Liberdade de Expressão
Da FOLHA
Por IAN MCEWAN
O islã vive o seu momento totalitário. Diariamente lemos sobre casos de tortura, prisão e execução dos que desejam deixar o islã ou discuti-lo
Cidades globais como Paris, Londres ou Nova York, e seus entornos, possuem 10 milhões de pessoas ou mais em uma área menor que uma fazenda de criação de gado de tamanho médio nos EUA. Se os cidadãos fossem todos de uma só religião, uma só raça e uma só visão de mundo, a questão da liberdade de expressão nunca teria surgido.
Uma área reduzida de uma cidade pode conter todas as raças da Terra e todas as visões religiosas, políticas e existenciais imagináveis.
Diariamente, a partir de seus templos, as religiões blasfemam umas às outras. Jesus é filho de Deus? Não se você é muçulmano. Maomé foi o último mensageiro de Deus na Terra? Não se você é cristão. O universo pode ser explicado ou explorado a partir de uma cosmologia sem deuses, baseada na física? Não se você é muçulmano ou cristão.
Quem vai garantir a paz? Não será a religião. A história europeia nos recorda que quando o cristianismo vivia sua pompa totalitária, anterior ao iluminismo, a intolerância das pequenas diferenças levou à barbárie e a massacres em escala chocante, como a Guerra dos Trinta Anos.
O islã –do Paquistão à Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico, da Indonésia e da Turquia ao Egito– vive sua versão própria de um momento totalitário. Diariamente lemos sobre casos de tortura, prisão e execução de muçulmanos que desejam deixar o islã ou discuti-lo.
No Paquistão, políticos usam as leis de blasfêmia como armas letais. Uma professora está presa no Egito há três anos por ter falado a seus alunos sobre outras religiões. Em todo o Oriente Médio, o cristianismo e o zoroastrismo estão sendo expulsos dos lugares onde nasceram. Na Turquia, a liberdade de imprensa está sob ataque cerrado por parte de conservadores religiosos.
Regimes árabes autoritários utilizam a sharia, a lei islâmica, como meio de reprimir a oposição política. Os grupos radicais Boko Haram e Estado Islâmico representam uma intensificação do que é praticado em certos Estados.
Na Arábia Saudita, que abriga os santuários mais reverenciados do islã, o abandono da fé é punido com a pena de morte. A mais recente repressão à liberdade de expressão cometida naquele país –mil chicotadas e dez anos de prisão– mostra que o governo saudita denigre o islã como religião da paz. A sentença provocou reações de repulsa em todo o mundo, algumas delas manifestadas por muçulmanos.
Nas cidades do Ocidente, com sua riqueza de raças e religiões, o único fiador da liberdade de religião e da tolerância é o Estado laico. Ele respeita todas as religiões e acredita em todas –ou em nenhuma.
A liberdade que permite aos jornalistas do semanário “Charlie Hebdo” criarem sua sátira é exatamente a mesma liberdade que permite aos muçulmanos na França seguirem sua religião e expressarem seus pontos de vista abertamente.
Os devotos não podem ter as duas coisas. A livre expressão é dura, é barulhenta e, às vezes, fere, mas, quando tantas visões de mundo precisam conviver lado a lado, a única alternativa à livre expressão é a intimidação, a violência e o conflito acirrado entre comunidades.
É impossível exagerar a importância da liberdade de expressão. Ela não é um simples luxo de jornalistas e escritores. Também não é um valor absoluto. Quando é reduzida (por exemplo, para limitar o alcance on-line de pedófilos), precisa ser por meio de leis, em conformidade com as instituições democráticas. Mas sem liberdade de expressão, a democracia é uma farsa.
Todas as liberdades que gozamos ou desejamos gozar tiveram que ser pensadas e discutidas livremente e instituídas por escrito.
A liberdade de expressão –de dar e receber informações, de formular perguntas incômodas, de realizar pesquisas acadêmicas, de praticar a crítica, a fantasia, a sátira–, o intercâmbio de ideias em toda a gama de nossas capacidades intelectuais, é a liberdade que dá origem às outras.
A livre expressão não é inimiga da religião, é sua protetora. Graças à sua existência há mesquitas às dezenas em Paris, Londres e Nova York. Em Riad, na Arábia Saudita, onde ela está ausente, não são permitidas igrejas. Hoje, quem importar uma Bíblia pode ser punido com a morte.


Liberdade de Expressão sem Respeito se torna insulto! Tudo em exagero é prejudicial! seja em Portugues ou Ingles!
E tacali-pau no corporativismo dos jornalistas.
Com essa conversa fiada, usada sempre, como muleta, pra justificar tudo…..
“Liberdade de Expressão”
Porque todos estes jornalistas desse jornaleco de “esquerdinha croissant” …..disfarçada, não vão até a França, e aproveitam, pra entrevistar as viúvas e os filhos dos chargistas mortos……???
