Rosenberg diz que reformar Pacaembu era melhor negócio do que construir “Fielzão” e que abertura da Copa deveria ser no Morumbi
O vice-presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, concedeu uma de suas mais delirantes entrevistas, publicada hoje, no Blog do Perrone.
Mentiu, desmentiu, inventou e até falou a verdade.
Uma verdadeira salada de informação e desinformações.
Na parte sincera do bate-papo, acabou por comprometer um discurso mentiroso do ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, publicado, recentemente, no Blog do JUca.
À ocasião, o cartola afirmou para Kfouri que o “Fielzão” seria exemplar no que diz respeito à comercialização de ingressos populares, com 40% dos espaços sendo vendidos a R$ 30, quando, dentro do clube, a conversa era bem diferente.
Rosenberg relatou, exatamente, o pensamento original, embora tratando como se fosse novidade:
“Isso mudou já. Não é que o prédio leste vai ter o mesmo preço de atrás dos gols. Ele criou dois blocos, um a R$ 150 e a outra metade ele cobra acho que R$ 70. Isso pode ser administrável. Não é mais aquele cálculo de 16 mil lugares vendidos a R$ 30. Ele já está com preço médio perto de R$ 130, que já é mais do que no Pacaembu. Estou supondo que ele trabalha com preços efetivos, depois de descontos oferecidos para o sócio-torcedor.”
Depois, tratou de jogar nas costas do atual presidente Mario Gobbi a responsabilidade de ter assinado documento se comprometendo a pagar as estruturas temporárias do estádio, avaliadas em R$ 60 milhões:
“Assinou esse ano, ano passado, não sei por qual motivo assinou. Não gosto dessa história.”
“Foi imposição da Fifa, e o clube teve que aceitar porque já estava no jogo. Mas é um absurdo o Corinthians pagar pela festa dos patrocinadores da Fifa [áreas de hospitalidade]. No começo de tudo falei, vamos fazer isso como contribuição para São Paulo, mas não quero que o Corinthians seja penalizado por causa disso”
Não contou, porém, que, excetuando-se o contrato de terraplenagem, assinado por Andres Sanches, todos os outros fora rubricados por Gobbi, mas seguindo diretrizes compromissadas com a FIFA, em reuniões que tiveram a participação do próprio Rosenberg.
Na sequencia, o vice alvinegro diz, com razão, que o melhor negócio para o clube teria sido reformar o Pacaembu, desmentindo a si próprio, que, por diversas vezes, exaltou a construção do estádio em Itaquera:
“Se você lembrar bem, o primeiro sonho do Corinthians, que não deixaram realizar, era o Pacaembu. Se tivesse Pacaembu era muito menos despesa e melhor localização. Ok, não seria um estádio maravilhoso como esse. Nosso segundo plano era o nosso estadiozinho para 45 mil lugares, não passava em cima dos tubulões [dutos da Petrobras]. Esse estadiozinho tinha direito a 60% de Cids, sem precisar mexer na lei, sem ter que perguntar pra ninguém. Ele custava R$ 400 milhões. O Corinthians iria fazer um estádio de R$ 400 milhões, menos R$ 120 milhões [dos Cids]. O que tenho hoje é uma dívida de mais de R$ 1 bilhão, eu me meti com uma tal de Copa que não tenho nada a ver com ela… E ainda ficam me passando despesa de Copa.”
Depois, em claro delírio, afirmou que o Corinthians não teve vantagem alguma com a Copa do Mundo, além de dizer que Lula nada fez para ajudar na viabilização o estádio e que a ODEBRECHT não colocou um tostão na obra.
Coisa de lunático.
A verdade é que, sem a Copa, o Corinthians não teria estádio, sem a “faca no pescoço” de Lula na ODEBRECHT e na Prefeitura de São Paulo, nem o início das obras, muito menos a liberação de CIDS teriam acontecido, e, tratar R$ 1 bilhão investidos pela construtora numa obra particular sem planejamento crível de retorno como “nenhum tostão”, beira a demência:
“Sim, acho que não precisava disso aí (Copa do Mundo) , não. O Corinthians não tem vantagem nenhuma com Copa.”
“(Lula) Nem atrapalhou nem ajudou. O que ele fez pelo estádio? Nada. Pergunta pro Andrés. Ele torceu pra ficar pronto. Legal.”
“Você acha que precisa convencer o vampiro a tomar sangue? Por que precisa convencer a Odebrecht? Qual o dinheiro que ela está investindo? Qual o favor que ela me fez? Lula é um corintiano fanático, e uma das figuras de mais destaque do país, só isso.”
Rosenberg diz ainda, novamente contrariando declarações anteriores, que a abertura do Copa do Mundo deveria ser disputada no estádio do Morumbi, local em que possui cadeiras cativas e garagens, apesar do Corinthians não mais mandar seus jogos por lá:
“Ele (Fielzão) se qualificava como estádio de Copa, porque não serviria pra abertura, mas poderia fazer jogos menores. Então teria acesso ao financiamento [especial] do BNDES do mesmo jeito.”
“Foi um erro aceitar a abertura. Continuo achando que abertura deveria ser no Morumbi. O Governador deveria ter dito: “aqui não é a casa da mãe Joana que a Fifa vem dizer que um estádio desse tamanho, com R$ 250 milhões de reforma que o São Paulo queria fazer, não serve para a abertura da Copa. Acho absurdo.”
“Porque já estava lá. Quem disse que o Brasil tem que fazer a abertura no estádio mais moderno do mundo? Não precisa. Por que não pode ser no Morumbi? Como economista digo que a solução mais racional seria a abertura no Morumbi, e o Pacaembu ficar por 30 anos com o Corinthians, que bancaria a modernização, faria a restauração do patrimônio histórico dele. Eu só me ferro, se pudesse receber o estádio hoje, prontinho, gerando receita, seriam cinco meses a mais de receita que eu teria. Não tem vantagem nenhuma pro clube ser estádio de abertura de Copa. É só pentelhação e aumento de gasto.”

