangulação.
  • Os juros cobrados foram de 1,9% ao mês, bem acima do praticado, à época, no mercado.
  • Dias após, segundo áudio a que o Blog do Paulinho teve acesso à ocasião do negócio, o BMG teria transferido R$ 1 milhão para a conta de Mauro “Van Basten”, então olheiro do Corinthians, que seriam destinados, em verdade, ao bolso de Andres Sanches, ficando o Corinthians responsável por quitar R$ 600 mil aos demais intermediários;
  • Após a formalização do acordo, os direitos de Rodriguinho foram divididos da seguinte maneira: 50% Corinthians (repassados pelo BMG); 40% Capivariano (Santarelli/Chedid) e 10% América/MG (clausula de vitrine)

EMPRÉSTIMOS PARA VITRINES

Resultado de imagem para rodriguinho gremio

Durante longo período, o Corinthians tentou se desfazer de Rodriguinho, logo após a chegada dele ao clube.

O negócio era tratado como muitos outros realizados no Parque São Jorge: esquentar o currículo do jogador e repassá-lo a quem se interessasse pela mercadoria.

Seis meses após contratar Rodriguinho, em abril de 2014, o Corinthians emprestou-o ao Grêmio, sem custo, arcando com os salários.

Em 01 de outubro do mesmo ano, o atleta retornou ao Timão para, um dia depois (02) ser novamente emprestado ao Sharjah, dos Emirados Árabes, nos mesmo moldes da transação anterior.

Somente em junho de 2015, no retorno de Rodriguinho ao Corinthians, é que o jogador passou a ser mais aproveitado pelo clube, chegando à titularidade em meio ao ano de 2016.

O que era para ser um negócio “lava-rápido”, por conta de desvios do destino e da insistência da comissão técnica alvinegra, acabou por alongar a permanência do jogador no Parque São Jorge, agrandando a torcida, mas desagradando investidores.


VENDA DE RODRIGUINHO PARA O PYRAMID, DO EGITO

Ontem (21), o Pyramid do Egito aceitou pagar US$ 6 milhões por 100% dos direitos de Rodriguinho, que, na cotação atual, correspondem a R$ 22,6 milhões.

Destes, US$ 3 milhões, em tese, deverão entrar nos caixas do Corinthians, que possui 50% dos direitos do atleta.

R$ 11,3 milhões.

Os outros R$ 11,3 milhões, oficialmente 40% do Capivariano (Santarelli/Chedid) e 10% do América/MG deverão percorrer muitas gavetas ao longo do caminho, que, possivelmente, alterarão alguns destinos de valores finais.

Voltando ao Corinthians: dos R$ 11,3 milhões a serem recebidos pelo clube, no mínimo, R$ 1,13 milhão será descontado para pagar os intermediários da transação.

Sobram R$ 10,17 milhões.

Destes, R$ 3 milhões serão repassados a Rodriguinho, referentes à dívida do clube pelos direitos de imagem do atleta, que recebia, desde algum tempo, R$ 550 mil mensais de salários.

Restaram R$ 7,17 milhões, provavelmente insuficientes para reposição de peça com a mesma qualificação no elenco alvinegro.

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