A mídia e os dirigentes “empresários”
Há anos, dirigentes de clubes são tratados pela mídia, sem a devida checagem, como empresários de sucesso que, de maneira benemérita, largam seus negócios para contribuir com as agremiações “amadas”.
Em verdade, a grande maioria, quando de fato possuem empresas (muitos só as tem no papel), invariavelmente estão quebrados (ou em vias disso) e encontram no submundo do esporte a mão que pode retirá-los do fundo de um poço.
Não raro, mesmo ocupando, anos a fio, cargos sem remuneração, multiplicam de maneira exorbitante o patrimônio.
Mesmo diante deste quadro, com claro indício de enriquecimento ilícito, os jornalistas, em vez de desconfiarem da origem dos recursos, cobrando as devidas explicações, preferem, sem aprofundamento (cada qual a seu motivo e interesse), trata-los com ainda mais reverência.
Nos últimos dias, com a exposição sem lado do FBI, muitas máscaras estão sendo retiradas: dos dirigentes e de alguns setores de mídia.
Sem ter como esconder o que detalham (e escancaram) os documentos, a imprensa, como por encanto, descobriu que os “grandes empresários” não passam de “espertalhões” que sobrevivem do futebol.
E que suas ‘empresas” mais relevantes (com faturamento ativo), muitas vezes em nome de “laranjas”, tratam-se, na verdade, de meros entrepostos para lavar recursos desviados dos clubes.
A grande questão a ser analisada pelo consumidor de notícias é: diante da obviedade de nomes e operações realizadas no futebol, seriam os jornalistas (que somente agora começam a relatá-las), inocentes incompetentes para a profissão ou mera engrenagem de uma máquina, tocada por “generosos” operadores, pulando fora do barco antes do inevitável encontro com o iceberg ?

