Não ao Chapão

Por ROQUE CITADINI
Um grave problema dentro do Corinthians é o mecanismo de eleição do Conselho Deliberativo do clube. Com o atual sistema, são formadas chapas com 200 candidatos, vencendo aquela que tiver a maioria de votos.
Assim, se uma chapa tiver apenas um voto a mais do que a outra, ela elegerá todos os conselheiros do clube pelo período de 3 anos. Na última eleição, a chapa do atual grupo dirigente venceu por 57 a 43% dos votos. Todos os conselheiros eleitos foram da situação e a oposição ficou de fora do Conselho, contando apenas com alguns vitalícios.
E aí que aparecem os problemas. O Conselho Deliberativo (que deveria fiscalizar a gestão da Diretoria Executiva) torna-se um órgão travado, não dando nenhuma possibilidade para que a oposição possa atuar. Contra a diretoria, há apenas um ou outro voto -que não altera em nada os resultados das votações.
Este sistema contamina, também, outros órgãos do clube: o Cori (Conselho de Orientação) e o Conselho Fiscal também estão submetidos à maioria construída na eleição.
No último pleito quase todos os participantes da campanha pregaram o fim do sistema de Chapão. Quase todos defendem um sistema proporcional de eleição do Conselho Deliberativo.
Pelo sistema proporcional, quem tiver 60% dos votos, elegerá 60% dos conselheiros. Quem tiver 40% terá também sua representação proporcional.
Embora a maioria defenda a mudança para uma situação mais democrática, a verdade é que muitos não querem que isso aconteça. O atual grupo dirigente tem um discurso para a “platéia” e uma postura bem diferente no mundo real. Muitos e importantes dirigentes não querem mudar nada.
Seria muito bom para o Corinthians um avanço como esse. É só olharmos o que ocorre com as denúncias que apareceram nos últimos tempos para concluir que o sistema do Conselho precisa evoluir.
É um caminho natural nos clubes e na política. A situação não vive de investigar.
Somente com a adoção de um sistema proporcional para a eleição do Conselho Deliberativo, o Corinthians evoluirá para ser um clube mais transparente e democrático.
É o que muitos esperam: Não ao Chapão. Sim ao sistema proporcional.
