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Leonardo da ruptura

 

Da FOLHA DE SÃO PAULO

Por JUCA KFOURI

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Enfim, o ex-rubro-negro e ex-tricolor, atual dirigente do Milan, desce do muro e defende que se rompa

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LEONARDO AVANÇOU . Como nos seus bons tempos de ala do Flamengo e do São Paulo, além do Milan e da seleção brasileira, Leonardo deu um passo à frente e abandonou o estilo tucano de contemporizador.

Ele, que sempre foi crítico da estrutura perversa e corrupta de nosso futebol, nunca foi para o confronto, sempre com um discurso cauteloso, algodão entre cristais, como se pisasse em ovos. Bem ao estilo, aliás, da história de mais de 500 anos do país. Mas eis que, na semana passada, ele saiu de seus cuidados e disse aquilo que seus admiradores esperavam, há tempos, que dissesse. Em corajosa entrevista a Fabio Juppa, de “O Globo”, Leonardo radicalizou e propôs simplesmente, sem papas na língua, a venda do Flamengo: “Abre o clube. Vende o Flamengo”, disse. E disse mais, disse o óbvio, como tem de ser dito: “É um sistema que não tem mais como sobreviver, pois hoje não há como injetar o que Flamengo mais precisa, que é dinheiro. Tem uma dívida pública, uma privada, não tem crédito e não tem liderança. Todas as lideranças que passaram pelo clube foram esgotadas e para nascer uma nova só acabando com a atual”.

Mas como fazer?, Juppa perguntou: “Há dois caminhos: o primeiro é o Estado intervir, como aconteceu na Inglaterra, na Espanha, em Portugal, ainda que o Brasil não tenha política para isso.(…) O segundo é a minha proposta: abre o clube, vende o Flamengo”. Em poucas frases, como se lê, Leonardo foi ao ponto. Como os governos brasileiros têm a marca do paternalismo e da negociação para não perder nem os anéis nem os dedos, deles nada indica que virá alguma coisa melhor que a farsa das timemanias. Esperar de algum deles uma solução à inglesa ou à italiana, se nem o do PT teve coragem de botar a faca no peito dos clubes e ordem na casa do futebol, é esperar como Pedro Pedreiro de Chico Buarque.

A solução, então, é privada. E, para tanto, não se pode esperar que algum investidor queira pôr dinheiro nas mãos da esmagadora maioria dos cartolas que aí estão. E parcerias barrigas de aluguel, como temos visto, também não são solução, porque quem é parceiro de todos não é parceiro de ninguém, a não ser de si mesmo. Márcio Braga, presidente licenciado do Flamengo, foi dos poucos cartolas rubro-negros, por sinal, que reagiram bem à proposta de Leonardo, embora seu discurso seja sempre oposto à sua prática. Outros, como o que vendeu Zico para um time italiano, a Udinese, cuja cidade-sede, Udine, tinha população que cabia no Maracanã, pisou nas tamancas, imaginando que Leonardo tenha interesses ocultos, como sempre pensa sobre os outros quem, de fato, os tem.

Claro que Leonardo saiu do muro para causar a discussão, para mover a pasmaceira, porque é preciso sim ter cuidado num processo de venda de um clube como o Flamengo, em tese, passível de ser comprado por um vascaíno milionário e maluco, daqueles que rasgam dinheiro apenas pelo prazer de fechar o rival. Mas Leonardo se junta aos que pregam a ruptura, a necessária revolução em nosso futebol. Viva!

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6 comentários sobre “Leonardo da ruptura

