Do blog do Juca
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Carta ao técnico Nikita
Por ROBERTO VIEIRA
Nadei pelo Náutico na década de 70. Nunca fui um grande nadador, mas gostava das piscinas, amava o clube, admirava as extraordinárias Adriana Salazar e Maria de Fátima, recordistas sul americanas e tinha orgulho de fazer parte de um grupo comandado por Nikita.
Nikita que chegou a dividir a mesma piscina com o fenomenal Mark Spitz.
O depoimento da nadadora Joana Maranhão referindo ter sido abusada sexualmente por um treinador do Clube Náutico Capibaribe aos nove anos de idade é estarrecedor. Provoca indignação e desejo de justiça. A confirmação do fato pelos seus pais e pelo seu treinador atual, Nikita, nos leva a um outro ponto: Quem foi o responsável por tal barbárie? Quantas outras crianças foram vítimas deste monstro?
Entendo perfeitamente o silêncio das vítimas. Apenas uma pequena parte dos casos de abuso infantil é denunciada. Chaga que permeia todas as camadas da sociedade, indiscriminadamente atingindo ricos e pobres, o terror se dissemina pela vergonha que o cerca. Pelo silêncio das crianças. Pela sensação de solidão e abandono.
Durante anos convivi com as crianças, vítimas de espancamentos e abusos sexuais, que davam entrada no Hospital da Restauração. Queimaduras de cigarros, fraturas orbitárias, medo e angústia. A última vítima foi uma menininha de seis meses. Surrada impiedosamente pelos pais. Quase morta. Todos eram denunciados às autoridades competentes.
Portanto, e exatamente por admirar o técnico Nikita, venho aqui solicitar um favor.
Seria muito importante para a sociedade conhecer o nome do técnico que cometeu tais atos infames com Joana Maranhão. Não para resgatar o passado, embora ele deva ser punido exemplarmente no presente. Porém, para impedir que o mal se propague no futuro.
Para evitar que a sombra da dúvida se espalhe sobre os outros treinadores do clube na época. Treinadores honestos que neste momento estão sob suspeita.
Nesse exato instante, uma outra criança pode estar enfrentando indefesa a sua própria noite de terror. É nosso dever protege-la.
Quem foi o culpado?

