A trágica entrevista de José Maria Marin

Na FOLHA de hoje há uma desastrosa entrevista concedida pelo presidente da CBF, José Maria Marin.

Não apenas pela inabilidade em responder as questões, mas também pela inútil tentativa de falsear a verdade, em tempos de absoluta facilidade em se conseguir informações.

Marin, para não perder o costume, iniciou bajulando o presidente Lula, de quem espera o cumprimento da promessa em aproximá-lo de Dilma Rousseff.

Depois, deu nova estocada no treinador Mano Menezes, aquele de quem não gosta, mas falta-lhe coragem para demitir.

“O ex-presidente Lula eu respeitosamente chamo de boleiro. O Lula é do futebol. Adora o futebol. Frequenta estádio. Não é torcedor de véspera. Não é apenas um corintiano fanático. Há uma diferença muito grande. O ex-presidente sempre estava ligado. Porque ele é boleiro.”

“Ele é o técnico atual da seleção brasileira. Não posso raciocinar em termos de hipóteses. Não quero que os jogadores e a comissão técnica estejam trabalhando sob pressão.”, disse ao ser questionado o treinador permaneceria até o Mundial de 2014.

Esquecendo-se de que imagens circulam não mais apenas pelas emissoras de televisão, mas também pela internet, disponíveis para quem quiser assistir, no momento que bem entender, Marin tentou minimizar o episódio das medalhas:

“Primeiro, começaram dizendo que eu, José Maria Marin, tinha me apoderado de uma medalha. Para me desestabilizar antes de eu tomar posse. Uma medalha…”

Para finalizar, a FOLHA fez o presidente da CBF se recordar do discurso que realizou contra a TV Cultura, pouco antes da morte do jornalista Vladimir Herzog, responsável pelo conteúdo da emissora à época.

Uma sucessão de ataques e incitamento à repressão, que culminou com o lamentável episódio do assassinato trevestido de “suicídio” do jornalista, realizado por aqueles que Marin tanto defendia, e trabalhava a favor.

“Poderia até eventualmente fazer alguma crítica a um organismo, a uma empresa. Mas não procurar atingir uma pessoa. De maneira nenhuma. Procure na minha vida toda, como dirigente esportivo, como governador, se eu alguma vez procurei atingir individualmente alguma pessoa ou a honra de alguém individualmente. Sempre fui um homem conhecido pela conciliação, pela concórdia e pela tolerância. (…) Agora, vem essa infâmia. Por quê? Porque não encontraram nada, absolutamente nada para me criticar como dirigente de futebol.”

Uma declaração cínica, desprovida de verdade, e que é facilmente desmentida pela história, e até pelas palavras do próprio Marin, publicadas no Diário Oficial de 09 de outubro de 1975, e reproduzida, recentemente, pelo Blog do Juca Kfouri.

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