Corinthians deu como concluídas obras de Itaquera, mesmo faltando 30% a serem finalizadas

duilio sanches gobbi roberto

Ontem, o Blog do Juca publicou esclarecedora carta do arquiteto Aníbal Coutinho, endereçada inicialmente ao presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade, em que elencava os mais diverso problemas da obra do estádio em Itaquera (inclusive a não conclusão).

http://blogdojuca.uol.com.br/2016/10/presidente-do-corinthians-se-omitiu-depois-de-alertado-sobre-os-problemas-em-itaquera/

A direção alvinegra nada fez.

Dificilmente “apenas” por incompetência, provavelmente sob as ordens do deputado federal Andres Sanches (que se proclamou, publicamente, “soldado da Odebrecht), ainda em 2014, o Corinthians aceitou, tacitamente, as então inacabadas obras do Itaquerão, indevidamente, como se estivessem concluídas.

Diz o artigo 18.1.1, do Contrato entre a Odebrecht e o Corinthians, em sua cláusula decima oitava:

“(…) a utilização do estádio para jogos ou eventos abertos ao público em geral será interpretada como emissão tácita e automática do correspondente CAP.”

O referido “CAP” é o CERTIFICADO DE ACEITAÇÃO PROVISÓRIA, que diz, em seu texto “que o clube aceita que as obras foram substancialmente concluídas de acordo com o Contrato, cumprindo as exigências da FIFA para a abertura.”

Descobriu-se, depois, que 30% do projeto inicial de construção não foi devidamente finalizado, mas o Corinthians, em benefício da Odebrecht, está obrigado, contratualmente, a pagar por 100%.

O custo do que ainda está para ser concluído é incalculável (e terá que ser bancado pelo Timão), sem contar que, nos últimos meses, a construtora largou mão até da manutenção do estádio, amparada no falso discurso da atual gestão alvinegra de que “após a finalização de auditoria” tudo será realizado.

Em verdade, pelo acordo firmado e também observando-se as movimentações de bastidores das reuniões do fundo gestor do Itaquerão, o clube está bem perto do vexame de ser obrigado a repassar a gestão do estadio para a Odebrecht.

Mas há ainda mais.

Em 02 de setembro de 2014, a Odebrecht enviou o último “boletim de avanço” ao FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO – FII, com cópia a Rodrigo Martins Cavalcante, da gestora BRL TRUST, e ao presidente do CORINTHIANS, o delegado Mario Gobbi, atestando que as obras do “Fielzão” foram, oficialmente, concluídas em agosto de 2014.

O blog deu publicidade ao ato e à documentação, com exclusividade, em 27 de junho de 2015.

Odebrecht ‘encerrou” obras do “Fielzão” em setembro de 2014. Confira valores “oficiais” do negócio

É por conta desta papelada (comprometedora para construtora e a dirigentes alvinegros), que a Odebrecht tem se recusado a colaborar com auditores contratados para reavaliar a obra.

Tacitamente, o Corinthians, que já havia aceitado o termino das obras antes da Copa do Mundo, novamente o fez ao não se contrapor ao documento, que, em anexo, no item “saldo das obras a executar”, indica, claramente, que nada mais necessitava ser feito.

O valor final, R$ 985 milhões (sem juros e correções), mas com sobrepreço sobre o inicialmente previsto (R$ 820 milhões) ficou assim detalhado:

– Manutenção e Operação do Canteiro: R$ 135.660.000,00

– Projetos: R$ 52.770,339,00

– Serviços Preliminares e Drenagem: R$ 22.988.759,00

– Terraplenagem: R$ 20.502.801,00

– Contenções: R$ 12.504.841,00

– Fundação: R$ 32.447.745,00

– Estrutura de Concreto: R$ 124.866.182,00

– Acabamento: R$ 280.849.801,00

– Instalações: R$ 135.734.492,00

– Acessos e Estacionamento: R$ 9.867.193,00

– Cobertura: R$ 107.192.080,00

– Campo de Futebol: R$ 1.824.769,00

– Galerias: R$ 10.297.715,00

– Urbanização e Paisagismo: R$ 37.493.283,00

Hoje, após a intervenção de empréstimos, motivados pela não comercialização de produtos previstos, como naming-rights, venda de camarotes, etc., os valores, com juros, ultrapassam R$ 1,6 bilhão.

Porém, apesar da ODEBRECHT tratar o estádio como terminado, basta uma simples visita ao local para constatação de que a “generosidade” do documento não se confirma com a realidade dos fatos.

estadio conta 3

estadio conta 4

O relatório (de conclusão do estádio), porém, é uma fraude, que os dirigentes do Corinthians, tudo indica, em conivência lesiva ao clube, aceitaram.

Basta observar que apenas dois meses antes deste documento, a mesma Odebrecht havia enviado outro “boletim de avanço” de nº 37, especificando a real situação da obra, demonstrando que faltavam R$ 87 milhões a serem concluídos, destes:

– R$ 10 milhões (manutenção e operação do canteiro)

– R$ 77 milhões (acabamento)

estadio conta 1

estadio conta 2

Depois deste período, o estádio foi entregue ao Comitê da Copa do Mundo, posteriormente ao clube, sem que um prego sequer fosse alterado (excetuando-se a retirada das arquibancadas provisórias que acabaram por deteriorar ainda mais o que já estava concluído).

Ou seja, o relatório acima trazia a real condição do estádio de Itaquera, que persiste até os dias atuais, com o agravante da falta de manutenção e a perda substancial de recursos (além do que precisará ser gasto para conclusão das obras – oriundos do caixa do Corinthians, que deu aceite à conclusão do contrato) impossíveis de serem auferidos devido à não possibilidade de utilização, adequada, de diversos setores da Arena.

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