O país sem cultura

balão asno

Muito tem se falado, e protestado, em torno do assunto da eliminação da pasta do Ministério da Cultura do Governo Michel Temer, mas pouco há de aprofundamento na questão.

Trata-se, evidentemente, de um grande equívoco da nova gestão.

Erram também, porém, os que comemoram o fim do Ministério, com argumentos rasos, quase sempre massificados por “pastores” do ódio político, com o infundado argumento de que os artistas beneficiados pelos mais diversos planos de financiamentos culturais são todos “vendidos”.

Não são, apesar de alguns, como ocorre em todo agrupamento de pessoas, poderem, de fato, se-lo, o que não compromete a imensa maioria, que não é.

Este blog, por exemplo, nada recebia do Governo, declarou-se abertamente a favor do impeachment, mas, sabendo separar as coisas, entende que existiram incontestes avanços na política cultural brasileira, apesar de, em comparação com países relevantes, não ultrapassarem a margem do paliativo.

O Ministério da Cultura é absolutamente necessário (inclusive simbolicamente) num país que tem como um de seus principais problemas, ocasionadores de muitos outros, a falta de incentivo e de política cultural que atinjam, adequadamente, a população.

É fato que o MINC precisava de ajustes, direcionava, talvez, inadequadamente, boa parte de suas incursões financeiras, mas, em vez de encerrado, deveria ser corrigido por quem ingressou no poder com objetivo, e discurso, de melhorar o país.

No Brasil, a falta de cultura é estimulada, desde os primórdios, para que, bovinamente, seu povo tenha dificuldades de raciocinar, gerando submissão a discursos desprovidos de verdade que desembocam nas urnas com o favorecimento a seus próprios feitores, escravizadores de mentes sem alternativa.

Há ainda tempo para recuo, a não ser que seja este o objetivo do atual Governo, ou seja, manter alienado aqueles que deveriam ser salvos da ignorância.

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7 respostas para O país sem cultura

  1. Sem dúvidas! Têm que manter sim o Minc e corrigir as distorções da Lei Ruanet para que não patrocine gente com dinheiro ou que seja culturalmente irrelevante mas politicamente útil.

  2. Para entender melhor o que aconteceu com o MinC é interessante ler o artigo da Rosângela Bittar do Jornal Valor:
    http://www.valor.com.br/politica/4568105/urgencia-e-simbolismo
    ou
    http://avaranda.blogspot.com.br/2016/05/urgencia-e-simbolismo-rosangela-bittar.html

  3. Bruno de Melo disse:

    Discordo. Não precisa ter um Ministério da Cultura para se ter uma pasta da Cultura. Há milhares de municípios no Brasil onde a sua Secretária de Cutura está englobada na de educação e funcionam muito bem quando há seriedade e gente competente dirigindo essas pastas. O corte de Ministérios é essencial para o Brasil nesse momento. Ainda faltam muitos que deveriam ser extintos ou englobados em outros Ministérios. Se você olhar o orçamento da Culrura, é inchar a máquina pública manter um Ministério só para ela. Ademais, o que precisa hoje nessa pasta é uma revisão completa da distribuição desses recursos, sobretudo da Rounaet, que quem coloca a mão em quase toda a verba são os globais dos bolsos cheios. Se duvida, pergunte para um diretor de teatro mais próximo da sua casa, que luta, luta e luta para conseguir aprovar um projeto e nunca consegue porque não sobra para ninguém. Dessa vez, pensamos bem diferente, meu caro Paulinho. Abraço

  4. Daniel Eid disse:

    Seu comentário tem fundamento, mas na minha visão, acho difícil desassociar (mamatas) em se tratando desse ministério. As vezes é melhor cortar a arvore do que tentar excluir os frutos podres.

  5. Mas o MinC perder o status de ministério não significa a extinção de todos os seus programas. É muito rasa essa análise [s]também[/s]

    Paulinho: Pense no simbolismo, não apenas na prática…

  6. como já cantou o baiano de Quenguenhém…. “Falta é cultura prá cuspir na estrutura!”

  7. marcelodamooca disse:

    prenderam o Tadeu da Gavioes, Paulinho! Datena falando disso agora!!

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