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10 temas da gestão de projetos adotada por Tite durante a Copa do Mundo

Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO

Devido ao desempenho fraco da seleção brasileira de futebol durante as eliminatórias e por conta do real risco de não se classificar para a Copa do Mundo, a contratação de Tite pela Confederação Brasileira de Futebol foi vista como a única saída. Por conta de excelentes trabalhos, sobretudo no Corinthians onde conquistou praticamente tudo o que disputou, o gaúcho foi identificado como sendo capaz de levar a seleção nacional ao caminho das vitórias. Desde sua estreia em agosto de 2016, na goleada por 3 a 0 frente a seleção equatoriana, na altitude de Quito, outro agravante, o técnico conseguiu implantar o seu estilo de gestão. Inegável reconhecer importantes valores em seu trabalho, o que contribuiu, e muito, para que o nosso selecionado voltasse a ser temido como um grande favorito para a conquista de mais um título mundial, algo até então, inimaginável após a vexatória goleada sofrida por 7 a 1 para os alemães em Belo Horizonte durante a Copa do Mundo de 2014.

Muito bem preparado, competente e com o uso de interessantes práticas de gestão, Tite tem feito um bom trabalho à frente da seleção brasileira. Em que pese a prematura eliminação ainda nas quartas de finais da Copa do Mundo de 2018, o entendimento da maioria é que a sua permanência será importante para o nosso futebol. Ao observar e, de alguma forma, avaliar seus atos, cabe sinalizar certas questões relacionadas a sua gestão, o que, na pior das hipóteses, poderão servir como pontos de reflexão:

1. Eficácia: ao considerarmos como objetivo a ser alcançado a conquista do título mundial, o trabalho desenvolvido não foi eficaz. Ainda assim, se a meta sinalizada tivesse sido, eventualmente, “o resgate do respeito ao nosso selecionado”, a eliminação nas quartas de finais de uma Copa do Mundo fez com que este intento também não fosse alcançado, pois se trata de um desempenho pífio para uma seleção pentacampeã mundial como a nossa;

2. Eficiência: ainda que a seleção tivesse grandes talentos, o desempenho apresentado pela maioria deles esteve aquém do que são capazes, de acordo com as performances em seus clubes de origem. Ao longo da campanha apresentada, houve evolução, melhoria de índices de produtividade em alguns atletas, mas ainda assim longe de alcançar o ápice esperado;

3. Meritocracia: talvez o termo mais utilizado por Tite ao longo dos seus quase dois anos sob o comando do selecionado canarinho, segundo suas afirmações: “… quem estiver melhor joga…”. Infelizmente não foi o que se viu durante a Copa do Mundo. Com atuações acanhadas, por conta de baixo desempenho e/ou inadequadas condições físicas, Gabriel Jesus e Marcelo, por exemplo, foram mantidos como titulares, ainda que seus substitutos imediatos, Firmino e Felipe Luís, tenham entrado muito bem na equipe;

4. Liderança: ainda que tenha exercido importante papel junto aos atletas, a decisão de Tite de abrir mão da definição de um capitão fixo, alguém que pudesse exercer influência tácita positiva sobre os demais atletas foi equívocada. O papel de capitão é mais que apenas um símbolo e sim a materialização de importantes valores, para isso bastaria rever a história e observar aqueles que levantaram a taça em nossas cinco conquistas.

5. Formação de equipe: um time titular muito forte que contava com 11 grandes nomes do futebol mundial. A contusão do lateral direito Daniel Alves, às vésperas da competição, e a completa falta de um substituto à altura foi apenas um sinal de alerta, ainda que saibamos ser difícil esperar que tenhamos reservas com nível técnico similar ao dos titulares. No entanto, o que se viu foi mais temerário. Alguns dos convocados de Tite não reuniam as competências mínimas necessárias para defender o Brasil na Copa do Mundo. Se a titularidade de Fagner pode ter sido resultado da também contusão de Danilo, o reserva imediato, muitas dúvidas pairam sobre outros tantos tais como Fernandinho, Taison, Fred e Cássio;

6. Paternalismo: dentro de um ambiente altamente profissional, não cabe a adoção de critérios que fujam dos aspectos da razão, além disso o fato de certos recursos terem contribuído fortemente para o sucesso de um projeto passado não pode servir de premissa para a escolha deles em um projeto futuro ainda mais em um cenário tão competitivo. Muito difícil não identificar certo ‘carinho’ nas escolhas, por exemplo, de Cássio, Fagner, Paulinho e Renato Augusto. Cabe ressaltar, no entanto, não haver qualquer problema em contar com seu filho como membro da comissão técnica, desde que ele tenha competência para tal e pode ser este o caso de Matheus Bachi;

7. Gestão de Pessoas: grande habilidade de Tite e certamente um importante recurso utilizado ao longa da competição mundial, permitiu que o elenco se mantivesse unido, apesar das críticas por conta da atuação e comportamento de alguns de seus atletas. Habilmente, por exemplo, o técnico abraçou a causa de nosso principal atleta, Neymar, o craque da seleção que, em que pese o seu comportamento às vezes inadequado, merece sim tratamento diferenciado, injusto é tratar os diferentes da mesma maneira;

8. Gestão de Stakeholders: ponto fortíssimo do técnico brasileiro, a forma como trata a todos que o cerca, dentre eles jogadores, membros da comissão técnica e, até mesmo, integrantes da imprensa, fez com que até medidas impopulares, tais como a proibição de assistir alguns treinamentos, uma prática do antigo técnico, Dunga, fossem aceitas sem que os narizes ficassem torcidos. Uma prova disso pode ser evidenciada após a eliminação da equipe, quando os jornalistas, em sua grande maioria, foram muito afetuosos com o seu fracasso profissional, alguns chegaram a falar de sorte e até mesmo de Deus para justificar a derrota, algo corretamente rechaçado por Tite. Apesar disso algumas práticas foram questionáveis, a permanência dos familiares dos atletas no ambiente de concentração, uma delas;

9. Planejamento: o trabalho bem feito com atividades bem planejadas não permitiu que a conquista do título mundial fosse alcançada. Tite e sua comissão técnica utilizaram muito de seus conhecimentos para analisar seus adversários e até mesmo testar a equipe em perigosos amistosos, tais como contra a atual campeã mundial, a Alemanha, e uma da melhores seleções da Copa do Mundo, a Croácia. No entanto, o bom planejamento não está imune ao cenário vivido tampouco aos erros cometidos durante a fase de execução do projeto, no caso, a Copa do Mundo;

10. Análise de Risco: ainda que o selecionado tenha sido cercado de todos os cuidados necessários em prol do sucesso da campanha no Mundial, ao que parece um processo de identificação dos riscos recorrentes a qualquer projeto não foi exercido de forma efetiva. As perdas de alguns atletas por contusão e até mesmo a postura diferenciada adotada por alguns atletas adversários nas partidas frente ao Brasil sinalizam que houve surpresas durante a campanha, algo que poderia ter seus desdobramentos minimizados e/ou mitigados caso tivessem sido analisadas com maior atenção;

A função de tomar decisão é algo solitário, ainda mais para profissionais que lideram equipes compostas por pessoas tão competentes em suas atividades como é o caso da seleção brasileira de futebol. Tite é um profissional sério e, inegavelmente, de sucesso. Saberá, certamente, identificar todos os acontecimentos que pautaram o seu trabalho, sobretudo durante a Copa do Mundo, e a partir destes registros, reunir todas as condições para desenvolver um importante processo de lições aprendidas, que poderá contribuir em prol da melhoria dos resultados almejados, quem sabe, a conquista do hexacampeoanto mundial em 2022.

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