Balanço do Corinthians é aprovado no Conselho. Aprovado ?
As contas do Corinthians foram aprovadas em reunião realizada ontem, no Parque São Jorge.
Mas a humilhação sofrida pela direção alvinegra, em todo o processo, deixará seqüelas difíceis de serem contornadas.
REUNIÃO DO CORI
Horas antes, em reunião extraordinária do CORI, a KPMG, nova auditoria do clube, negou-se a assinar o serviço efetuado pela BDO RCS, alegando que para fazê-lo teria que começar o trabalho do zero.
Sem alternativa, com a imagem desgastada por ter sido pego de calças curtas no episódio em que descobriu-se que a empresa auditora (BDO RCS) é de sua propriedade, Raul Corrêa da Silva entrou em desespero.
Quase implorou para que o CORI enviasse suas contas ao Conselho Deliberativo com o argumento de que não haveria tempo hábil de refazer novamente o estudo.
Oito “compreensivos” conselheiros caíram nessa conversa e votaram a favor, a grande maioria ligada a Andres Sanches.
Três se posicionaram claramente contrários ao absurdo: Roque Citadini (que não tinha direito a voto por ser Presidente), Rubens Gomes e Marlene Matheus.
Dois se abstiveram.
REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO
Tivemos de tudo na reunião do Conselho Deliberativo, protestos, dirigentes constrangidos, outros mais exaltados, e até advogados se prestando ao papel de “Leão de Chácara”.
178 conselheiros assinaram a lista de chamada, embora dez destes nem esperaram a reunião começar e foram embora.
O bate-boca foi acalorado e Raul Corrêa da Silva, sem conseguir satisfazer os questionamentos, tremia como se estivesse em sua primeira reunião.
Para evitar o vexame de uma possível reprovação, os dirigentes corinthianos lançaram mão de sua tropa de choque, amestrados, que além de gritarem muito, por vezes, queriam arrumar confusão ainda maior.
Entre eles um agitador habitual, o conselheiro Romildo.
Sentindo que o clima estava pesado, desrespeitados pela absoluta falta de transparência do encontro, mais de 100 conselheiros se retiraram antes do início da votação.
Um protesto sem precedentes na história do Corinthians.
Entre os que saíram, para surpresa geral, haviam não apenas oposicionistas, mas vários adeptos da atual gestão, que, constrangidos, abriram mão de aprovar o que comprovadamente estava comprometido.
No momento da votação, apenas 60 conselheiros permaneciam no local.
Mesmo com a aprovação garantida, houve tempo ainda para que dois conselheiros cometessem atos lamentáveis de intimidação.
Romildo e Carlos Elias, advogado de Andre Negão.
Quinze conselheiros, dos sessenta que sobraram, fizeram questão de registrar seus votos contrários à aprovação do balanço.
Foram impedidos, pelos citados acima, de forma brusca, violenta, até.
A lista em que ficariam registrados seus votos “sumiu”, como num passe de mágica, e o tal Carlos Elias disse: “Não adianta, a reunião já terminou, nem que vocês conseguissem assinar não teria mais valor jurídico.”
Na verdade, a reunião ainda estava em andamento.
O sumiço da papelada foi o último ato de desespero daqueles que temiam pelo pior.
Mesmo com a aprovação garantida, o semblante dos que deveriam ser considerados vencedores, era de quem havia sofrido sua maior derrota.
E, de fato, sofreram.
Nenhuma votação pode apagar o que está na consciência daqueles que lá estiveram, ou seja, mesmo quem votou a favor, sabe que o resultado final estava comprometido pela falta de transparência.
E o cristal, depois de quebrado, não pode mais ser consertado.
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