  1. Alvaro

    Ele poderia ficar apenas falando nas alternativas de não se fazer parcerias

    A tevê sempre é acusada de iludir, aculturar, desprezar a inteligência do brasileiro.
    E 99% das vezes é assim.
    Quando é esporte, então…
    Mas houve uma rara exceção hoje pela manhã.
    O ex-jogador Leonardo, e hoje dirigente do Milan, deu um tabefe violento nos ultrapassados dirigentes do futebol brasileiro.
    Encarou o falido modelo de administração dos clubes.
    E falou, na Sportv, do seu amado e combalido Flamengo.
    O clube de maior torcida do País e seus R$ 300 milhões de dívidas.
    E revelou um pouco do que aprendeu como dirigente do Milan.
    Com coragem.
    Sem falso moralismo.
    E até sugeriu coisas bem discutíveis como a participação do Estado, a diminuição de impostos, mecenas.
    Não censurou o que acontece na Inglaterra, onde os clubes estão ricos.
    Com dinheiro chegando não importa de onde.
    Lembrou do desperdício da passagem de Kia no Corinthians.
    “Hoje quando se pensa em Flamengo se pensa em crise.
    O clube deve, não tem como pagar, e quem estiver comandando a entidade neste modelo não tem saída
    Pode ser quem for.
    É preciso ter coragem de mudar a forma de gestão.
    Abrir o clube a investidores.
    E aceitar uma participação efetiva do Estado.
    Vinte anos atrás, na Espanha, todos os clubes estavam falidos e devendo para o Estado.
    Lá foi baxada a taxação fiscal para 25% na contratação dos jogadores.
    Isso tornou os clubes fortes.
    Na Inglaterra é de 50%.
    Na Itália o imposto também é altíssimo, 50%.
    O Henry deveria estar no Milan.
    Está na Espanha por causa dos impostos.
    O Real Madrid vendeu o seu centro de treinamento por US$ 400 milhões para a prefeitura.
    E hoje o mesmo terreno é usado por um empréstimo irrisório.
    O Estado banca o Barcelona.
    É importante para o Estado que o Barcelona seja forte.”
    Leonardo foi além. Deu um exemplo doído para o corintiano.
    “O Corinthians do Kia Joorabchian foi campeão brasileiro.
    Quando o dinheiro dele foi embora, o Corinthians foi para a Segunda Divisão.
    Ninguém planejou nada, quando o dinheiro estava lá.
    No Palmeiras da Parmalat, também.”
    Leonardo lembrou do Milan, de Berlusconi.
    “Sem a figura do mecenas, o clube que não tem ajuda do Estado não se sustenta.
    O Bangu foi Bangu quando teve o Castor de Andrade.
    O mecenas é necessário, sim.
    Mas não com esse modelo.
    Porque como as coisas estão, quem colocar dinheiro no Flamengo vai jogar pelo ralo.
    E em todos os clubes brasileiros.
    O problema é o modelo de gestão brasileiro que está atrasado.
    A Unimed é a dona do Fluminense.
    Só não está no papel.
    Quando as coisas não estiverem dando certo, ela vai embora.
    Nada impede.
    Se o Fluminense fosse legalmente dela, a atitude e a responsabilidade seriam outras.”
    Para esquentar mais a conversa, chegou o presidente do Corithians, Andres Sanches.
    “A estrutura dos clubes brasileiros está mesmo muito atrasada.
    A passagem da MSI deveria ter sido sim melhor aproveitada.
    Como é que agora eu, como presidente do Corinthians, sou obrigado a pagar 8 milhões de euros pelo Nilmar?
    Pagar por um jogador que não vou utilizar.
    E como pagar R$ 90 mil todo o mês ao Passarella.
    Isso foi culpa da administração do próprio Corinthians.
    E ainda ter o clube social deficitário com a fuga dos sócios?”
    Assim como fez com Ronaldo, que estava só preocupado com o Flamengo, Sanches convidou Leonardo para conversar no Parque São Jorge.
    O medo dos atuais dirigentes é que Leonardo esteja ganhando força política para assumir a presidência do clube.
    Mas ele ainda não quer voltar e trabalhar no futebol brasileiro.
    Por enquanto, continuará no Milan, que pertence ao primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi.
    Mas falou algumas verdades incômodas.
    Sem hipocrisia.
    O futebol e a vida não são mais lugares para iludidas donzelas

    “””E até sugeriu coisas bem discutíveis como a participação do Estado, a diminuição de impostos, mecenas.
    Não censurou o que acontece na Inglaterra, onde os clubes estão ricos.
    Com dinheiro chegando não importa de onde.
    Lembrou do desperdício da passagem de Kia no Corinthians.
    Leonardo foi além. Deu um exemplo doído para o corintiano.
    “O Corinthians do Kia Joorabchian foi campeão brasileiro.
    Quando o dinheiro dele foi embora, o Corinthians foi para a Segunda Divisão.
    Ninguém planejou nada, quando o dinheiro estava lá.”””

  2. Luís Carlos

    Como assim o Estado intervir? Já não basta não pagar nenhum centavo de impostos e contribuições ao Governo e não ter seus bens penhorados e a falência decretada como ocorre com os microempreendedores que ousam fazer o mesmo, e de quebra ainda ganhar uma Timemania?

    O que o Leonardo quer? A criação de uma contribuição especial para cobrir os rombos criados por administradores incompetentes e mal intencionados presentes em todos os clubes?

  3. Igor

    Flamengo é grande em Torcida e como clube , mto mamaram nele por muitos anos, as vezes muitos cartolas incompetentes se dislumbravam ao ver a torcida do Mengo lotar um Maracanã , por isso achavam que bastava botar os Denilson da vida que tava tudo certo.
    Erro deles hoje o time tá numa pindaiba feroz , Leonardo falou oq muitos torcedores queriam falar , abraço totalmene sua idéia e espero que volte ao Mengo pois se levar isso a sério e mostrar a esses encostados como o Fanfarrão Kleber Leite , que teve a oprtunidade de trabalhar em um dos melhores times do mundo a Era Zico de 80 , e pelo visto nada aprendeu , de linha e deixe que pessoas capacitadas possam trabalhar seriamente e colocar o Flamengo num patamar onde nunca deveria ter saido o de disputar Titulos !!
    Flamenguista doente

  4. CARLOS

    O LEONARDO EXPORTA JOGADOR TEM RAZÃO, DEVERIA SIM, TIRAR O POUCO DINHEIRO QUE RESTA PARA A SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA E TRANSFERIR PARA O FUTEBOL, É MAIS IMPORTANTE.

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