Jogadores de Futebol e o amor pela favela

Notícias dão conta de que, numa favela do Rio de Janeiro, o jogador Bernardo, do Vasco, foi espancado, torturado e somente não morto por ingerência doutros atletas, Wellington Silva, do Fluminense e Charles, do Palmeiras, que também “festejavam” por ali.
A história contada é de que o vascaíno teria se envolvido com uma das garotas do chefe do tráfico local, que ordenou sua execução.
Por conhecerem as pessoas da favela, Welington e Charles conseguiram, implorando, salvar a vida do amigo.
A grande questão que se levanta desse episódio, além da inaceitável barbaridade, é saber o que três atletas de futebol, de relativa fama e bons salários faziam num local como esse.
Sem falso moralismo, favela é a imagem do inferno na terra, local em que as muitas pessoas de bem que lá sobrevivem sonham em abandonar, quando puderem, e que é adequado apenas para esconder a criminalidade.
Gente de dinheiro, e com fama, tem poucos motivos para frequentar lugar como esse, e a grande maioria o faz para se meter em situações erradas.*
Até visitar parentes, embora compreensível, torna-se uma aventura perigosa.
Para ajudar a comunidade há meios e intermediários que podem perfeitamente conduzir alguma ação.
Favela, hoje em dia, simplificando, é lugar de bandido, habitado por gente de bem, sem recursos para morar em local melhor.
Que são obrigados a aguentar essa gente, calados, por medo, que fingem ter respeito para evitar consequências piores.
Simples, sem hipocrisia.
Os clubes, Vasco e Fluminense, nesse episódio, além de outros, noutros tantos, tem a obrigação de questionar seu jogadores sobre os motivos de frequentarem ambiente claramente criminoso.
E, a desculpa habitual, de ter crescido no lugar ou ter amigos antigos, não pode também ser aceita pelos dirigentes.
Afinal, novamente sem hipocrisia, certamente os tais “amigos” prefeririam muito mais descer o morro e serem convidados a frequentar as novas moradias daqueles que se deram bem do que esperar pelas visitas dos mesmos.
A não ser que tenha droga na jogada, o que, por si, explicaria muita coisa.
Em tempo: este jornalista mora na Zona Leste de São Paulo, em região que não difere muito da citada no texto, e sabe muito bem do que está falando.
*Corrigido

