Da tribuna da imprensa
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CBF dá calote em clubes da Copa do Brasil feminina
A CBF deixou alguns clubes que participaram da Copa do Brasil Feminina com dívidas no mercado e mergulhados numa grave crise financeira. O motivo: não ressarciu várias equipes pelas despesas de alimentação, hospedagem e transporte. De acordo com o regulamento da competição, os visitantes receberiam R$ 4 mil a cada deslocamento para outro Estado. E também seriam reembolsados com as passagens rodoviárias.
A reclamação foi feita por dirigentes do Botucatu, de São Paulo, que foi vice-campeão da competição, e do Genus, de Rondônia. Procurada pela reportagem, a CBF admitiu a dívida, mas não sabe quando vai quitá-la. “Tivemos acidente de percurso no processo de confirmação de patrocínio. Isso nos atrapalhou um pouco no fluxo de caixa”, alegou o diretor de Competições da entidade, Virgílio Elísio, que esteve presente na final do torneio, encerrado no sábado à noite e vencido pelo Mato Grosso do Sul, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Os clubes exigem pressa da CBF para solucionar o problema e dizem que estão com a corda no pescoço. O Botucatu tem a receber duas cotas de R$ 4 mil, mais R$ 7 mil referente ao transporte. “O cartão de crédito estourou e não tenho previsão do dinheiro que deveria ser pago pela CBF”, declarou o técnico Edson Jesus, que acumula o cargo de presidente do clube paulista.
Ele cogita ir à sede da CBF, no Rio, para resolver a situação. “Estou devendo dinheiro para algumas empresas de ônibus e tem cheque pré-datado para bater. Espero receber, caso contrário o clube decreta falência”.
Já o Genus teve de pegar empréstimo de R$ 16.500 para seguir na competição, na qual terminou em oitavo lugar. Tem a receber da entidade máxima do futebol brasileiro três cotas de R$ 4 mil, além de R$ 4.500 referente ao fretamento dos ônibus. “Vivemos uma dificuldade danada. Segundo o regulamento, o repasse seria imediato. Desde o início da competição, a CBF diz que vai depositar e nada”, reclamou o presidente do Genus, Franscisco Evaldo da Silva, de 35 anos, por telefone. “A CBF alegou que houve problema de envio de notas. Isso não é justificativa. Eu mesmo comprovei os gastos e não adiantou coisa alguma”.
Revoltado, o dirigente vai pedir à Federação de Futebol de Rondônia que pressione a CBF. “Existem outros clubes nessa situação chata. Para um clube pequeno como o nosso, R$ 12 mil é astronômico”. O presidente do Genus teme ficar com fama de caloteiro. “As pessoas pensam que eu recebi e não quero pagar. É complicado”.
Virgílio Elísio tentou acalmá-los. “Todo mundo receberá tudo. Como sempre, a CBF pagará cada centavo. Não há hipótese de a gente não pagar. Todos podem ficar tranqüilos. Vão receber aquilo que foi definido, combinado e prometido”.
O fato, porém, é que no futebol feminino qualquer promessa da CBF é vista com ressalva. Que o diga a seleção de Marta e companhia, vice-campeã mundial na China, em setembro. A entidade chegou a anunciar que o valor a ser pago pelo segundo lugar na Copa do Mundo seria proporcional ao destinado à equipe masculina pentacampeã mundial em 2002 – cada titular recebeu pelo menos R$ 250 mil. Mas o prêmio das meninas foi irrisório: R$ 17 mil destinados a cada uma.

