A Copa São Paulo de empresários

O “Lobo” e as “organizadas”

Por ALOÍSIO VILLAR*

Desde o começo do ano está rolando aquilo que é tão tradicional quanto a quebra das promessas de fim de ano. A Copa São Paulo Sub 20, que já foi de juniores um dia.

O torneio já existe há mais de quarenta anos e revelou grandes craques de nosso futebol. Um dos mais famosos, Falcão. Os mais recentes: Neymar e Oscar.

Sempre foi o torneio mais esperado da categoria e tratado com grande carinho pelos torcedores. Eu tenho grande carinho pelo time do Flamengo de 1990. Lembro ate hoje a escalação. Adriano, Mario Carlos, Júnior Baiano, Rogério e Piá; Marquinhos, Luis Antonio, Marcelinho e Djalminha; Paulo Nunes e Nélio. Todos chegaram a jogar nos profissionais do clube e alguns foram campeões brasileiros.

Mas em algum momento o torneio se perdeu.

Hoje são 112 times (120 em 2017), muitos clubes que nem profissionais são. O regulamento é tão esdrúxulo que vai premiar (ou já premiou nesse sábado) um time eliminado no mata-mata com uma “volta do mundo dos mortos”. Muitos times, boa parte horrorosos causando inúmeras goleadas, prato cheio apenas para uma categoria.

A dos empresários.

O bom Pop bola da Rádio Globo do Rio de Janeiro apelidou o torneio de ‘Copa São Paulo dos Empresários’ e virou isso mesmo. Com a Lei Pelé extinguindo o passe, a crise econômica e a péssima administração dos clubes tudo vira um prato feito para esses empresários que, assim como os chineses da coluna anterior, chegam com o carrinho de supermercado e o ônibus para levar os garotos.

Os pais, na maioria das vezes de origem humilde, topam, os clubes, com pires na mão, também e dessa forma o garoto que chamou a atenção em seu time já chega aos profissionais com o passe fatiado. Isso quando não vão embora antes mesmo de chegar ao time principal.

Assim o menino vai embora ganhar um dinheiro imediato em detrimento a um plano de carreira e de ganho financeiro maior lá na frente e o futebol brasileiro acaba não conhecendo alguém que poderia fazer diferença em sua história.

A Copinha virou uma grande vitrine. De meninos já nas mãos de empresários querendo levar para o exterior ou daqueles que irão para as mãos desses empresários. Tudo é business. Nada é esporte.

Gol da Alemanha.

*Texto publicado por ALOÍSIO VILLAR, em 2016, para o site Ouro do Tolo, que permanece absolutamente atual nos dias de hoje…

Facebook Comments
Advertisements

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.