Presidente do Conselho do Corinthians reafirma que contrato com a Odebrecht não existe

Durante toda a semana a polemica sobre a existência ou não de um contrato entre Corinthians e Odebrecht tem dado a tônica das discussões no Parque São Jorge.

Primeiro o Corinthians fez um festa, com pompas, para exibir publicamente o que seria a assinatura oficial do documento.

Senger, presidente do Conselho, logo tratou de desmentir a diretoria do clube, dizendo que o contrato nunca foi assinado.

Furioso, o diretor jurídico do Corinthians, Sergio Alvarenga, não só garantiu a existência como disse que o conselheiro foi um dos que assinou o papel.

Novamente, Senger tratou de desmenti-lo, dizendo tratar-se apenas de um pré-contrato, sem valor para a operação.

Em nota, dirigentes do Corinthians desancaram o presidente do Conselho, dizendo, ironicamente, que não acreditavam que o mesmo tenha assinado o contrato sem ler.

Enfezado, Carlos Senger, emitiu novo pronunciamento, reafirmando a inexistência da documentação.

Dúvida essa que persistirá enquanto Andres Sanches, eleito sob o discurso de “transparência”, não exibir publicamente, ou ao menos para os membros do Conselho, o contrato original com a Odebrecht.

Se é que de fato existe.

Confira abaixo a nova NOTA OFICIAL do presidente do Conselho corinthiano.

O cargo de Presidente do Conselho Deliberativo do S. C. Corinthians Paulista requer de quem o ocupa discernimento, senso de responsabilidade e equilíbrio.

Mas, também, impõe a quem foi constituído nesta posição por livre vontade dos conselheiros, em eleição democrática, firme posicionamento sobre tudo quanto diz respeito e pode interferir na vida econômica e financeira do clube.

Vigilância e fiscalização, sempre, é o que se espera de quem exerce minha função.

Por isso, mantenho a serenidade e o nível, ao responder à Nota “explicativa” da diretoria que, sinceramente, não acredito expresse o sentimento pessoal do Presidente Andrés Sanchez.

Certamente, pressões de neófitos na vida do clube, açodados e pouco afeitos a enfrentar o contraditório, produziram uma peça tão inócua quanto desnecessariamente agressiva.

De fato, o estilo contido na mesma não é o do Presidente Sanchez, a quem trato e tratei com respeito e consideração em minha manifestação anterior.

Entendo que a formalidade do seu cargo, senhor Presidente, muitas vezes torna inevitável, mesmo contra sua vontade, a “produção” de tão infeliz resposta às minhas indagações.

Que, acredite, também o são da grande maioria dos conselheiros e associados.

Porém, vamos ao que interessa.

A Nota “explicativa” da diretoria peca fundamentalmente na sua estrutura argumentatória.

1. Em primeiro lugar, não é a figura de Carlos Senger que está em discussão.

Sem falsa modéstia, meus quarenta anos de serviços ao clube e minha reputação ilibada estão acima de ataques menores e sem base alguma.

Querer atingir-me, como insiste o raivoso redator da Nota, é tentar desviar o foco do que realmente importa: abrir a Caixa Preta em que acabou se tornando o assunto estádio Itaquerão.

2. Em segundo lugar, porém não menos grave, é esconder deliberadamente no texto da Nota “explicativa” o fato de que o que foi assinado em relação ao estádio foi apenas um PRE-CONTRATO, com imensas lacunas de informação, como, aliás, é comum nos PRE-CONTRATO.

Chamá-lo repetidas vezes de CONTRATO na aludida Nota demonstra falta de cautela e mesmo má-fé na tentativa da explicação do inexplicável.

Em linguagem jurídica isto se classifica como “Indução a Erro”.

Pois foi justamente com o compromisso de recebermos um CONTRATO DEFINITIVO que atendemos aos insistentes pedidos do Presidente da diretoria para que colocássemos nosso timbre pessoal naquele instrumento.

Com muita humildade, graças à dedicação integral e trabalho me tornei Procurador da Justiça, Professor Universitário no Brasil e no exterior, jurista por formação e por vocação.

Por conta disso, aprendi no meu primeiro ano de Faculdade a discernir o que é uma simples peça preparatória, introdutória e manifestação das partes em realizar um determinado negócio, como é o espírito de um PRE-CONTRATO, de um CONTRATO definitivo, onde objetos específicos, prazos, valores, formas de pagamento e de recebimento, deveres, concessões, direitos, multas, peças acessórias e anexas, como planilhas, por exemplo, além de inúmeras outras avenças são pormenorizadamente explicitadas.

CONTRATO assim, entre o Corinthians e a empreiteira do Itaquerão, como é óbvio, e do conhecimento geral, não existe.

Ou pior: se existe, não foi nunca a mim apresentado e muito ao Conselho Deliberativo.  

O que cobramos agora é, pois, exatamente o cumprimento da promessa feita quando da assinatura do PRE-CONTRATO.

E isto está muito claro em nossa primeira NOTA OFICIAL.

Em cada parágrafo, em cada linha, em cada palavra, em cada vírgula da mesma.

3. Por fim, registre-se:

O essencial, reclamado em minha Nota anterior, permanece sem elucidação.

Não há informe sobre os custos reais da obra e sobre quem vão recair as responsabilidades da empreitada.

Impõem-se – só para ficarmos num item – que todo o Conselho seja informado, por exemplo, dos termos em que o eventual empréstimo junto ao BNDES será tomado.

Com que juros, com que prazo, com que garantias, com quais riscos?

Aliás, a quantas andam este vultoso contrato?

O empréstimo já foi solicitado formalmente àquele orgão?

Foi concedido?

Estas questões fundamentais permanecem em aberto.

Nada foi esclarecido.

Nada foi relatado a respeito.

O que foi dito no Conselho Deliberativo pelo diretor que se auto-intitulou coordenador único deste projeto de grande vulto e importância para o Corinthians, não passou de generalidades, sem nenhum apoio documental, como todos sabem.

A se comparar valores que ali foram apresentados por outros que foram publicadas na sequência, inclusive pela diretoria, sem nenhuma contestação oficial, a diferença é abismal.

Daí a necessidade de se esclarecer os conselheiros.

Caro Presidente Sanchez, quando em nossa Nota Oficial anterior afirmamos que o momento era o de união e de nos estendermos as mãos, o movimento era de extrema sinceridade.

Continua sendo.

Já quando encerramos a nossa mensagem anterior, com o pensamento do grande pensador católico Santo Agostinho, que nos recomenda preferir “aqueles que me criticam, porque me corrigem; àqueles que me adulam, porque me corrompem”, foi por justamente acreditar na existência de pessoas capazes de incitar a discórdia e cultivar a soberba.

Seja com maus conselhos, seja com Notas “explicativas” divagativas, prolixas, redigidas com falta de cuidado no contéudo e na forma.

O Corinthians, enfim, é maior que todos nós, senhor Presidente.

Estamos de passagem pelo clube.

Façamo-lo de modo honrado e principalmente PRESTANDO CONTAS, sempre que solicitados e sem nos exasperarmos com as cobranças, considerando-as parte de nossa agenda.

É a obrigação de quem está no poder.

Carlos Senger

Presidente do Conselho Deliberativo

Sport Club Corinthians Paulista

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