Sobre a Traffic
Por Jorge Kajuru
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PARCEIRO DO PALMEIRAS ATUA ATÉ PARA OS RIVAIS
J Hawilla é o “dono” do Grupo Traffic. Que atua na comercialização de direitos de transmissão, patrocínio e ações em eventos esportivos e de entretenimento no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa; na geração e comercialização das transmissões das copas América, Libertadores e Sul-americana; nas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo, e no Campeonato Brasileiro para Bandeirantes e Record.
A Traffic também é dona do Ituano, do Miami FC e do Desportivo Brasil e da TVTEM (geradora Rede Globo nas praças de Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba e sul do Estado de São Paulo).
Entrevista de José Hawilla, principal executivo da Traffic à Rodrigo Bueno, no caderno Folha Esporte, da Folha de S.Paulo, de sexta-feira, 21 de dezembro de 2007.
RODRIGO BUENO – Os atletas da Traffic poderão jogar no Palmeiras e estar ligados ao Ituano?
HAWILLA – Não, quem joga no Ituano é outro nível. Não é Traffic, é um fundo administrado pela Traffic.
FOLHA – O fundo pode colocar atletas em outros clubes?
HAWILLA – Pode, pode.
FOLHA – Já comprou um para a Portuguesa, não?
HAWILLA – Estamos tentando comprar dois jogadores para a Portuguesa. Não conseguimos ainda.
FOLHA – Dizer que o fundo é parceiro do Palmeiras não é muito verdade, então?
HAWILLA – Mas não é muito mentira. Preferencialmente, compramos atletas para o Palmeiras, mas vai acabar. Você não consegue gastar R$ 40 milhões com o Palmeiras, não tem jogador para isso. É um fundo, só isso, não tem gestão, parceria, nada. Não temos elemento na comissão técnica, na diretoria…
FOLHA – Não ajuda a pagar o Vanderlei Luxemburgo?
HAWILLA – Não. Não temos nada a ver com isso. Só compramos jogadores e os colocamos no Palmeiras.
FOLHA – Ou em outro clube…
HAWILLA – Como a Portuguesa, o Flamengo… Compramos participação de dois jogadores do Flamengo, um é Renato Augusto, e o outro, não me lembro.
FOLHA – Por que a Traffic decidiu investir em jogadores?
HAWILLA – Negócio. Como outro qualquer. É fundo.
FOLHA – Pode pôr atletas no Corinthians ou no São Paulo?
HAWILLA – É muito difícil, pois estamos em São Paulo mais focados no Palmeiras, mas pode ocorrer. O fundo busca boas oportunidades para investidores. Um agente maior que leva o jogador para o clube.
FOLHA – Por que o Palmeiras?
HAWILLA – Imaginamos três clubes, um no Rio, Fluminense, um em São Paulo, Palmeiras, e um em Belo Horizonte, Cruzeiro. Em São Paulo, o Palmeiras é o que tem a diretoria mais acessível. O Corinthians está em turbulência permanente. O São Paulo não precisa normalmente disso, faz tudo sozinho. E o Santos tem seus parceiros.
FOLHA – Palmeirenses atacam a Traffic porque o time não foi no Mundial-00, e o Corinthians, sim. Já sentiu isso?
HAWILLA – Nunca ouvi isso. Nunca ninguém falou nada comigo. Sou palmeirense, vou pouco aos estádios, mas, quando vou, são aos jogos do Palmeiras.
FOLHA – Por que o Palmeiras, campeão da Libertadores-99, não jogou aquele Mundial?
HAWILLA – O Corinthians foi campeão brasileiro [98]. O Palmeiras foi campeão no último momento, perto do fim do ano.
FOLHA – Foi em junho…
HAWILLA – Não dava para esperar o Palmeiras ser campeão. O torneio foi preparado um ano antes. A Fifa não podia esperar.
FOLHA – Mas outros participantes saíram no final de 99.
HAWILLA – Não me lembro. Foi uma questão da Fifa.
FOLHA – A Traffic, então parceira de Corinthians e Fifa, não indicou time para o Mundial?
HAWILLA – Não, a CBF é que é ouvida. A Traffic era parceira comercial. Acha que parceiro vai ter ascendência sobre a Fifa, a CBF? Bota o Corinthians porque sou parceiro, o que é isso?
O dinheiro imediato pode trazer resultados imediatos (a MSI também os trouxe).
