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Ali, o Pelé do Boxe, já Pelé…

ali e pelé

Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO*

Jamais vi Pelé em campo, a não ser em vídeos após o fim de sua carreira.

Jamais vi Muhammad Ali no ringue, a não ser em vídeos após o fim de sua carreira.

Ouvi nos últimos dias alguém afirmar que Ali foi maior que Pelé.

Um equívoco pleno.

Primeiro que para exaltar alguém, e Ali é merecedor das melhores palavras, não cabe fazer comparações a outrem.

Ainda mais quando há, entre os envolvidos na comparação, um morto.

A morte tende a atribuir qualidades de valor incomensurável.

Quanto a Pelé…

A proximidade que temos ao Rei do futebol contribui para que tenhamos acesso a um sem número de fatos, que o torna mais mortal e menos divino.

Ao resgatarmos tudo o que ele representou, e ainda representa, para os povos de todo mundo, sua história fora do campo, porque em campo é covardia, teríamos orgulho do simples fato de sermos contemporâneos a ele.

O homem que parou guerras, sim, no plural.

Quantas mortes foram evitadas. Ou na pior da hipótese, se é que é podemos atribuir a palavra pior quando falamos disso, quantas vidas foram prolongadas, por conta disso.

O homem que, várias vezes, precisou voltar a campo, após ter sido substituído e/ou expulso, a pedido daqueles que estavam ali ‘só pra ti ver’.

Que jamais recusou um autógrafo a qualquer ser. E que, talvez por isso, trate Pelé como uma ‘entidade’ fora do Edson, que certamente aceitaria o cansaço como um impeditivo para tal.

O homem que enfrentou ditadores, sem que para isso, precisasse explicitamente atirar contra eles, suas armas, eram os pés, mas as decisões eram divinas.

Ou será que Medici e Pinochet, para citar apenas dois deles, acataram de bom grado as decisões do Rei durante o auge da repressão militar brasileira e chilena?

O homem que derrubou seus adversários no campo, sem que fosse necessário tirar uma única gota de sangue de nenhum deles, os nocauteando com gols.

O ser humano que foi recebido por todos os maiores nomes do mundo, em todos os ramos da atividade, dos séculos XX e XXI, e cujo nome, na verdade, apelido, Pelé, se transformou em excelência, seja qual for a área de atuação, contribuiu, e muito para que Ali pudesse ser considerado, o Pelé do Boxe.

E tenho dito.

*JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO é escritor, jornalista e recordista mundial (GUINESS BOOK) de maior coleção de publicações esportivas.

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