Nem Governo, nem Bom Senso. Pai da Medida Provisória de moralização do Futebol é o “ministro” Juca Kfouri
Até o final da semana, a presidente Dilma Rousseff (PT) assinará a Medida Provisória que tem por objetivo não apenas liquidar as dívidas dos clubes, mas indicar caminhos e obrigações primordiais para a moralização do futebol brasileiro.
Um acerto de extrema importância de um Governo marcado por tantos erros.
Mas, por trás do texto e das ideias que cercam as medidas a serem implementadas, muito mais do que os próprios governantes ou do apoio do Bom Senso FC, está o trabalho, árduo e incessante, de Juca Kfouri.
Para tornar possível o que há tempos parecia inimaginável, o jornalista, referência na luta contra os corruptos e corruptores do esporte, aproximou o Bom Senso (do qual é mentor, mesmo que involuntariamente) do Governo, trabalhou pelo diálogo, insistiu nas ideias e transformou-se, pelo período específico, numa espécie de Ministro do Esporte informal, trabalho que vem executando com a habitual competência.
Não está em discussão nessa postagem os posicionamentos políticos de Juca Kfouri, dos quais, em alguns casos, este jornalista respeitosamente diverge, mas sim a atitude corajosa e de extrema cidadania de mesmo a contragosto, não apenas da cartolagem, mas de próprios setores do Governo e também de parte da imprensa, dar a cara a bater num projeto que, em funcionando a contento, será divisor de águas na história do esporte nacional.
Apesar de não admitir a própria importância e até, modestamente, trabalhar para minimizá-la, faz-se necessário dar mérito ao empenho de um jornalista honesto, que não se preocupa, seja nas matérias ou opiniões, em agradar a quem quer que seja, mas sim em expressar o que considera verdadeiro nos fatos, e, principalmente, nos seus pensamentos.
O sucesso da Medida Provisória coroará uma vida de lutas e dificuldades enfrentadas por um profissional da imprensa, alertando seu leitores e seguidores, em décadas de embates contra um sistema que por anos assolou – e ainda assola – os meandros do futebol brasileiro.
Ao abraçar essa ideia, o Governo, seja pelo desejo de, neste caso, fazer a coisa correta ou até, quiça, por oportunismo (em tempos de baixa popularidade), marcou um gol de placa, raro em tempos de Mensalão e Petrolão.
E o Bom Senso, que, humildemente, soube escutar as pessoas certas, ainda no início de sua jornada, ingressará, positivamente, nos anais da história.

