Fluminense, 110

Por ROBERTO VIEIRA

O Fluminense era crisol e Coelho Neto.

Era.

Pois a estátua augusta se perdeu no tempo e nos gols de Preguinho.

Filho do Neto.

O Fluminense era aristocrático e casa grande.

Era.

Pois Gentil Cardoso e Didi derrubaram a tese.

E o Fluminense aprendeu a viver a vida como ela é.

Fluminense, pátria de Telê.

Fluminense, terceiro dia de Rivelino.

Fluminense, guarânia de Romerito.

Fluminense que passou dois anos sem tomar gol.

Nos tempos do Castilho.

Bola?

Só no travessão.

Fluminense tão fidalgo.

Que deu origem ao futebol do maior rival.

Mas a maior lembrança dos 110 anos do Fluminense.

Não repousa nos campos.

Nem na taça de Campeão Mundial de 1952.

Ano do cinqüentenário.

A maior e mais singela lembrança destes 110 anos.

Vem das arquibancadas do Maracanã.

Onde o velho Nelson Rodrigues.

Apaixonado e cego pelas uveítes da vida.

Insistia em cantar seu amor pelo clube.

Ante o olhar encantado do sobrinho Chico Buarque.

Chico que narrava em cada jogo.

Uma vitória mais bela, completa, insofismável.

Uma vitória escrita quarenta minutos antes da bola rolar…

Facebook Comments
Advertisements

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.