Erro do MP na identificação da cunhada de Vaccari é constrangedor
Por consequencia de um dos mais relevantes vexames da história do Ministério Público brasileiro, o juiz federal Sérgio Moro se viu obrigado a soltar Marice Correa, a cunhada do bandido petista João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da quadrilha.
Antes, induzido ao equívoco, o próprio magistrado havia solicitado a prorrogação do cárcere, sob argumentação de que a imagem, supostamente flagrando a então detida em delito “não deixava margem para dúvidas”.
Segundo o perito Carlos Barcellos, da empresa Innercalc, contatada pela FOLHA para analisar o conteúdo fornecido pelo sistema de vigilância do Itaú, “é matematicamente desprezível que seja Marice nas imagens do banco”.
Na verdade, tudo indica, conforme depoimento da cunhada, tratava-se da esposa de Vaccari.
Ou seja, o MP, na pressa, desprezou serviço pericial, mesmo com as prerrogativas e facilidades que possui para fazê-lo, e, de maneira absolutamente amadora, tratou de “achar” que a pessoa flagrada no referido vídeo era quem queria que fosse, solicitando a indevida prisão.
O constrangimento só não foi maior porque atinge, no processo, uma parte irrelevante da investigação, sem comprometer a denúncia e as comprovações já conseguidas, tecnicamente, ou por delações doutros participantes do esquema.

