Desmanche no Corinthians: o problema da saída é a entrada

Por ROQUE CITADINI
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O presidente Roberto de Andrade foi claro: o clube chinês acerta com o empresário, com o jogador e o Corinthians é avisado meia hora antes que a “multa de rescisão” será paga e o atleta vai embora.
Completa o presidente que não há o que fazer. Paga a multa, o jogador vai pra onde ele quiser.
Nisso está certo.
Só o que falta explicar é como chegamos a este ponto. O problema não está na negociação de saída, mas na negociação de chegada.
Como sabemos, todos os jogadores em saída, são apenas parcialmente do Corinthians. Algumas vezes, a participação do clube é insignificante. A maior parte dos direitos do jogadores está nas mãos de “parceiros”, empresários, agentes e até do próprio jogador.
Essa política de “parceira” adotada pelo Corinthians cobra agora o seu preço. O presidente atual, como os anteriores, foram os implantadores deste mecanismo que leva a esse colapso atual.
O clube e o parceiro têm interesses conflitantes. O clube quer o jogador para jogar, marcar gols, conquistar títulos e títulos. O “parceiro empresário” não quer nada disso. Só quer valorizar seu produto e vendê-lo na primeira oportunidade.
Por esta razão, aos “parceiros” interessa uma multa pequena que não seja obstáculos para negociações futuras. Ao clube interessaria multa alta, pois quer a permanência dos atletas.
Mas isso só é possível quando o clube tem o controle do negócio. Nas “parcerias” o clube não tem.
Em clubes que não adotam essa política -que o presidente Roberto Andrade foi um dos implantadores- o quadro é diferente. Veja-se os clubes europeus principais, onde a multa é definida pelo clube.
O mesmo dinheiro chinês que chega aqui pagando salários astronômicos aos jogadores poderia procurar craque na Itália, Espanha, Inglaterra etc mas não o fazem. E quando atacam os europeus é com jogador com contratos a beira de terminar.
As pesadas multas de rescisão não permitem.
Enquanto o Corinthians não encerrar essa política de parcerias, as saídas de jogadores serão assuntos rotineiros.
Ou rompemos essas “parcerias” onde o clube pouco ganha (ou nada ganha), ou veremos jogadores chegando e saindo a toda hora.
Manter esse fatiamento de jogadores com “empresários” e multas baixas (impostas pelos parceiros) deixa o clube vulnerável.
Esse é o grande problema.
Será que vai ser enfrentado? Tenho dúvidas. Muitas dúvidas.
Em tempo
Bastou a Diretoria enfrentar problemas (como este tsunami de saída de jogadores) para alguns “jornalistas” e outros conhecidos na Internet desencadearem cobranças na mídia social. Todas com o objetivo de “aliviar” para a Diretoria. “A oposição tem que barrar isso”; “a oposição não pode permitir isso”; “onde está a oposição que não bloqueia esses negócios?”. O objetivo é claro: transferir para a oposição o problema da debandada de jogadores. Esqueçam essas lorotas. A responsabilidade da saída dos jogadores é da direção. Só dela. A oposição sempre teve posição contraria a essas “parcerias” com empresários, agentes, intermediários etc que só prejudicam o Corinthians.
