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Entre refugos e vitórias, Baloubet Du Rouet será lembrado por muito tempo

Pessoa e Baloubet, na prova olímpica de Sydney-2000

Da FOLHA

Por EDGARD ALVES

O legendário Baloubet Du Rouet partiu para sempre, aos 28 anos. Mesmo assim, suas façanhas e tropeços serão citados por muito tempo. Lembram-se dele? Foi o cavalo que refugou na disputa da medalha de ouro na Olimpíada de Sydney-2000 e quatro anos depois deu a volta por cima, reconquistando o prestígio nos Jogos de Atenas.

É difícil encontrar um brasileiro que tenha vivenciado aqueles tempos e não se recorde do garanhão francês. Montado pelo cavaleiro Rodrigo Pessoa, o conjunto integrou a equipe de saltos do Brasil, bronze na Austrália.

No torneio individual daqueles Jogos era apontado como o favorito, um ouro inédito almejado pelos torcedores brasileiros. Mas na hora decisiva o cavalo cometeu uma falta e depois empacou em outro obstáculo, provocando a eliminação.

A cena virou piada, um carimbo de voto de desconfiança. O conjunto, porém, persistiu na luta e limpou a sua imagem em Atenas. Ganhou a prata, também uma glória olímpica. Assim saiu na foto da entrega das medalhas.

Entretanto, passados cerca de sete meses, a prata virou ouro. Isto porque os exames de controle do cavalo Waterfor Cristal, o vencedor, montado pelo irlandês Cian O’Connor, apontaram que o animal havia competido dopado. O ouro passou para o time brasileiro.

Baloubet morreu neste agosto, em Portugal. Mas deixou muitos descendentes. Aposentado, na última década o cavalo seguiu como um dos maiores reprodutores do mundo.

Durante a Olimpíada do Rio esta Folha revelou que duas filhas e um neto de Baloubet foram titulares naqueles Jogos. Uma foi a égua Sydney Une Prince, montada pelo francês Roger-Yves Bost; outro, o neto First Class (filho de Balou du Rouet, que chegou ao sétimo posto no ranking mundial de saltos), com o alemão Daniel Deusser.

E completando: a égua Bonne Chance CW, da suíça Janika Sprunger. Esta amazona foi proprietária de outro filho de Baloubet, o Palloubet d’Halong, e vendeu o cavalo por US$ 11 milhões em 2013 para a federação do Catar. O animal vendido esteve no Rio, como reserva.

Com Baloubet, Rodrigo Pessoa teve destacada participação em torneios e, em especial, na Copa do Mundo, na qual conquistou o tricampeonato (98/99/2000). Baloubet competiu até os 17 anos e foi aposentado em 2006.

Nelson, o Neco, ex-cavaleiro e há anos treinador, e o filho Rodrigo receberam Baloubet com cinco anos. A família Pessoa vive na Bélgica, onde mantém um centro de treinamento de animais para competição.

No livro “Você Será um Cavaleiro, Meu Filho”, de autoria de Sabrine Delaveau, que aborda a saga Pessoa, despontam revelações curiosas.

Rodrigo destaca que amava em Baloubet o sentimento de invencibilidade, pois ele tinha mais facilidades do que os outros. “Mas não me liguei a ele, pois ele me traiu várias vezes. Nós dois conhecemos grandes desilusões juntos e, quando ele faltou comigo, foi em momentos importantes e de uma maneira irrevogável”.

E o desabafo não para. “Seu proprietário (de Baloubet), Diogo Coutinho (de origem portuguesa), contribuiu para estragar nossa história… Esse homem era tão duro, ofensivo e irritante, que não merecia um campeão desse porte, e é verdade que, às vezes, lamentei que Baloubet não fosse um mau cavalo.”

As confidências de amor e ódio nas relações envolvendo Baloubet no livro de Delaveau são picantes. Antes dessa publicação, via mídia em geral, prevalecia mais o lado da cumplicidade do conjunto, da parceria.

Apesar dessas revelações, um pouco tardias é verdade, eu sempre admirei Baloubet. Não torci, mas acompanhei tenso e atento as disputas em Sydney e Atenas. Afinal, estava na cobertura pela Folha, e tanto o sucesso como o fracasso da delegação do Brasil em eventos daquele porte significavam muito trabalho.

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