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Blog do Paulinho

Palavra do Magrão

Memórias e corujices

 

Sócrates  

Este tem sido um ano muito especial para este pai de tantos moleques também especiais. Fidel, o mais novo e com 3 anos incompletos, está tendo acesso pela primeira vez a uma estrutura educacional e já se entrosou com facilidade com os novíssimos companheiros de estrada. Sócrates, o Júnior, é claro (que, aliás, joga um bolão), sofreu com o trote oferecido pelos veteranos da FEA Ribeirão. Com apenas 17 anos e muitas espinhas no rosto, já se apresenta para enfrentar os meandros da vida adulta. O velho aqui, que não é bobo nem nada, aproveitou a ocasião para entrar na farra e acabou também careca e pintado como o filho adolescente, sem falar no imenso orgulho que deixa mais bobos ainda, acredito, todos os pais nessas ocasiões.

Como os outros mais velhos já definiram seus caminhos e se encontram muito bem resolvidos, acho que boa parte da minha missão paterna já está em vias de terminar bem. No entanto, gostaria que muitos outros pais que se encontram em situação semelhante pudessem vivenciar esta realidade.

Só que, para tanto, teríamos de estimular a briga para que todas as crianças deste país tenham acesso ao bem mais valioso que cada um de nós pode conquistar: o conhecimento. Sonho com o dia em que o futebol possa colaborar para a conscientização de que o futuro de cada um de nós e de nossa nação em geral passa necessariamente pela educação. Temos de ter coragem para transformar toda a nossa população em verdadeiros cidadãos.

Mudam as moscas…

Falando em política, é impressionante como, em nosso país, o meio futebolístico se parece com o mundo da política tradicional. E o processo mais interessante é a eterna capacidade de, em geral, excluir pessoas de bem do seu convívio, como se só malandros pudessem vicejar nesses dois ambientes. E eles não são poucos.

Há poucos meses, no Corinthians, assistimos pesarosos à dissolução de uma comissão que estudava a viabilidade da construção do sonhado estádio corintiano. Gente da estirpe de um Eduardo da Rocha Azevedo realmente não poderia suportar a convivência com tantos fatos estranhos em curso no processo em questão.

E a razão que levou à dissolução da comissão pareceu-me mais obra de determinados interesses comerciais de um pequeno grupo alojado dentro do clube do que de uma realidade convincente. Uma opção de compra de um terreno gigantesco – que não serviria, diga-se de passagem, para um estádio moderno e funcional como se exige hoje em dia – não se perderia da noite para o dia, a não ser que a data determinada fosse utilizada para pressionar a decisão da comissão. O que pareceu ser o caso.

Mesmo depois de tanta discussão, desvios, nepotismo e a queda do presidente anterior, os exploradores do patrimônio corintiano demonstram que não estão dispostos a abandonar a “boquinha” e a cada oportunidade voltam a levantar as asinhas.

No fundo, no fundo, nada mudou na direção do Timão. Só as moscas mudaram de nome. Ou nem isso.

Não te falei?

O gol no final da partida contra o Fluminense, que determinou a desclassificação do São Paulo, me fez lembrar um fato ocorrido no início da minha carreira esportiva. Vamos a ele.

Menina, você é um doce de coco, está me deixando louco, está me deixando louco… A multidão cantava esta marchinha pelos salões do clube social. Era carnaval. No sábado seguinte teríamos o Come-Fogo, em seus áureos tempos de intensa rivalidade. Passeando pelos corredores do clube, me deparo com um grupo de amigos usando a camisa do adversário. Era, sem dúvida, uma provocação. Nos dois jogos anteriores, havíamos vencido sempre por 1×0 e com gol meu.

Rodearam-me clamando o grito de guerra de sua torcida. Como estava em desvantagem numérica, reagi com uma frase premonitória: venceremos novamente pelo mesmo placar, com outro gol meu e, pior, no último minuto.

Eram 45 minutos do segundo tempo e todos aparentemente estavam satisfeitos com o 0x0. O árbitro olhava para o relógio ansioso pelo fim da partida. A bola estava com o goleiro do Comercial. Era só dar o chute para a frente que tudo estaria terminado. No entanto, passou a trocar bola com o zagueiro. Uma vez. Duas vezes. Na terceira, resolvi me aproximar vagarosamente. Na quarta vez, corri na direção do beque. Assustado, ele recuou com muita força fazendo com que a bola ultrapassasse o arqueiro. Como já estava na corrida, e ele tendo de se virar, pude com um carrinho alcançá-la primeiro, empurrando-a para as redes. Foi um verdadeiro orgasmo da multidão botafoguense.

Depois de comemorar junto à galera, olhei para um arrasado adversário. Discretamente, passei a mão na sua cabeça e sussurrei: não te falei?

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7 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. ISRAEL (RIBEIRÃO PRETO-SP)

    O Magrão, foi sensacional como jogador e está dando exemplo como pai. No jogo que ele narra o gol feito no final eu estava no campo e torcendo pelo Comercial, quando o zagueiro Gonçalves recuou a bola para o goleiro Lula, e depois foi descrito pelo Sócrates. Foi gênio jogando bola na minha opinião.

  2. André

    O Doutor sempre foi uma pessoa equilibrada e sensata, suas idéias sempre estiverem a frente do seu tempo. Seus deslizes, representam quase uma insignificância, frente ao seu caráter e honestidade.
    Como associado do Corinthians, eu cerraria fileiras, caso ele resolvesse encampar a idéia de lançar uma chapa, para as eleições de janeiro.
    SÓCRATES, PARA PRESIDENTE DO TIMÃO.

  3. tarsischwald

    Tenho o prazer de conhecer o magrão e sair para tomar uma gelada. É um gênio sim. Foi genial jogando futebol e é genial falado sobre futebol!

  4. Samuel P. Ribeiro

    Outro blog de corintiano? Não é possível, elogiei esse blog numa outra mensagem que enviei…Por que não fizeram uma entrevista com o Rei Raí?
    Ah, pro inferno…

  5. Samuel P. Ribeiro

    Dizem que o Socrates é um gênio, mas não deu no couro lá na Fiorentina,pelo contrário, quiseram que ele fosse embora.

  6. Cesar

    Parabéns, faça como eu : NÃO BASTA SER PAI TEM QUE PARTICIPAR. teu irmão jogou no meu time, DONO do maior estádio PARTICULAR do mundo.

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