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Gilmar e Tarso

Da Folha de São Paulo

JUCA KFOURI

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Um era goleiro, dos bons e, na verdade, tem um y no nome. O outro foi jornalista e era, também, gaúcho

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GYLMAR dos Santos Neves pegava até pensamento na minha cabeça de criança. Quando não pegava, espanava os ombros e mandava seus companheiros à forra com a garantia de que no gol dele a bola não entraria mais.

Pela seleção brasileira sagrou-se bicampeão mundial, em 1958/62, no sentido que bicampeão tinha até então, dois campeonatos consecutivos, coisa que o tri avacalhou, como se pode verificar em nossos melhores dicionários. E bicampeão mundial só existe um goleiro no mundo, ele mesmo, Gylmar, responsável por uma geração de xarás, alguns goleiros de boas passagens, outros anônimos -e muitas vezes o melhor é ficar anônimo, pois não.

O nosso Gylmar jogou no Corinthians e no Santos e está na seleção de todos os tempos de ambos, além de estar, também, na brasileira.

Não bastasse isso tudo para ser um ídolo perfeito, além de homem bonito, elegante, extremamente educado e gentil, um dia, depois de uma crise de peritonite, visitou este colunista ainda em projeto, com 9 anos de idade, no Samaritano, levado pelo cirurgião que me operara, o saudoso dr. Athiê.

Tudo porque, vizinhos, o médico disse ao jogador que havia um fã dele em estado grave no hospital.

Deste Gylmar eu jamais me esqueço ou esquecerei -e o curioso é que tenho uma história semelhante com outro grande goleiro, Carlos Castilho, do Fluminense, reserva de Gylmar nas duas Copas, da Suécia e do Chile, mas que fica para uma outra vez.

Gylmar, que adotou o y só depois que parou de jogar, é paulista de Santos. Sofreu um derrame e segue em frente com o carinho de todos. Já o jornalista Tarso de Castro

também era bonito, além de galanteador, extremamente criativo e anárquico. Um vulcão em permanente erupção no eixo Rio-São Paulo e adjacências.

Fundador e afundador do Pasquim, tinha uma coluna na Ilustrada como tem a Mônica Bergamo.

E, quando não tinha notícia, inventava. De maneira a não prejudicar ninguém com suas loucuras. Este colunista, por exemplo, era uma de suas vítimas preferenciais.

Chamava-me de “gatável”, seja lá o que isso for, e adorava contar que Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente da editora Abril e, então, meu chefe, brigara comigo por causa da Doris Day…

Mais non sense impossível, embora o dono da editora vira e mexe perguntasse a um ou a outro o que estava acontecendo entre nós…

Esse gaúcho de Passo Fundo morreu cedo, aos 50 anos, e deixou um filho também muito talentoso.

Tinha mil defeitos, como todos, mas jamais usou as palavras para esconder o pensamento, ao contrário.

Não foi, certamente, pensando nele que o humorista imaginou a figura de Rolando Lero, imortalizada pelo ator Rogério Cardoso.

Gylmar e Tarso devem ter se cruzado pela vida, mas não sei de nenhum encontro entre ambos e, agora, não há como saber.

Mas, com certeza, fariam uma dupla maravilhosa.

Eram, entretanto, outros tempos, muito mais românticos, muito menos pragmáticos e cínicos.

Protógenes só sei deste. Que errou aqui ou ali, mas só merece respeito.

blogdojuca@uol.com.br

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9 comentários sobre “Gilmar e Tarso

  1. ISRAEL (RIBEIRÃO PRETO-SP)

    Paulinho, uma boa tarde a vc e a Nação Corinthiana. Falar do Timão está dificil, más, com fé em Deus, superaremos as mazelas que se arrastam a mais de 04 decadas. Vi Gilmar dos Santos Neves jogar, transportando-o para o futebol de hoje, nem o Marcos que eu considero o melhor goleiro do Brasil e o Buffon que é o do mundo chegam aos seus pés, com o treinamento e todas as atividades fisicas existentes, seria o nº 01 do planeta sem medo de errar.Tarso de Castro, sua coluna em jornais era obrigatório sua leitura pela inteligência do texto. Parabéns ao Juca e a vc pela msg.

