A lamentável arbitragem brasileira – uma vergonha

Do jornal O Estado de São Paulo


Por Martín Fernandez 


Juízes voltam para “Escolinha da CBF”


SÃO PAULO – Os árbitros que tiraram notas baixas na prova teórica aplicada pela CBF terão vida dura daqui para frente. Ao todo, 96 juízes e bandeirinhas (23% do total) tiraram notas abaixo de 5,5 na avaliação, realizada em agosto.


Destes, 36 não conseguiram sequer tirar nota 5, numa prova com 20 questões de múltipla escolha sobre regras de futebol. Agora, terão de passar por uma “reciclagem”, caso queiram voltar a trabalhar para a CBF.


“Eles vão passar por um curso intensivo de arbitragem”, avisou o presidente interino da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa da Silva. O curso será realizado nas federações estaduais, entre 10 setembro e 8 de outubro.


Serão duas sessões semanais, de três horas cada, com chamada e tudo. “Depois disso, eles farão uma nova avaliação. Se tiverem melhorado, poderão voltar aos sorteios”, explicou o dirigente.


Os 60 juízes e auxiliares que obtiveram notas entre 5 e 5,5 também foram afastados dos sorteios dos jogos, mas poderão voltar se conseguirem nota 7 (no mínimo) na próxima prova, a ser realizada no dia 14 de setembro. Já os 104 profissionais com notas de 6 ou 6,5 seguem na escala, mas também terão de tirar pelo menos 7 na avaliação da semana que vem.


“Essa é uma primeira medida de impacto, para que eles acordem”, revelou o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. “Todo mundo gosta de ser árbitro ou auxiliar, mas é preciso mais do que isso. Tem de fazer por merecer, respeitar o público”.


Apesar de apenas 45,1% do total tirar nota acima de 7, Sérgio Corrêa da Silva considerou o resultado satisfatório. “Em se tratando da nossa expectativa, até que ficou adequada”, comentou o dirigente. “Mas, para as exigências do futebol moderno, é claro que poderia ter sido melhor”.


Sérgio Corrêa da Silva também faz questão de defender as arbitragens deste Campeonato Brasileiro, que todos os dias recebem novas críticas. “É importante que os clubes parem de reclamar e comecem a ajudar”, disse.


Dados extra-oficiais da CBF indicam que o investimento em arbitragem em 2006 foi de R$ 500 mil. “Se quisermos exigir melhores juízes, os clubes vão ter de ajudar financeiramente”, emendou Sérgio Corrêa da Silva.


Polêmica


O dirigente da CBF criticou ainda a atitude de Toninho Cecílio, gerente de futebol do Palmeiras, que esbravejou contra Wilson Souza de Mendonça e exigiu que o árbitro não seja mais escalado em jogos do time palmeirense. “Eu não contrato e não escalo o time dele”, respondeu Sérgio Corrêa da Silva. “Então, ele não se mete no meu trabalho. Qualquer árbitro que for escalado para jogo do Palmeiras vai ao Palestra Itália e vai ser bem tratado lá”.


Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem, as palavras de Toninho Cecílio podem incitar violência entre os torcedores. “Dirigente como ele tem de ser responsabilizado por qualquer tragédia que venha a acontecer”, declarou.


Para alívio do cartola palmeirense, porém, Wilson Souza de Mendonça está fora do próximo sorteio. “Li que ele deu uma entrevista comentando lances do jogo (entre Cruzeiro e Palmeiras) e isso não pode acontecer”, disse Sérgio Corrêa da Silva. “Ele até foi bem naquela partida, expulsou corretamente o Pierre. Mas não poderia ter dado entrevista. As entidades de classe é que devem se pronunciar”.


Notas


Dos 20 árbitros que mais apitaram na Série A do Campeonato Brasileiro em 2007, sete deles terão de refazer a prova teórica da CBF, pois tiraram notas inferiores a 7. Outros dois – Luis Antônio Silva Santos e Lourival Dias Lima Filho – vão ficar fora da escala até 14 de setembro, data da nova avaliação.


O amazonense Washington José Alves de Souza foi o único entre os 20 mais escalados (seis vezes neste ano) que terá de freqüentar a “escolinha da CBF”, pois tirou nota 4,5. Os 10 assistentes mais escalados nos jogos da Série A em 2007 não fizeram papel melhor. Cinco deles não alcançaram nota 7.


A pior nota do grupo ficou com o carioca Hilton Moutinho, que tirou 5. “É preocupante”, disse o comentarista de arbitragem Renato Marsiglia. “Porque é uma prova teórica, em que os avaliados devem saber a regra”.


Já a bandeirinha Ana Paula de Oliveira, que não trabalha nos gramados desde que decidiu posar nua para uma revista masculina, se saiu melhor do que a maioria dos seus colegas homens: tirou 9,5.

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