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Quais as explicações?

Por JOSÉ CRUZ

http://blogdocruz.blog.uol.com.br/

Fora do ranking dos 32 primeiros países do Mundial de Atletismo, as autoridades do esporte nacional precisam repensar, urgentemente, sobre os rumos do setor.

Principalmente porque, trata-se de um país com pretensões olímpicas, com população numerosa e fartura de recursos humanos e financeiros.

O ministro do Esporte, Orlando Silva, deveria convocar uma reunião urgente do Conselho Nacional do Esporte para avaliar os planos do esporte, como um todo, e o atletismo e a natação em particular.

As comissões de Esporte da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deveriam suspender as pautas das reuniões da próxima terça-feira e convocar os presidentes das confederações afins e do Comitê Olímpico Brasileiro para explicarem sobre os vexames no atletismo e natação.

Da mesma forma, a Frente Parlamentar do Esporte, que reúne deputados e senadores para defenderem projetos de leis do esporte, também deveriam investigar sobre os rumos do dinheiro do esporte.

O Conselho Nacional de Atletas, não o dirigido pelo COB, mas o que tem Lars Grael e Magic Paula como expoente deveria ser reativado para dar sua contribuição ao esporte nacional.

O Fórum Nacional de Secretários de Esportes deveria se reunir urgentemente com o mesmo objetivo e indagar se a candidatura olímpica do Rio de Janeiro é, de fato, prioridade esportiva do país.

O Tribunal de Contas da União deveria apressar a apresentação dos relatórios finais com os gastos do Pan-2007, para que se constate se somos, mesmo, péssimos gestores do dinheiro público.

Como se observa, não faltam instituições de esporte. Falta, repetimos, um plano de desenvolvimento – para não dizer uma política integrada de governo, separando muito bem o esporte educacional do profissional.

E dinheiro? Só a Caixa Econômica Federal repassou R$ 64,3 milhões à Confederação Brasileira de Atletismo, nos últimos nove anos. R$ 13,5 milhões só em 2009. E o dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico, média de R$ 2,5 milhões anuais? É muito, é pouco?

Enfim, é preciso explicar essa matemática do fracasso.

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2 comentários em “Quais as explicações?”

  1. Paulinho, fiz atletismo por muitos anos e hoje moro na Inglaterra. Em minha sempre humilde opiniao, os atletas no Brasil fazem o que os ingleses faziam alguns anos atras: eles querem ser os melhores em seus paises de origem e isso ja eh o suficiente (a verba esta garantida).

    Tinha atleta ingles que deixava de participar de competicoes de alto nivel para correr localmente, soh para ter chances de ganhar – parecia o Popo lutando contra aqueles caolhos soh pra ter nocaute e dar audiencia na televisao. Quando chegavam nas olimpiadas e no mundial, era FUMO! O novo diretor do UK Athletics cortou a verba de um monte de gente que tinha resultados bons a nivel nacional mas nao se destacava internacionalmente. Rapidinho os atletas entenderam o recado.

    No Brasil os atletas treinam para se QUALIFICAR para o mundial, e nao para GANHA-LO. A competicao mais importante do ano eh o Trofeu Brasil. Nos 100m rasos todo mundo se gaba quando corre em 10″10 ou 10″20, quando o Usain Bolt ta voando baixo, o Tyson Gay correndo em 9″7 e o Asafa Powell em 9″8. Nos EUA, 10″10 nao da nem pra ganhar o campeonato universitario!

    O Jadel Gregorio soh vai bem no Brasil (e olhe la). A Fabiana Murer salta de acordo com a Lua, aparentemente. Os velocistas nao tem marca nem pra passar das eliminatorias em qualquer campeonato relevante. O Jesse, no salto em altura, eh bom mas tambem eh irregular. E apesar de tudo isso cria-se a ilusao que esses atletas sao os melhores do mundo e tem claras chances de medalha.

    A Maurren eh excecao, ja que se deu bem no salto em distancia nas Olimpiadas e vem conseguindo MANTER um alto nivel ha bastante tempo, apesar do resultado ruim nesse ultimo mundial e do gancho de 2 anos que ela pegou. E REGULARIDADE eh a palavra chave aqui: atleta nao pode depender puramente de sorte. A gente tem que se lembrar que o atleta do outro pais tambem ta ralando.

    Revezamento 4×100 nao conta, ja que a muitos paises sequer treinam as passagens de bastao antes de entrar na pista. Alem do mais, ja faz tempo que o Brasil nao ganha nada nessa prova. Na China ficou em quarto, perdendo ate pro Japao, mesmo sem EUA e Nigeria nas finais, no mundial de Osaka em 2007 nao conseguimos nem medalha. No mundial de Helsinki em 2005 nao fomos nem para a final. Em Atenas 2004 ficamos em oitavo.

    Em resumo, no Brasil a cultura eh ser o melhor do Brasil, e nao ser o melhor do mundo. E aos atletas que conseguem resultados bons falta regularidade. Parte da solucao, para mim, eh dar mais para quem realmente merece, incluindo tecnicos, e menos para quem soh consegue resultados bons a nivel nacional. Dinheiro nao falta, como pode-se ler no artigo acima.

    E uma parcela significativa dessa verba deveria ser gasta na PROCURA por novos talentos e no ESTIMULO `a pratica do esporte em escolas, centros comunitarios, etc. Ou seja, dentre as MILHOES de criancas praticando esportes eh quase impossivel, estatisticamente falando, nao encontrar uns 10 ou 20 atletas extraordinarios. Ai a gente pega esses moleques e investe neles.

    Quem faz isso? EUA, Australia, Jamaica, Reino Unido, China, Cuba, Russia, etc etc etc. Adivinha quem esta sempre no topo do quadro de medalhas em mundiais e olimpiadas?

    Nos EUA a filtragem comeca no colegio, onde esporte eh levado a serio, onde ha um monte de olheiros de universidades a procura dos melhores atletas, onde eles treinam para serem os melhores do mundo e quando chegam em uma olimpiada ou campeonato mundial ja estao acostumados com a pressao (sem falar nos patrocinios, endorsements, etc).

    Enfim, no Brasil fala um monte de gente cair na real.

    Abraco,
    Andre

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