OMNI, Naming-Rights e Corinthians

andres areia mijada

Pela enésima vez, surge a informação de que o Corinthians está próximo de fechar acordo de naming-rigths para o estádio de Itaquera.

Em verdade, ao menos nas oportunidades anteriores, nunca esteve.

Todas as vezes em que alguma empresa aceitou conversar sobre o assunto, afastou-se ao saber que, além dos R$ 420 milhões (que seriam pagos em 10 parcelas de R$ 42 milhões) para o fundo gerido pela BRL TRUST (responsável pela amortização da pendência com a ODEBRECHT), teria, ainda, que arcar com mais 20% de comissão, que o ex-presidente do Corinthians (único autorizado pelo clube a negociar) exige, sejam depositados à vista, numa conta de off-shore, ligada a parceiros comerciais de Kia Joorabchian.

Porém, agora, revela-se que o Bradesco estaria interessado, e que, de maneira estranha, uma terceira empresa, fornecedora do clube, entraria no negócio, a OMNIGROUP, responsável pelo plano de ingressos “Fiel Torcedor”, que seria comprada pela referida instituição bancária.

Vamos à verdade.

A OMNI, que possui capital social de apenas R$ 10 mil, estando localizada, em sede alugada, na Rua Brigadeiro Vilela, nº 114, em nome da Sra. Marta Alves de Souza Cruz, ingressou no Corinthians assim que Andres Sanches assumiu a presidência, em 2007, por indicação de Luis Alberto Bussab (então diretor), com o nome de OMNISYS, à época, sediada na própria residência de sua proprietária (no papel), Rua Fernando Pessoa, 462.

Sua função era controlar o acesso de associados no clube, além do banco de dados do Corinthians.

Pouco tempo depois, foi denunciada pela ex-controler alvinegra, Nilza Fiuza (hoje chefe de gabinete da Presidente Dilma Rousseff (PT), em São Paulo), ligada ao Ministro Edinho Silva, que havia brigado, à época, com Andres, de operar um esquema de “Caixa 2” no Parque São Jorge, além de fraudar a lista de eleitores.

Anos depois, já com o nome de OMNIGROUP, com a anuência do Conselho Deliberativo alvinegro (que, com medo de Andres Sanches, não teve coragem de, mesmo com as provas em mãos, expulsar a empresa pelos desvios de conduta do passado), indicou o fornecedor das urnas eletrônicas das ultimas eleições, absolutamente contestadas pela oposição.

Urnas eletrônicas: empresa escolhida é ligada a Diretor Jurídico e já foi denunciada por fraude no Corinthians

A OMNI, mesmo com histórico complicado, acabou, antes, agraciada com a conta do ‘Fiel Torcedor”, pela qual é remunerada em expressivos 50% de comissão sobre a comercialização do plano, quando o praxe de mercado é pagar entre 10 e 30%.

Em 2015, por exemplo, recebeu R$ 6 milhões.

Esse pequeno histórico de favorecimentos à OMNI (que inclui, até, dar o nome da empresa a um teatro dentro do Parque São Jorge), serve como preambulo para revelar que, dentro do Corinthians, apesar da empresa estar em nome da Sra. Marta Alves (de posses e currículo modestos), todos sabem que o verdadeiro proprietário seria o deputado federal Andres Sanches (PT).

Razão pela qual, o dirigente alvinegro ofereceu a empresa ao Bradesco (não foi o banco que demonstrou interesse inicial), como forma de, se fechado o negócio, receber, por intermédio de terceiros (no caso, terceira), o valor da pretendida comissão, cerca de R$ 90 milhões (além do montante negociado com  clube).

O leitor deste blog sabe, não seria a primeira vez que Andres Sanches se utilizaria de ‘Laranja” para ocultar recebimentos e propriedades, condenado que foi, em Relatório arrasador da Receita Federal (que pode ser conferido no link a seguir), a indenizar os cofres públicos com os impostos que sonegou.

Íntegra de Relatório da Receita Federal, que trata Andres Sanches como criminoso, solicitado por Rodrigo Janot

Não dá para cravar até que ponto estaria ou não avançada a negociação com o Bradesco (ou se não passa de mera sondagem), até pelo histórico de lorotas contadas pelos dirigentes alvinegros, nos últimos anos, mas é nítida, ao menos, a intenção de Andres Sanches em se dar bem no negócio, às custas do clube, que já vem sendo desfalcado, há anos, pela empresa que o deputado diz não ser dele, mas que tem estranha autorização para vender.

EM TEMPO: informações oriundas do Parque São Jorge dão conta de que a queda do último diretor de marketing do Corinthians se deu exatamente quando este se contrapôs à exigência de comissionamento de Andres Sanches para fechar qualquer negociação referente ao estádio.

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