  2. Divanio

    Paulinho,

    Acabo de ouvir em discurso do Senador Pedro Simon, TV Senado, que foi aprovada no Câmara,ontem, lei que determina o seguinte: o promotor que efetuar uma denúncia e não provar nada contra o acusado, pagará as custas processuais.Que beleza!E o Cacciola sorrindo e dizendo que confia na justiça brasileira?Sem algemas!Ah, se eu pudesse fazer o que estou pensando neste momento!

  3. Mosqueteiro Centenário

    Divanio

    Eu senti uma ponta de desgosto em sua mensagem e por isso resolvi me manifestar em favor (isso é raro) dos nobres deputados neste caso, ainda que a vontade deles seja diferente da minha.
    Mas é o seguinte: Vivemos num chamado Estado Democrático de Direito e isso nada mais significa do que o que diz a máxima “Ninguém será considerado culpado antes do transito em julgado da sentença condenatória”.
    E isso é muito bom, é a legítima proteção do cidadão contra as arbitrariedades do “estado”.
    Temos visto muitas pessoas por ai, investidos de poderes estatais e travestidos de senhores do bem e do mau. E isso é um absurdo.
    O mundo não precisa de justiceiros. O Mundo precisa de pessoas que cumpram e façam cumprir a lei.
    Se os promotores estão lá é exatamente para cumprir a Lei e eles têm de fazer isso de forma correta, ou seja: Dentro da Lei.
    Assim, ganhando a fábula que eles ganham, não podem se dar ao direito de errar, porque o erro deles configura violação ao estado democrático de direito.
    Então nada mais justo do que responderem pela violação desse direito, ainda que seja apenas pagando as custas processuais.

  4. Divanio

    Ao
    Mosqueteiro Centário,

    Tenho o desejo de justiça e de que as coisas andem de forma correta neste nosso País amado, tanto quanto você. Acredito que com essa nova lei, investigações serão interrompidas, pois as mesmas para prosseguirem necessitarão da aprovação de pessoas da estirpe do Sr. Gilmar Mendes(soltou o Dantas 2 vezes), ou seja, estaremos expostos a conivência dos “cumpanheiros” do praticante do ato ilícito. A justiça funciona de forma igualitária neste País?
    Quero justiça sim e não bandalheira!Não quero o Caciola sem algemas e rindo, como nós fossemos idiotas!Ironizando a justiça brasileira dizendo:”acredito na justiça brasileira”. Ele tem toda razão, no estado em que as coisas se encontram, provavelmente semana que vem estará solto!

  5. Alexandre

    Paulinho

    A convicção do homem comum é movida por vários fatores. Muitas vezes, condenamos o próximo por um simples primeiro olhar.

    Sabemos, o nosso senso comum está contaminado pela informação de crimes praticados pelos envolvidos noticiadas pela imprensa, cuja fonte são aqueles que, envolvidos no processo, atuam parcialmente a fim de acusar alguém.

    Duvido que você tenha lido todo o inquérito policial em voga. Aliás, duvido que tenha lido uma só página de tal instrumento processual.

    Fala, então, pelo senso comum, consicionado pelas informações veiculadas pelos órgãos de imprensa.

    Mas o que publica a impresa, senão as versões das informações parciais daquele que acusa?

    A convicção da Justiça não se move pelo senso comum.

    Não admite o Estado Democrático de Direito a figura do justiceiro, aquele que sumariamente condena alguém subjetivamente, em desrespeito ao devido processo legal, ampla defesa, contraditório, presunção de inocência. Nele, o que existe é um Juiz imparcial, que, após colher os argumentos e provas da acusação e da defesa profere a setença justa, dando àquele o é seu por direito.

    No caso Satiagraha a questão em debate é a prisão de uma pessoa antes da sentença condenatória, antes mesmo da oitiva dos argumentos das partes, portanto, antes da convição do juiz sobre a culpa ou não do acusado.

    É, portanto, medida excepcionalista essa prisão antecipada, ante ao princípio da presunção de inocência.

    No âmbito da justiça, nada para o Juiz, até esse momento, foi para o Direito definitavamente provado. E, portanto, não há culpa, não pode haver prisão.

    Mal comparando, o que quer as autoridades policiais e judiciais de primeiro grau é apossarem-se da capa dos justiceiros, matanto sumariamente o mal.

