Entrevista de Leco à FOLHA indica que dias piores virão para o São Paulo

“O futebol é muito complicado. Tem muita corrupção, claro. Tem, no meio do futebol, uma exploração financeira e de interesses que é inesgotável. E ela ocorre fundamentalmente nessa relações negociais; empresário e acertos, e isso e aquilo.”
“(Mena) Veio de graça. E a gente se interessou. (…) E eu tive que pagar para o empresário dele.”
Não é novidade, para o leitor deste espaço, que Leco, presidente do São Paulo, trata-se de mais do mesmo, ou seja, daqueles dirigentes adeptos do continuísmo do atual sistema, que apodrece o futebol, para que o próprio, ou seu grupo, permaneçam no poder.
De tantas glórias e história, o Tricolor não pode se contentar com tão pouco apenas para suprir o desastre que foi a gestão antecessor, do lamentável Carlos Miguel Aidar.
Leco esteve, quando na diretoria de futebol, enrolado em transações nebulosas de atletas, além de fomentar, com amigos da mídia, verdadeiros infernos de fofocas contra Muricy Ramalho, seu desafeto.
Não é, desde sempre, confiável.
Voltando à entrevista, disse Leco, ao ser questionado sobre a relação com empresários de jogadores:
“(Mena) Veio de graça. E a gente se interessou. (…) E eu tive que pagar para o empresário dele.”
“(comissão) 10% é a praxe. É 10% em cima do contrato todo. Eu vou acabar pagando mais do que 10% dele [Mena]. Vai sair mais do que 10%.”
“O jogador vai custar US$ 1,1 milhão. Para um chinês que fica no Brasil, mais US$ 100 mil, e mais US$ 200 mil de comissão ao empresário. É isso que vai custar. É assim o futebol. É desse jeito.”
“O futebol é muito complicado. Tem muita corrupção, claro. Tem, no meio do futebol, uma exploração financeira e de interesses que é inesgotável. E ela ocorre fundamentalmente nessa relações negociais; empresário e acertos, e isso e aquilo.”
Com os torcedores organizados, então, a declaração é de fazer o verdadeiro são-paulino enfiar um saco de vergonha no rosto:
“Isso é histórico de dar uma verba para eles no Carnaval.”
“Você tem que dar ingresso para eles e eles vão no jogo. Não é que vai dar viagem, ônibus. Dá o ingresso para eles e eles vão. Isso é uma prática.”
“Isso é pequeno dentro de todo esse universo. Eles prestigiam, eles ajudam. O jogador faz gol e faz o sinal da Independente [maior torcida do clube]. Não faz para ser agradável, faz porque tem medo de tomar dura.”
“O que a gente dá é muito pequeno no contexto, porque eles podem fazer muito estrago. Vocês viram o que eles fizeram ontem [no domingo (17) a torcida do São Paulo entrou em confronto com a Polícia Militar, durante jogo da Copa São Paulo, em Mogi das Cruzes]?”
“(a relação) É dificílima, mas não chega a ser chantagem. Não nos submetemos a nada. Mas tem de fazer algumas concessões. Não tem como cortar. [A assessoria do São Paulo disse que o clube dá 1.500 ingressos às organizadas para cada jogo no Morumbi e 500 quando a partida é fora, além de R$ 150 mil, que são divididos pelas torcidas para financiar seus desfiles de Carnaval].
“Cúmplices? Não, claro que não. Por ajudar a entrar no estádio? Não. Não aceitamos [violência], reprovamos verdadeiramente, repudiamos, e estamos à disposição das autoridades para participar de todo esse processo.”
Demonstrando falta de coragem, o presidente do São Paulo, questionado se Marco Polo Del Nero, indiciado pelo FBI por corrupção, deveria renunciar a seu cargo na CBF, respondeu:
“É uma afirmação que eu prefiro não fazer. Eu não tenho dados para avaliar.”
Para finalizar, diz ter boa relação com o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, que o trata, com ar “brincalhão”, como “Bambi”:
“O Andrés [Sanchez] não pode me ver que ele me chama de “bambi”, num ar super brincalhão. Eu me dou super bem com ele.”
Assim como ocorreu, diversas vezes, com a CBF de Ricardo Teixeira, o Corinthians, de Dualib e Sanches, o Santos, de LAOR, entre outros, é até capaz que o São Paulo possa, em lance de sorte, conquistar títulos durante a gestão Leco, mas esses triunfos (se vierem) não podem esconder o quão nocivo é para o clube estar sendo gerido por idéias tão deploráveis, que, certamente, impedirão qualquer possibilidade de crescimento e evolução administrativa.
