Advertisements
Anúncios

Palavra do Magrão

O Brasileiro em três atos

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=2835

Resolvi buscar o que escrevi nesses meses de Campeonato Brasileiro e dividir com vocês um pouco do que achava em diferentes ocasiões.

Em julho, perspectivas

As perspectivas do Brasileiro deste ano são bem interessantes, apesar de termos um torneio em que a técnica jamais sobressaiu. Se por este lado existe uma carência que não é de hoje, por outro o equilíbrio vigente é de impressionar. Neste momento, é impossível prever quem chegará ao título, à Libertadores ou mesmo quem cairá para a divisão inferior. É claro que existem candidatos mais fortes e que estão hoje no topo da tabela de classificação ou lá embaixo, mas ninguém pode afirmar quem estará aqui ou acolá no final da competição. Nem mesmo o Ipatinga, que sofre com sérios problemas de gestão e não tem um time muito forte, é carta fora do baralho, ainda que seja o que me pareça mais frágil nesta luta.

Cada ponto em disputa está valendo muito, independentemente dos objetivos que se queira atingir, e é por isso que há tanta reclamação a ponto de se perder uma boa oportunidade de vitória. Caso do São Paulo em Florianópolis, por exemplo. O Tricolor teve tudo para sair desse compromisso com três pontos e quase não leva o empate para casa (1 a 1 contra o Figueirense, 31 de julho). Dessa forma deixou escapar a chance de chegar mais perto dos que estão à sua frente, tornando a empreitada cada vez mais difícil. Mas, quando se consegue pontos preciosos, como o Santos em Porto Alegre (1 a 0 sobre o Internacional, 30 de julho), pode-se festejar à vontade, pois estes se tornarão cada vez mais raros. São os que definirão quem chegará aonde em cada uma das disputas.

Em agosto, planejamentos

Uma frase de Muricy Ramalho, “os favoritos ao título brasileiro serão definidos após a janela que permite transferências ao futebol europeu”, define a diferença entre planejamento e bumba-meu-boi (no sentido figurado do termo, já que em geral essas manifestações culturais têm muito mais organização do que o futebol brasileiro). O São Paulo, seu clube, saiu a campo para contratar alguns atletas que estavam disponíveis no mercado europeu na iminência de perder alguns dos seus melhores jogadores. Escolheu-se com cuidado não só para repor as peças que poderiam faltar como para reforçar os setores ainda deficientes.

E o resultado não poderia ser melhor. Como parece que nenhuma transferência de vulto atingirá os jogadores do Tricolor até o encerramento da janela, todos devem permanecer. Soma-se a isso a qualidade dos que chegaram, o que permitirá ao clube sair ainda mais forte dessa situação.

O mesmo aconteceu com o Palmeiras, ao menos por enquanto, pois, se perder o meia Valdivia, terá rapidamente de encontrar um substituto à altura, o que não será nada fácil, ainda que o chileno seja muito irregular (Valdivia deixou o clube em 15 de agosto). Já o Flamengo deixou de se preocupar com as perdas e sucumbiu nas últimas rodadas do torneio. Os árabes tentaram levar seu treinador, mas o clube conseguiu segurá-lo. Investiram, então, no artilheiro da equipe e o convenceram a mudar de ares. Um golpe muito mais duro que ajudou a definhar o time, que, de líder, passou ao sexto lugar.

Em novembro, o triste fim

Em poucos segundos de jogo, o Palmeiras entregou o ouro e se distanciou do sonho de seu treinador, que, além de se despedir do título, macho, enfrentou, no aeroporto, a reação de sua torcida, inconformada com seu destempero e ego exagerado – o que ocasionou uma lesão no seu antebraço. Dez minutos depois, o time achou um pênalti convertido por Alex Mineiro, que não teve o mínimo tesão para comemorar, talvez por culpa da difícil relação com seu comandante. Mais alguns minutos e um esperto Obina bateu rapidamente uma falta, que resultou no segundo gol flamenguista, com direito a uma falha extraordinária de um dos “craques” de Luxa.

No começo do segundo tempo, aturdido, o Palmeiras sofreu com sua própria incompetência e só não caiu de quatro rapidamente por causa de Marcos, que se tornou, nas últimas semanas, o vilão número 1 para seu chefe. Mas, como não há como segurar a superioridade, Ibson selou a sorte do Verdão, que agora só se salva do buraco se o Greenpeace entrar em campo. Porém, certamente o treinador palmeirense não aceitará esses préstimos, até porque não deve ter a mínima idéia dos ideais da ONG. O Palmeiras ainda conseguiu chegar ao segundo gol, insuficiente para impedir um golaço do mesmo Ibson, de calcanhar, na cara do velho Roque Júnior, outra aposta furada do treinador que quer ganhar em tudo. O mesmo Roque que assistiu de relance à cabeçada de Kléberson configurar a goleada (5 a 2 para o Flamengo, em 16 de novembro). Foi um triste fim para a arrogância!

Advertisements
Anúncios

Facebook Comments

4 comentários em “Palavra do Magrão”

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
Powered by
%d blogueiros gostam disto: