Advertisements

Palavra do Magrão

Mais e mais do mesmo

Por SÓCRATES

Alguns fatos de grande relevância ocorreram nos últimos jogos que acompanhamos e eles reafirmam a nossa convicção de que continuamos a ser comandados de forma inconsequente em várias esferas administrativas do nosso esporte.

No momento, quem está na berlinda é a comissão de arbitragem. Apesar de, vez ou outra, ela sofrer mudanças em seu comando, acaba sempre por provocar reações em cascata, devido ao baixo nível técnico dos profissionais sob sua gestão.

A comissão de arbitragem, que deveria ser independente e capaz – o que absolutamente não é a sua vocação –, aparentemente trabalha para os poderosos, ou para os que jogam em casa, principalmente sob o olhar atento e participativo de grandes multidões que acorrem aos estádios nesta fase do Campeonato Brasileiro. Existem incontáveis exemplos que corroboram essa tese, que jamais é confrontada.

Para piorar, alguns anos atrás, um determinado árbitro assumiu a culpa pela manipulação de alguns resultados de partidas de futebol. Ainda que a muitos pareça uma ação exclusivamente individual, não deixa de ser interessante ter acontecido com alguém que um dia falsificou um diploma para atingir esse estágio profissional sem ser desmascarado.

Quem, por qualquer motivo, tenta burlar de forma tão categórica toda a sociedade – e não só no futebol – só pode ser um indivíduo que utiliza de tudo para alcançar os seus objetivos financeiros.

Desvalorizar esse fato e tratá-lo como algo isolado é inadmissível no Estado de Direito em que nos encontramos. O tratamento dado ao caso, leve o suficiente para não produzir maiores consequências ao réu confesso, pode e estimula posturas antissociais ainda mais frequentes. Só o que faltou foi oferecer-lhe a anistia para voltar a apitar.

Imprevisibilidade

Como todos os anos, depois das inúmeras transferências de jogadores para o exterior e alguns retornos ao Brasil, algumas equipes perderam totalmente a identidade e gradativamente foram se afastando da luta pelo título brasileiro.

O caso mais flagrante foi o do Corinthians. Com a perda de seus principais jogadores, tornou-se um time frágil e irregular, além de absolutamente desinteressado.

Há alguns meses o alvinegro era aposta importante, senão a principal, para quem especulava sobre a conquista deste Brasileiro. Hoje, muitas equipes tomaram essa posição, produzindo um equilíbrio raro em competições nacionais. Muitos times se revezam próximos da liderança do campeonato e fica difícil fazer qualquer tipo de previsão para os últimos jogos.

 

Duas equipes, contudo, me parecem mais estruturadas neste momento – são mais regulares que outras forças, como o Palmeiras, por exemplo, que parece ter perdido o rumo. Penso em Flamengo e Cruzeiro, que saíram lá de baixo e se aproximam perigosamente dos líderes de sempre. Sigo, no entanto, apostando em Palmeiras e São Paulo – não sei exatamente por que, ainda que a irregularidade e o baixo rendimento sejam as características dominantes nos desempenhos dos dois grandes paulistas.

Povo inteligente

Quando da aprovação da Timemania pelo Congresso Nacional, a loteria criada pelo governo para tentar resolver a questão da insolvência dos clubes de futebol, houve um “tsunami” de satisfação dos cartolas do futebol brasileiro.

Enquanto eles se esbaldavam com a possibilidade de manipular mais riquezas do que as habituais, as associações esportivas choravam a falta de contrapartida que poderia servir para a própria sobrevivência.

Poderíamos fazer uma analogia com a história do cavaleiro que trata o seu animal com tamanha displicência que chega a desviar alimento que deveria manter o bicho ativo. Gradativamente, o cavalo vai perdendo forças e emagrecendo, enquanto o seu proprietário engorda mais e mais.

Eis que chega um dia de o animal fraquejar, mal se aguentando em pé. Seu dono então procura o comerciante do empório para que este volte a lhe fornecer ração – fiado, é claro.

O pequeno empresário fica desconfiado, mas resolve ver como está o animal. Caminha até o estábulo e dá de cara com um quase morto que não consegue se levantar e que se encontra forrado de moscas, aguardado pelos urubus a cercar o local. Com dó, decide dar mais uma oportunidade ao devedor. No entanto, em menos de um mês o cavalo morre de fome.

É o que acontece com a maioria dos clubes. Os recursos não são investidos na instituição. Sorte nossa o povo não ter aprovado essa loteria.

Facebook Comments
Advertisements

4 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. Doutor Raposo

    Sócrates, Tostão, Zico… As peças vão ficando cada vez mais raras, fica fácil contar nos dedos, infelizmente.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: