Pró-Corinthians ? Não ! Pró-Memória: Paulo Garcia – o “ratinho assustado”
KALOTE NA CAMISA
Da PLACAR – Julho de 1988
Por JUCA KFOURI
Entre as recentes trapalhadas corinthianas, uma, de tão visível, tem passado despercebida.
É que, desde 1985, quando começou a trazer a marca Kalunga na camisa, o Corinthians não consegue um título.
Por significar cemitério no vocabulário da umbanda, a tal marca tem preocupado os mais supersticiosos neste momento em que, na verdade, a sorte está sorrindo para o alvinegro nas semifinais do Paulistão.
Superstições a parte, o fato é que o proprietário dela é o ex-vice-presidente de futebol do Timão, Paulo Garcia.
Um tipo melifluo, desses que querem levar vantagem em tudo.
Por isso teve vida curta na direção do Corinthians.
Foi chamado de moleque pelo presidente do Cruzeiro, Betino Masci, quando quis, sem ética alguma, contratar Heriberto.
E chegou a “comprar” o ponta Renato, do Flamengo, sem conhecimento da diretoria rubro-negra.
Renato, aliás, andou querendo viajar a São Paulo só para acertar as contas com o pequeno cidadão.
A última dele, no entanto, passou dos limites.
Na linda festa entre Corinthians daqui e da Inglaterra, Garcia teve como única tarefa conseguir os uniformes do jogo.
Quando os veteranos entraram em campo, porém, a surpresa: todos de Kalunga no peito.
Rompendo um trato que envolvia até televisionamento…
Pior: quando, na semana passada, apresentaram a Garcia uma pequena conta de 100 mil cruzados referentes às passagens de três participantes do jogo, ele concordou em pagar a sua parte para depois fugir, como um ratinho assustado, da responsabilidade.
É claro que a conta acabou sendo paga, sem maiores sacrifícios, por outros que nem tinham tal obrigação.
Mas o registro é feito para afastar os maus fluidos emanados do pequeno espertalhão.
EM TEMPO: Paulo Garcia processou Juca Kfouri, à época, pelo texto publicado na revista PLACAR. Mas perdeu. O Juíz considerou adequado a utilização do termo “ratinho assustado” ao dono da Kalunga na referida matéria.


