Saiba um pouco mais sobre o novo presidente da CBF, que recebeu R$ 200 mil de seus antecessores

O novo presidente da CBF, após a “licença” de Marco Polo Del Nero, investigado pelo FBI por corrupção, seria Fernando Sarney, conforme adiantado por este espaço, na semana anterior, mas, temeroso, o parente do famoso Senador, assim que convidado, refugou.
Sobrou, então, para o Deputado Marcus Vicente, do PP-ES, partido com maior número de indiciados nas investigações da Operação Lava-Jato.
Este não tinha a alternativa da recusa, agraciado que foi, em suas duas últimas campanhas a Deputado Federal, com a benevolência da CBF, e seus presidentes complicados, com R$ 200 mil em doações de campanha.
O rabo preso, que o fez trabalhar pela entidade no Congresso, tratou de colocá-lo no olho de um furacão que promete não deixar pedra sobre pedra.
De cara, Vicente fez o discurso que dele se esperava:
“(…) entro para pacificar e não para fiscalizar a CBF”
“(…) não gosto de fazer juízo de valor (sobre Marin e Del Nero)”.
Ainda obscuro, o deputado Marcus Vicente, no exercício do cargo de vice-presidente da CBF (acumulado com o de Presidente da Federação Capixaba, à época), envolveu-se numa confusão, tratada pela Justiça do Espírito Santo como falsificação de acordo, colocando sua assinatura, em 03 de julho de 2013, ao lado de José Maria Marin, que beneficiaria com indenização milionária a equipe (que encerrou as atividades) do Desportiva Capixaba.
Descobertas as irregularidades, o acordo foi desfeito por decisão do juiz da 3ª Vara Cível de Vitória, Jaime Ferreira de Abreu.
Mas não é apenas no mundo do futebol que o novo presidente da Casa Bandida enfrenta problemas e acusações: de todos os deputados eleitos pelo Espirito Santo, por exemplo, Vicente é de longe o que mais faltou ao trabalho, com 25% de ausências injustificadas.
Em 2010, Marcus Vicente foi investigado pela Polícia Federal na “Operação Moeda de Troca”, ocasião em que ocupava o cargo de Secretário de Turismo do Espírito Santo, acusado de participar de esquema de fraudes em licitações, que envolvia sete empresas em 22 municípios capixabas.
Três contratos suspeitos foram fechados sob sua responsabilidade.
Um ano antes, em 2009, Marcus Vicente, então no PSDB, foi condenado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), como tesoureiro do partido, a pagar R$ 63.244,32, por irregularidades na aplicação dos recursos do Fundo Partidário.
Comandou a Federação do Espírito Santo por longos 24 anos, período em que foi acusado por oposicionistas, como o presidente do Linhares, Adauto Menegussi, de oferecer cargos públicos para presidentes de clubes filiados, evitando, assim, qualquer possibilidade de concorrência.
Empossou ainda, na Federação, no cargo de Diretora Financeira, sua própria irmã, Vera Lucia Vicente, exonerada, posteriormente, pelo presidente que o sucedeu, Gustavo Vieira, sob acusações, nos bastidores, nada elogiáveis.
Em Brasília, Vicente, por diversas vezes, organizou jantares em que reuniu a temerária “Bancada da Bola”, convidando, também, o presidente da Câmara, o investigado por corrupção Eduardo Cunha, para tratar de assuntos, que, evidentemente, beneficiavam o grupo de Marco Polo Del Nero (como o impedimento aos árbitros de receberem direito de arena), em claro detrimento ao desporto nacional.
