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Tanto Brasil quanto futebol brasileiro têm pouco a festejar neste Natal

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Paulo Maluf e José Maria Marin passam esse dia de Natal presos por crimes cometidos há anos e pelos quais só pagam agora, o primeiro aos 86 anos de idade, o segundo aos 85.

Maluf graças à falha e tardia justiça brasileira, a mesma incapaz de pegar Marin e companhia, condenado pela americana.

Irmãos siameses na política nacional, governadores paulistas nos sombrios tempos da ditadura, indicados pelos ditadores e não pelas urnas, a dupla Maluf e Marin foi trocada, no futebol, pela Del Nero e Marin.

Mas Del Nero, o Marco Polo que não viaja, sobrevive impune em terras brasileiras e, embora suspenso pela Fifa e em vias de ser banido do esporte, segue a bordo das mordomias da Casa Bandida do Futebol, assim como seus asseclas, ao desfrutar do jatinho e do helicóptero da entidade.

O antecessor deles, Ricardo Teixeira, o Rico Terra, também, seja como frequentador do famoso restaurante Antiquarius, no Leblon, no Rio, ou ao navegar incólume em sua lancha nas águas de Angra dos Reis.

Inatingíveis diante das autoridades nacionais, embora não exista um motivo razoável que justifique tamanha desfaçatez, acusados, com fartura de provas, nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça.

Compreensível que o cidadão comum festeje as prisões dos dois, condenados a passar o pior Natal de suas longas vidas.

Motivos para alegria haveria, de fato, se significassem novos tempos, tanto na política quanto no futebol.

Há mais elementos para ter dúvidas sobre o futuro do que para olhá-lo com esperança, mesmo que jamais devamos nos desesperar e acreditar sempre em dias melhores.

Fiquemos no futebol.

Quem ocupou o lugar de Del Nero na CBF?

Sim, você sabe.

Quem o substituirá amanhã?

Ainda não sabemos, mas, pelo andar do trenó do Papai Noel, virá um presente embrulhado em papel vagabundo com laços impregnados pelo mesmo mau cheiro da estrutura do esporte brasileiro. Os mesmos que fizeram a sucessão no Comitê Olímpico do Brasil, de onde saiu Carlos Arthur Nuzman para a chegada de mais do mesmo.

Lembremos que o pai e o irmão do ministro do Esporte, do caricato governo Temer, também estão presos, do clã Picciani, que há anos infelicita a política do Rio de Janeiro.

Torcedor algum de norte a sul, de leste a oeste neste país continental tem o direito de desfrutar da felicidade por muito tempo, sempre ameaçado de receber um presente de grego, como os corintianos que andavam tão alegres e hoje amargam a ida de Jô, melhor jogador do Campeonato Brasileiro, para o Japão.

Não, não pergunte o que tem uma coisa a ver com a outra, porque tem tudo, fruto de gestões com a cara da cartolagem, da mão para boca, de um bolso para o outro, em tenebrosas transações.

O quadro geral é mesmo desalentador.

Quando não são os assopradores de apito são os juízes mesmo, e desembargadores, ou ministros de tribunais superiores, os protagonistas de decisões que envergonham a pátria de chuteiras, ou com sentenças bizarras ou com atos que pisoteiam a Constituição, muitas vezes tão arbitrárias como no tempo da ditadura.

Apesar de tudo, rara leitora, raro leitor, a coluna deseja feliz Natal.

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