Saiba como empresa do Mensalão, parceira da Petrobras, recebeu R$ 17,9 milhões dos gestores do “Fielzão”
Quase um ano após a disputa da Copa do Mundo de 2014, as empresas criadas para gerir os recursos do “Fielzão” continuam sem prestar contas ao Corinthians (do custo das obras e também da amortização).
Somente o ex-presidente alvinegro, agora Deputado Federal pelo PT, Andres Sanches, destacado, ao mesmo tempo, para defender os interesses do clube e também da construtora na operação (situação surreal) tem acesso aos dados.
Mas não divide (a informação) com ninguém.
Mesmo diante de tanta nebulosidade, os conselheiros do Corinthians, que aprovaram as contas dos exercícios anteriores, parecem não se importar com a falta de apresentação dos documentos, e os dirigentes, mesmo sem verificar o extrato, seguem pagando o boleto.
Em regra, a falta de fiscalização costuma abrir as portas para a corrupção.
R$ 17,9 milhões para a TEMON – Técnica de Montagens e Construções Ltda.

Autorizada pelo Arena Fundo de Investimento Imobiliário – FII, gestor dos recursos empregados na obra do “Fielzão”, a construtora Odebrecht contratou os serviços da empresa TEMON – Técnica de Montagens e Construções Ltda., de propriedade do empresário e engenheiro Alvaro José Resende Assumpção (foto).
Os serviços, de instalações elétricas, iniciaram-se no dia 14 de maio de 2012, porém os contratos somente foram assinados nove dias depois.
Ambos com prazo de 540 dias para execução dos trabalhos.
O primeiro no valor de R$ 17.675.394,58, o segundo, R$ 266.550,50.
Porém, o histórico empresarial da TEMON, que pagou propina para o então deputado federal Waldemar Costa Neto, no Mensalão (foi delatada por Marcos Valério), além de ser parceira de quase todas as obras da Petrobras, comprovadamente inidônea, merece alguma atenção.


RELATÓRIO DA CPMI DOS CORREIOS COMPROVA QUE TEMON PAGOU PROPINA NO MENSALÃO
Recentemente, a CPMI dos Correiros, que ajudou a desvendar o esquema do “Valerioduto” para pagar propina a parlamentares no crime popularmente conhecido como “Mensalão”, flagrou entre os “beneficiados”, o ex-deputado federal Waldemar Costa Neto, que, por consequencia, foi condenado a sete anos de dez meses de prisão.
A TEMON – Técnica de Montagens e Construções Ltda, era uma das corruptoras.
O sistema era simples: a Temon depositava cheques administrativos na conta da empresa de “fachada” Garanhuns Empreendimentos (por coincidência, nome que homenageia a região do ex-presidente Lula) indicando, no mesmo ato, o parlamentar para quem deveria ser repassado o montante.

Costa Neto recebeu R$ 800 mil somente da Temon, que, para disfarçar, fracionou o pagamento em diversos cheques, de dois bancos, depositados em duas datas diferentes.
No dia 06/03/2003, do banco Itaú, Agência 0360, c/c 145.445, em São Paulo:
R$ 97 mil – Cheque 725411, R$ 102 mil – Cheque 725412, R$ 99 mil – Cheque 725410, R$ 98 mil – Cheque 725409, R$ 104 mil – Cheque 725408.
Finalizou em 31/03/2003, com o banco Safra, ag. 0160, c/c 07519, também da capital paulista:
R$ 85 mil – Cheque 725539, R$ 105 mil – Cheque 725538 e R$ 110 mil – Cheque 725537.



Em defesa, Costa Neto, auxiliado pelo depoimento do dono da TEMON, Álvaro Assumpção (o mesmo que agora faz negócios com o estádio de Itaquera), alegou tratar-se de um empréstimo, inventando mil justificativas para a utilização de intermediários, mas não convenceu juízes, que pediram a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da referida corruptora, ação que foi corroborada, também, pelos parlamentares da CPMI dos Correios.
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TEMON E A PETROBRAS
Com as investigações da “Operação Lava-Jato”, descobriu-se que raros são os negócios realizados pela Petrobras sem pagamento de propina, quase sempre dividida entre os dirigentes da empresa e os políticos do Governo.
O que pensar, então, da TEMON, que, além do histórico da participação no “mensalão”, está inserida em 99% das obras contratadas pela Petrobras ?
A proximidade é tão grande que existe, na Justiça Trabalhista, dezenas de processos indicando ambas como reclamadas (abaixo, dois exemplos):


Apenas na obra da criação do Data-Center da Petrolífera, autorizada pela petista Graça Foster, a TEMON embolsou impressionantes R$ 5 bilhões.
Levando-se em consideração que a propina paga pela Petrobras (se os hábitos forem mantidos), segundo a “operação Lava-Jato”, costuma pairar na casa dos 3%, muita gente deve ter saído satisfeita do negócio.

RECENTE ATA DA ARENA – FII COMPROVA NOVA CONTRATAÇÃO DA TEMON PARA EXECUTAR OBRAS NO “FIELZÃO”
Após receber R$ 17,9 milhões dos gestores das obras do “Fielzão”, a título de realização de serviços de instalações elétricas, a TEMON voltou a trabalhar no estádio.
Em 22 de maio de 2014, conforme demonstra Ata de reunião da ARENA FII, realizada na sede da BRL TRUST, 28 novas prestadoras de serviço foram contratadas (em breve os nomes serão aqui revelados).
Entre as quais, a TEMON.
O trabalho agora é o de “montagem e instalação de rede”.
Não há informação de valores, e, se não houver vazamento, até mesmo o Corinthians, que tem por obrigação pagar as contas, deverá fazê-lo às cegas, como de hábito, sem reclamar.