    Justiça, mesmo, fez o presidente do STF, salvo se se comprovarem as insunuações de que seu voto foi negociado nas esferas do lobby e do poder.

    Prefiro acreditar na Justiça nos direitos e garantias do cidadão.

    Não me convence o senso comum, a ignorãncia, a sanha justiceira.

    Melhor seria se o Juiz conduzisse o processo crime de maneira imparcial, célere e aplicasse a sentença condenatória, colocando os culpados na cadeia, na forma da Constituição Federal.

    O atropelo, essa é a verdade, estragou todo um trabalho que poderia iniciar aquilo que tanto almeja a sociedade: o fim da corrupção e a prisão severa de todos os corruptos.

  6. Divanio

    Satiagraha pode ser a última grande operação da PF

    Para De Sanctis, mudanças no Congresso inviabilizarão investigações

    O juiz federal Fausto Martin de Sanctis, que por duas vezes determinou a prisão de Daniel Dantas, afirmou ontem que a Operação Satiagraha poderá ser a última megaoperação da Polícia Federal (PF) no país. Segundo De Sanctis, embora a sociedade não tenha percebido, estão em curso no Congresso várias mudanças no Código de Processo Penal, que impedirão prisões preventivas, darão acesso antecipado às investigações aos próprios investigados e, entre outras medidas, tornarão afiançáveis os crimes de colarinho branco. As mudanças entram em vigor em agosto.

    — Estão inviabilizando as investigações, principalmente sobre crimes financeiros.

    O juiz, que teria sido espionado em seu gabinete pelo grupo de Dantas, disse que a indústria dos grampos se instala no país, mas, em vez de coibir essa prática ilegal, o país prefere inviabilizar a ação da PF.

    — E o que se faz? Se critica a Polícia Federal. Que interesses há por trás disso? Querem que a PF não trabalhe mais? Então, vamos fechar a Polícia Federal. Não se pode ter instituições de faz-de-conta. Ou elas existem para valer, e para todos, ou não dá mais. Uma coisa é a arbitrariedade. Outra é o exercício da autoridade.

    Juiz do caso Dantas anuncia férias e diz que “não dá para ter PF de faz-de-conta’

    De Lilian Christofoletti:

    Abatido e com os olhos marejados, o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, que mandou duas vezes o banqueiro Daniel Dantas para a prisão, afirmou ontem que não vai se intimidar diante de eventuais ameaças ou tentativas de desacreditar o seu trabalho. “Estou exaurido”, disse em tom de desabafo. O juiz revelou que entrará em férias por 15 dias na próxima segunda-feira. Segundo ele, já estavam programadas “há muito tempo”.

    SOMENTE UMA OBSERVAÇÃO:

    QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME.

  7. emir

    Essa idolatração ao Delegado Protógenes é incompreensível. O trabalho do Delegado foi maculado pelo seu excesso de vaidade, privilegiando um órgão de imprensa para divulgar os fatos. Demonstrando despreparo para a função, chegou ao absurdo de pedir a prisão do jornalista da FSP. Enquanto todos se regozijam com a prisão do banqueiro e seus asseclas, oculta-se que o mesmo banqueiro bancava jornalistas para plantar notícia. Ocorre que o nome desses pseudo jornalistas passou incólume, já que nada foi divulgado a respeito. Por outro lado, o Min. Gilmar Mendes merece todo respeito pela sua coragem em decidir, em sede liminar, a questão sem se preocupar com o que a imprensa fala e escreve. Qualquer coisa além disso, ou seja, sobre a decisão do Ministro é leviandade. Longe de defender o Sr. Daniel Dantas, contudo, preocupo-me com com o “modus operandi” da autoridade policial postulando prisão a esmo, e seu apego pelos minutos de fama. Defendo é o estado de direito

  8. Divanio

    Preocupo-me com o modus operandi dos corruptos, larápios, os 171, aproveitadores do erário e da boa fé do povo, com o criadores do bolsa família com fins eleitoreiros.
    A corrupção, acesso a informações privilegiadas, roubo, desvio de verbas e outros quetais, são coisas de um estado de direito?Ou de um estado ladrão?
    Estão corretos o delegado e o juiz.A tv não vive mostrando pobre ao vivo, quando é preso? Qual o problema de mostrar uns riquinhos se ferrando no vídeo, de vez em quando?

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