Brasil decepciona na estreia olímpica

Jogando muito mal, a Seleção Brasileira, com um jogador a mais desde a metade da etapa final, conseguiu a proeza de empatar com a África do Sul, na estreia do torneio de futebol das Olimpíadas.
Zero a zero.
Ficou nítido que não há treinador, nem mudança de esquema, que possa dar jeito na falta de qualidade.
E a safra brasileira, há tempos, tirando uma ou outra exceção, é bem fraquinha.
O jogo começou com os brasileiros nitidamente sentindo o peso da estréia – logo de cara quase entregando um gol de bandeja para o ótimo Dolly – além de absolutamente confusos com o toque de bola africano, sempre no setor ofensivo.
Com o tempo os nervos se acalmaram, mas ainda assim, em momento algum, o Brasil demonstrou superioridade ao adversário.
Dolly, o dono da África, em pelo menos três oportunidades, aproveitando-se da fragilidade defensiva nacional, poderia ter aberto o marcador, enquanto nossa seleção, confusa, levou perigo em três batidas de fora da área, duas de Neymar e uma de Felipe Anderson.
No ataque, o craque do Barcelona, apesar de tecnicamente abaixo do normal, ao menos buscava jogo, enquanto Gabriel Jesus aceitava a marcação e Gabigol comportava-se como de costume, enganando muito e rendendo pouco.
De nada adianta um esquema ofensivo se os jogadores não entenderem a necessidade de correr mais, tanto para atacar quanto para ajudar na marcação, e desfilar menos dentro das quatro linhas.
O segundo tempo seguiu na mesma toada, até que, aos 14 minutos, Mvala fez falta feia em Zeca e foi expulso, facilitando as coisas para o Brasil.
No minuto seguinte, Micale colocou Luan no lugar de Felipe Anderson, substituição que faria mesmo sem a expulsão adversária, deixando a seleção com quatro atacantes.
Ainda assim, com jogador a mais, o Brasil encontrava grandes dificuldades para criar jogadas de gol, apesar do nítido crescimento de volume no jogo.
Aos 23 minutos, Gabriel Jesus, sem goleiro, acertou a trave e o lance parece ter empolgado a seleção, que passou a atacar melhor, enquanto os africanos resolveram, de uma vez por todas, jogar pelo empate.
E levaram a melhor.
Um empate vergonhoso, numa estreia decepcionante duma equipe que possui alguma qualidade no ataque (nem sempre associada à vontade de jogar futebol) e o restante dos atletas na faixa que compreende a ruindade e a mediocridade.
O Brasil pode conquistar o Ouro olímpico, até porque disputa o torneio com equipes Sub-23, mas poucos devem se salvar para a disputa de campeonatos mais relevantes, no futuro, pela seleção principal.
