Sem oposição, CPI da CBF é inviável e pode servir para defesa dos acusados
Em vias de ser instaurada, a CPI da CBF, apesar do desejo e empolgação dos que querem a apuração dos maus-feitos de dirigentes esportivos do Brasil, na prática, dentro dos moldes de atuação previstos, é absolutamente inviável.
Pode até, lamentavelmente, servir como defesa dos acusados.
Para que uma CPI funcione com eficácia é imprescindível que exista não apenas trabalho de oposição, mas também apoio midiático.
No caso específico da CBF, é impossível conseguir quaisquer da alternativas.
A entidade conta com defensores tanto no Congresso quanto no Senado, de todos os flancos (PT, PMDB, PSDB), que, certamente, esquecerão as diferenças para evitar que o pior aconteça a quem sempre lhes assistiu.
Lula, Aécio, Eduardo Cunha, Renan Calheiros… todos, amigos de Ricardo Teixeira, são simpáticos à cartolagem do futebol brasileiro.
Não por acaso, a CBF mantém em sua vice-presidência, desde o período Ricardo Teixeira, passando por Marin e agora com Del Nero, a figura de Fernando Sarney, com sobrenome que dispensa explicações mais profundas.
O afago se dá também das Federações, com cargos distribuídos a diversos políticos, apadrinhados destes, membros do judiciário e também da cúpula das polícias (civil e militar).
Com a nítida falta de oposição, restaria para sustentar a CPI o apoio da mídia, que, seja em investigação paralela ou até em vazamentos de parlamentares que, pelos motivos citados acima, não podem se expor, poderia, de algum modo, pressionar pela resolução da verdade.
Porém, com o claro envolvimento da Rede Globo em negócios investigados pelo FBI, a cobertura deverá ser protocolar, sem aprofundamento, evitando, assim, que a imagem da emissora seja desgastada.
Apesar de existirem outras empresas de comunicação atuantes do país, é fato que a maior parte da população toma mesmo como verdade o que é difundido no “Jornal Nacional”.
Ou seja, apesar dos esforços e da ótima intenção do Senador Romário (a quem, independentemente dos fatos relatados, apoiaremos), se as devidas cautelas não forem tomadas (principalmente na escolha dos participantes), a CPI da CBF pode, em vez de tornar-se um instrumento de investigação contra corruptos, a defesa destes, que terão acesso privilegiado, por intermédio de parceiros políticos, a detalhes e documentos que, bem utilizados, podem livrá-los de futuras condenações.


