Seleção Brasileira: o menos culpado é o treinador

Apesar de uma ou outra convocação equivocada (fica claro que Rodrigo Caio e Renato Augusto não possuem nível para jogar em Seleção), o treinador da equipe Olímpica do Brasil, Sérgio Micale, é o menos culpado da até então desastrosa participação nacional nos Jogos 2016.
Há anos o futebol brasileiro está em franca decadência.
Nossos clubes praticam futebol horroroso, seja em torneios nacionais, internacionais ou estaduais, venderam as categorias de base (que deveriam repor jogadores a seus elencos) a interesses de máfias esportivas (com retorno financeiro a dirigentes corruptos), além de praticarem a subserviência a Federações e Confederações que possuem único objetivo de enriquecer seus mandatários.
Hoje, a Seleção Brasileira é tratada como equipe de futebol apenas pelo torcedor, porque o que a cartolagem enxerga é o pote de ouro no final do Arco Iris.
Neste contexto, absolutamente apodrecido nos bastidores, nosso melhor jogador é explorado pelo próprio pai, que desde cedo sobrevive de seus gols, e não lhe impõe limites comportamentais, inerentes à responsabilidade de um ídolo mundial.
Pelo contrario, estimula desvios de conduta e comportamento, que refletem nas quatro linhas, onde se observa imenso talento perdido em meio à falta de personalidade.
Dos demais atletas nacionais, pouco se pode esperar, frutos que são de uma geração perdida, inadequadamente formada nas bases de seus clubes, com treinadores malandros, familiares coniventes e bandidos gestores de suas carreiras.
A nivelação é por baixo e pouco evolui com o passar dos anos.
A CBF, que, se decente fosse, poderia combater todos os problemas do futebol brasileiro, deles usufrui, recebendo guarida de Federações e clubes coligados, que não se constrangem em servir a um procurado, acusado de corrupção pelo FBI.
Pobre Micale, de bons princípios, pensamentos táticos interessantes, com sonho de vencer no futebol, jogado aos Leões, em meio à pressão de fracassos olímpicos recentes, sendo obrigado a responder por uma geração perdida, indigna (se no passado estivessem) de engraxar as chuteiras de qualquer jogador reserva de Seleções Brasileiras anteriores.
