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A Justiça e os moradores de rua

Por SONINHA FRANCINE

Três moradores de rua foram condenados a 6 anos e 5 meses em regime fechado, acusados de usar uma faca para roubar um celular.

Eles estavam com a faca quando foram presos?

Não.

Eles estavam com o celular roubado?

Não.

A vítima disse que eles estavam com uma faca e roubaram um celular?

Não.

Por que foram presos?

O ladrão pegou o celular e correu. A vítima diz que saiu correndo atrás do ladrão e os moradores de rua atrapalharam. Encontrou uma viatura de polícia e disse que eles eram comparsas do ladrão. A polícia levou todo mundo para o DP e foi lavrado auto de “prisão em flagrante”.

Deixa eu repetir. Eles não tinha faca nem o celular roubado.

A vítima disse, na delegacia, que tentou correr atrás do ladrão e eles ficaram segurando. No julgamento, a história mudou: disse que não seguraram. Que ali, na hora, deu a impressão de que eles estavam dificultando o acesso ao ladrão.

A juíza concluiu pela absolvição, porque não tinha prova nenhuma de que eles tinham participado do roubo.

O Ministério Público apelou e o Desembargador designado relatou contra o apelo, mantendo a absolvição. Mas os outros desembargadores votaram contra ele e e lá foram os 3 para a cadeia. Por crime de roubo com uso de arma e formação de quadrilha.

(Relembrando: o ladrão fugiu)

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