Fator previdenciário e desemprego
Por NAPOLEÃO DUMONT
O Brasil tem sido, nas últimas décadas um país de remendos,em soluções estruturais permanentes. Agora estamos vendo os remendos na Previdência, aferrando-se os governantes e pseudo-especialistas, na questão do fator previdenciário como salvação.
Alegam que o tempo de vida aumentou e por isso as aposentadorias devem ser retardadas, porque as pessoas podem – e deverão – trabalhar mais anos.
Vou usar apenas um argumento que é cuidadosamente “ignorado” e não vem às discussões, muito de propósito por parte das autoridades. Os contribuintes vão trabalhar mais alguns, ou muitos, anos, e se aposentarão. Retardar-se-ia, assim, a obrigação de o Governo arcar com muitos milhares de novas aposentadorias.
Pois bem, ao mesmo tempo em que muitos trabalharão mais anos, igual número de vagas não será aberto no mercado de trabalho, e as novas gerações ficarão desempregadas, com as consequencias fáceis de prever. Não bastasse o desemprego atual, que vai continuar e piorar.
Não é só a população de idosos que está crescendo. Também a população de jovens – que terão grandes dificuldades, com diploma ou sem, de alcançarem emprego.
Isto o Governo, e demais interessados em escamotear a verdade, não dizem !
Talvez por isso é que estamos vendo novas formas de controle populacional, como os apartamentos de dezoito ou vinte metros quadrados – que mal abrigando um único ocupante, menos ainda um casal, dificilmente possibilitarão o advento e criação de prole.
*NAPOLEÃO B. DUMONT é apoiador do militarismo

