Nuzman não moderniza o Comitê Olímpico do Brasil

ricardo teixeira e nuzman

Por ALBERTO MURRAY NETO

Lí agora que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogou a liminar que dava direito à chapa de oposições candidataram-se à presidência e vice-presidência do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”). Claro que cabem recursos e o mérito da ação sequer foi julgado.

Nuzman tem muito medo de enfrentar oposições e alterou o estatuto do COB de modo que se tornasse mais uma peça da estrutura ditatorial que ele enfia goela abaixo das Confederações, técnicos e atletas.

O estatuto do COB é tão anacrônico que é quase impossível que chapas de oposição concorram. O prazo para inscrição de chapas da eleição que ocorrerá no final do ano era abril, ou seja, antes dos Jogos Olímpicos, quando Nuzman tinha pleno controle dos repasses do dinheiro público que o COB recebe.

Esse é ponto contestado na ação judicial.

Mas como se não bastasse, o mesmo estatuto reza que qualquer chapa deve ser apresentada por, pelo menos, dez Confederações, que deve subscreve-la. Isso também é uma manobra para coibir Confederações inclinadas a apoiar a oposição a fazê-lo, com receio de retaliações.

Mas pior de tudo é a cláusula do estatuto que diz que para ser candidato a presidência e vice-presidência do COB, o indivíduo deve ter sido eleito para um dos poderes da entidade e nele estar por, pelo menos, cinco anos. Ou seja, é necessário ter sido eleito com o candidato da situação para algum poder do COB e nele estar por, pelo menos, dois mandatos, já que cinco anos, na prática, significam dois mandatos, uma vez que cada um é de quatro anos.

No momento em que o Brasil luta para revigorar e democratizar suas estruturas, o COB ainda faz parte daquele Brasil velhaco, uma verdadeira capitania hereditária, comandada, hoje, por alguém que o meio esportivo rejeita, que é o indesejável Carlos Arthur Nuzman.

Notem o escândalo que é.

Enquanto a Constituição Federal permite que todo e qualquer brasileiro no gozo de seus direitos seja candidato a Presidente da República, o estatuto que o velho Nuzman impôs ao COB não permite o mesmo para a presidência daquele órgão. E o COB tem seus caixas abastecidos por vasto dinheiro público. Acho, inclusive, que esses artigos do estatuto do COB são inconstitucionais.

Desse jeito, com essa gente que usa os caros e o estatuto em benefício próprio, esqueçam que o esporte do Brasil irá melhorar. Ou o Governo Federal e o Ministério Público entram de sola na questão, ou o esporte vai continuar nas mãos dessa turma.

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