Por Dan Stulbach
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Oito
Muito bem, 08 vem aí.
Não, não me acostumei com a idéia. Mas, o que fazer?
As cidades vão ficando vazias, todos que me encontram tem um abraço, ou então um ar nostálgico de fim de feira.
Olhos marejados.
Vai tudo acabar, vamos todos pra praia viver lá.
Esqueça tudo, uma inundação virá e tudo levará.
Deixe seus objetos e só leve o necessário. Pra que mais?
O stress, a correria, sabemos, é tudo ilusão.
Em breve, foto do presidente mergulhando, japoneses comemorando a chegada do ano antes de nós, e ele vindo, a China em festa, e ele vindo, teus amigos ligando, você ligando e ele vindo, planos, listas, porque ele virá, impávido que nem Muhamed Ali, ele virá.
Tudo será diferente, prometemos. E quem sabe, cá entre nós, pode até ser que seja.
A economia vai continuar bem.
Nuvens de chuva, uma certa instabilidade lá por fevereiro, outra em agosto, mas vai passar de 80.000.
Renan vai continuar lá.
Uns três a quatro escândalos, emails revoltados para o programa, cinco abaixo-assinados.
E, nas disputas acirradas dá Geraldo aqui e Hillary lá. Será?
O Palmeiras surpreende no Paulista, a Libertadores vira uma loucura, Flamengo e Boca.
As filhas de meus amigos crescem e ficam ainda mais lindas e eles ainda mais bobos e iluminados.
O Adriano se arrepende e muda para o Corinthians.
O Zé publica um livro. E fica ainda mais feliz.
O Teco menos ansioso e mais fofo.
Atende a todas as ligações, seja de fixo, pager ou celular, liga de volta e ainda manda beijinho.
Sentiremos saudades do Sanjaya.
O meu time sobe, doideira e choradeira.
Mas o roubo continua.
No Oscar dos sonhos, Daniel Day Lewis, Javier Bardem ou Robert Downey Jr. e a linda Cate Blanchett.
Um romeno leva o de filme estrangeiro e estreio uma peça.
E organizo os Cds, antes que se tornem relíquia.
Assisto pela primeira vez “Caçadores da Arca Perdida”.
O FDE continua, o blog cresce e ainda olhamos um pro outro com alegria.
Rimos um bocado.
Dunga cai, Luxa assume.
Putz grila, rimos ainda mais.
Ganhamos 14 medalhas, dirigentes corruptos e vaidosos dão entrevistas.
O Iphone chega no Brasil, legalmente.
Enquanto isso o Lao volta pro Carnaval.
Vamos poder falar pelo celular vendo um ao outro, alá Jetsons, e sintonizar a TV como se fosse rádio.
Febre geral.
Enquanto isso, 1968 faz 40 anos e só vai se falar no vazio da juventude.
E finalmente, aprendo a fazer muqueca e compro uma cafeteira.