Perguntem as mais de uma dezena de famílias destruídas por suas “charges liberais”……….
HOJE….AGORA……o que estes filhos…..mães e esposas, pensam sobre a tal de “Liberdade de Expressão”?
Perguntem, se a “troca” foi justa???
Algumas charges, por (- 12 vidas e “+” destruição de varias famílias.)
Pode insistir , pois não vai convencer ninguém . Parei de ler quando o autor do texto diz que um muçulmano poder expor a sua crença em Paris tem o mesmo significado de liberdade do que a publicação de uma charge debochada e ofensiva . Ou seja , se eu “deixo” a sua mulher usar uma burca por aqui me deixe colocar um desenho de maomé pagando um boquete . Realmente …
A liberdade de expressão deve ser garantida sempre. Porém, liberdade de expressão sem bom senso, é um verdadeiro tiro no pé da democracia. Há que refletir muito sobre isso.
Luciano – SL
Paulinho, publica um post sacaneando o Islão e Maomé.
“LIBERDADE DE EXPRESSÃO” NÃO DÁ DIREITO DE DESRESPEITAR O BOM SENSO.
Jeronimo HS Says:
janeiro 23, 2015 às 8:22 am
Paulinho, publica um post sacaneando o Islão e Maomé.
———–
RS
ELE FAZ ISSO COM “PASTÔ” E JUDEU, QUANDO MUITO COM ALGUM PADRÉCO…
Bom dia Paulinho.
Olha, não sou nenhum fanático religioso, mesmo sendo católico, mas descordo da sua opinião, e você mesmo o fez, em outros campos.
Vejamos, no caso do jogador do Corinthians que foi recentemente recontratado e posou para fotos ao lado de outro ex-jogador fazendo gestos provocativos contra a torcida do São Paulo (meu time de coração), você o REPREENDEU o chamando de desinteligente e tudo mais, estou correto?
Bom, podemos traçar paralelos entre o extremista religioso e o extremista torcedor (em especial aos “organizados”), e neste diapasão, vemos que a liberdade de expressão utilizada pelo jogador pode causar atritos desnecessários, pelo menos foi o que você disse, estou correto?
Ou seja, a liberdade de expressão não é um direito absoluto, nem mesmo na nossa Constituição Federal, tampouco deve ser utilizada de maneira inescrupulosa, pois aqui no mundo real tem os seus efeitos!
Assim como não é inteligente que um jogador provoque a outra torcida para não criar maiores atritos, um jornalista/cronista/chargista não deve provocar os seus leitores (seguidores ou “haters”) a fim de não provocar maiores atritos.
Não quero aqui defender os extremistas religiosos do oriente, já que quem ataca não é o islã, mas sim te mostrar que a sua ideia não se suporta sobre suas próprias opiniões (inclusive aqui do seu blog).
Bom Paulinho, eu acredito em um mundo ideal onde opiniões são sempre recebidas de maneira positiva e discutidas no âmbito das idéias, mas infelizmente sabemos que a humanidade está muito longe disso.
Mais uma vez te felicito pelo seu trabalho e reitero que sou um grande admirador do seu jornalismo (na maioria das vezes, claro! rsrs).
Concordo com você, Paulinho. Quem pode definir o que é respeito e falta de respeito? Não existe meia liberdade de expressão. Daqui a pouco os fanáticos religiosos podem achar que o Carnaval é uma falta de respeito a religião, e que Deus (seja lá qual for) mandou matar os passistas. Isso vale pra qualquer situação.
O Paulinho está se comportando como todos os seus companheiros de profissão. Eles querem ter o direito irrestrito de atirar pra todos os lados, ofender, vilipendiar, sem que possam sofrer qualquer espécie de crítica ou retaliação. Mas por que não são mais enfáticos, incisivos, por assim dizer, por que não tem coragem de publicar de própria iniciativa insultos ao islã, já que defendem tanto essa nefasta atitude dos chargistas? A coragem dessa gente vai até um certo ponto, até onde conseguem perceber a bobagem que estão fazendo.
e quanto à liberdade de expressão, como outros já comentaram, liberdade não é sinônimo de libertinagem. a minha liberdade acaba onde começa o direito do outro. ofender os outros não é “liberdade de expressão”, nem mesmo engraçado ou descolado. os cartunistas franceses iam muito além do bom senso e acabaram pagando por isso. (infelizmente não na mesma moeda, sendo ridicularizados, mas com a vida…)
É Paulinho, essa defesa corporativa insistentimente praticada não tá convencendo ninguém por aqui…
liberdade de expressao ? nao temos liberdade nem de ir a esquina ….faça-me RIR !
quer se expressar ? expresse-se a si mesmo … assim não incomoda ninguém.
é Paulinho, não está convencendo…..a imprensa tem tido dificuldades cada vez maiores de manipular o pensamento das pessoas…isso é liberdade de pensamento, graças a Deus, Jeová e Alá….